SERMÃO DO ENCONTRO

Meus queridos irmãos e irmãs,

Nos reunimos hoje para experimentarmos mais uma vez este momento único, a experiência  do encontro. Hoje, não nos reunimos somente para caminharmos pelas ruas cumprindo uma tradição da Igreja, mas, para demonstrar publicamente a nossa fé e refletirmos sobre a maravilhosa e importante lição do encontro. A princípio, o encontro de Nosso Senhor Jesus Cristo com a sua Mãe Santíssima, Nossa Senhora.

Refletiremos também sobre os encontros do dia a dia e a necessidade do nosso encontro com o outro, e com Ele o nosso salvador.

Podemos e devemos refletir sobre os nossos encontros diários. Encontros que geram consequências em nossa vida, na vida da Igreja e da sociedade.   

Jesus passou a sua infância e a maior parte de sua juventude no silêncio da pequena cidade de Nazaré na convivência de São José e de sua Mãe, a Virgem Maria.

Poucos o conheciam, pois ele levava uma vida semelhante à de muitos de nós, homens e mulheres quase invisíveis aos olhos do Estado e da própria Igreja.

A grande diferença é que a família de Nazaré tinha consciência do que era. Já muitos de nós não temos consciência do que somos e nem tão pouco queremos ter. Preferimos nos eternizarmos como seres sem importância para a sociedade – isso é mais cômodo. A família de Nazaré era consciente da missão que recebera do Pai, Jesus se põe na direção dos homens e das mulheres e com eles estabelece vários encontros: Encontro com as multidões; encontro com os pequenos grupos e encontro individual com as pessoas.

Houve encontros prazerosos, que geraram frutos, mas, houve também encontros difíceis, como os encontros com as autoridades daquele tempo. Elas, as autoridades, além de não acatarem sua doutrina como indicação de salvação, ainda incitava o povo contra Jesus.

O Evangelho está repleto desses encontros, nos quais os “Senhores da Lei”, estavam a todo tempo, vigiando na espera de que Jesus desse um “vacilo” para o incriminarem – é assim que agem os filhos das trevas, vivem a espreita.

Diziam eles ironicamente:

– Senhor é lícito pagar tributo a César?

– Essa mulher foi surpreendida em adultério e pela lei de Moisés deve ser morta a pedradas. O que o Senhor diz?

– Moisés autorizou a dar carta de divórcio. Qual a sua opinião?

– É licito Senhor, curar em dia de sábado?

– Porque seus discípulos não respeitam o sábado? e por aí vai ..

E, assim, procuravam a todo tempo, desestabilizá-lo, hostilizá-lo para encontrar motivos de matá-lo.

As autoridades civis, militares e mesmo religiosas sentiam-se incomodadas com a pregação de Jesus de Nazaré. Viam que ele era uma ameaça para o comodismo e o modo de viver dos que não desejam sair da hipocrisia e da maldade.

Eram como sepulcros caiados: belos por fora e podres por dentro.

Jesus provocava encontros especiais com os mais simples, encontro com os doentes para que fossem curados, encontros com endemoniados.

As pessoas que tinham os seus corações machucados eram reconfortadas quando encontravam-se com Jesus. Os homens e mulheres que possuíam mentes confusas acorriam ao Cristo para buscar a sua orientação.

Os pecadores, que eram aqueles excluídos da sociedade, corriam ao encontro do Cristo para que seus pecados fossem perdoados, e recebiam o conforto e a paz que vem do Cristo.

Existia o encontro para a escuta, outros queriam se encontrar com Ele porque necessitavam de tocar no Cristo, pois de seu “corpo saia uma energia que curava a todos”.

Jesus teve um encontro particular com uma samaritana. A samaritana custa a entender aquele judeu que fala com ela à beira do poço. Jesus lhe propõe a libertação, porém pede que ela aceite converter-se.

A pergunta é: queremos nossa libertação? e se queremos, estamos dispostos a nos converter?
A samaritana faz revisão de sua vida passada, de seus pecados e aceita o encontro com o Cristo.
Reconheceu seu erro e se propõe à mudança.

Quantos encontros Jesus teve com os leprosos. Os leprosos eram obrigados a viver isolados da comunidade dos chamados “sadios”! eram excluídos. Isso nos remete ainda hoje aos detentos, os enfermos dos hospitais e de muitas casas que sentem-se em situação de abandono desejosos de um encontro com alguém.

