Ir, escutar, anunciar

Estamos já na metade do mês das missões e do rosário. O Sínodo dos Bispos sobre a juventude caminha para a última semana. na qual o Papa Francisco quis refletir sobre o tema: Os Jovens, a fé e o discernimento vocacional. A preocupação de Francisco foi, antes de tudo, ouvir à mocidade, não somente católica, para entender os apelos e os temas que eles colocam diante da Igreja que, de maneira honesta deverá afrontar.
Após a consulta a Igreja publicou o Instrumentum Laboris, um documento que dá as diretrizes para as discussões e que foi elaborado com os resultados da consulta. A consulta revelou que os jovens confiam na Igreja como lugar seguro na qual podem colocar as suas perguntas decisivas e, ao mesmo tempo, acreditam que resposta da Igreja é verdadeira e profunda, mas acenaram, contudo, que existe uma dificuldade na comunicação da resposta. Esse documento serviu de consulta para, depois das respostas, ser elaborado o documento de trabalho que, em várias exposições abriu o Sínodo que está em curso.
A pergunta que se coloca é: como comunicar a alegria do evangelho aos jovens em uma linguagem que seja acessível sem perder a profundidade na resposta? O próprio documento entrevê algumas propostas e, juntamente com essas, gostaria de oferecer uma pequena contribuição.
A Igreja não pode ter medo de ir até onde se encontram os jovens e dialogar com eles. Isso reclama abraçar com seriedade o chamado missionário. Não podemos somente querer falar entre nós, dentro das nossas comunidades, mas como afirma o Papa Francisco, a Igreja deve ser uma Igreja em saída, deve ir para a missão sem medo de errar, ou de se decepcionar, usando uma linguagem nova que, sem perder o frescor do evangelho e da doutrina, atinja os interlocutores.
Ir lá onde estão os jovens exige uma outra virtude: saber escutar que exige deixar de lado os preconceitos onde, por vezes, nos deixa surdos àquilo que nos querem dizer. Se não somos capazes de ouvir, não seremos capazes nem de responder, nem de procurar a resposta. Acredito que seja esse o primeiro ensinamento, para não dizer o maior, desse Sínodo dos Bispos.
É verdade, por outro lado, que além de ir e ouvir, devemos ter a coragem de obedecer o mandato que Jesus nos deixou, ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura. Não podemos ceder a tentação, comum, de pensar que aquilo que Jesus deixou é algo a mais. Jesus deixou tudo, deixou uma proposta de vida nova para todo o homem que não pode ser descuidada e nem mesmo ser anunciada com certa vergonha. No final das contas, os jovens de hoje desejam uma vida intensa, feliz, cheia de aventuras… Será que o Evangelho não tem essas características?
Ir, escutar, anunciar, a Igreja no Brasil, no mês das missões é chamada em comunhão com o Sínodo dos jovens, repensar o modo de aproximar-se dos jovens que esperam a revelação dos filhos de Deus.
Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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