Certo dia eis que chega um leproso suplicando que Jesus o cure de sua lepra. Jesus quebra o esquema dos judeus: vai fazer o que os judeus não permitiam pelo rigorismo de um entendimento errado da Lei. Jesus encurta a distância: deixa o doente chegar perto. Jesus encontra-se e toca àquele leproso. Para Jesus, impuro não é exatamente quem está doente, mas quem fabrica a maldade em seu coração.

O Encontro de Jesus e a pecadora é sem dúvidas um encontro de misericórdia.
Jesus foi convidado por um certo fariseu para tomar uma refeição em sua casa.
Neste encontro apareceu uma certa mulher, muito conhecida na cidade como pecadora pública.
Esta mulher levou um frasco de alabastro com perfume e começou, chorando aos pés de Jesus, a ungir o mesmo com o perfume.

O fariseu ficou escandalizado, perplexo por Jesus ter acolhido aquela mulher – que também tinha o nome de Maria.

E Jesus numa parábola conhecida disse: “Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinqüenta. Como não tivessem como que pagar, o homem perdoou a ambos. Qual deles o amará mais? Simão respondeu: Acho que é aquele a quem ele perdoou mais. Então Jesus voltou-se para a mulher e após uma breve, porém firme chamada de atenção ao fariseu, Jesus disse: Por essa razão, eu ti declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor.

Tocamos aqui no mais profundo e a mais difícil exigência do Evangelho. O perdão. Perdoar não é fácil. Não é fácil para mim, que sou padre, não é fácil para qualquer cristão. Cristo mesmo disse: perdoar a quem nos perdoa é fácil. Mas perdoar a quem sequer sabe que eu existo, é muito difícil.

Na verdade o perdão, meus queridos irmão, mais beneficia a quem perdoa. O perdoado, muitas vezes está por aí feliz da vida nem sabe que você está remoendo a ofensa, carregando um pesado fardo, relembrando a ofensa recebida. O perdão alivia e traz a paz. Perdoar é um dos maiores gestos de amor. Perdoar é devolver ao outro e a si mesmo o direito de ser feliz.

Meus irmãos, muitas vezes queremos que o Cristo venha ao nosso encontro mas não nos dispomos à mudança – assim agem os covardes e porque não dizer os hipócrita!

Falemos também de um outro encontro maravilhoso de Jesus com um homem chamado Zaqueu que era um chefe dos cobradores de impostos e, por conseguinte, era um homem muito rico.

Zaqueu tinha um grande desejo: encontrar-se verdadeiramente com o Cristo, ver como era Jesus. Assim, Zaqueu saiu na frente e subiu naquele sicômoro para ver Jesus passar. Quando Jesus chegou ao lugar, teve compaixão de Zaqueu, olhou para ele e disse: Zaqueu, desça depressa porque hoje eu irei ficar em tua casa.

Zaqueu desceu rapidamente – quem tem esse contato e porque não dizer encontro com Jesus, tem pressa. Zaqueu recebeu Jesus com alegria em sua casa. Mais uma vez vieram as críticas daqueles que são covardes e por não terem a coragem que Zaqueu teve preferem criticar – geralmente é assim.

Um dos encontros mais emblemáticos que vemos na Bíblia é o encontro de Jesus com Bartimeu. Ele estava sentado pedindo esmolas. Bartimeu quando ouviu dizer que era Jesus estava passando pelo caminho, começou a gritar com todas as suas forças: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”.

Muitos o repreendiam e mandaram que ele ficasse calado. Mas ele continuou a gritar, mais alto, ainda: filho de Davi, tem compaixão de mim. Jesus, então parou e disse: Chamem o cego.
Eles chamaram o cego Bartimeu e disseram: “Coragem, levanta-te porque Jesus está ti chamando.
Bartimeu, o cego, jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: O que queres que eu faça por ti?

O cego respondeu: Mestre, eu quero ver de novo. Jesus disse: Podes ir, a sua fé ti curou. A Bíblia diz que no mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo Caminho.
* Tantos encontro que poderíamos ficar aqui meditando a noite toda, porém, quero finalizar, falando de um encontro especial, encontro de Jesus com Maria, sua Mãe. A Caminho do Calvário, um encontro doloroso, porém necessário, que revivemos agora:

Jesus encontra-se com Maria.

O filho querido caminha em direção ao lugar do sacrifício, e no caminho encontra-se com a mãe dolorosa. Encontro doloroso, porém confortador!

Poderíamos aqui imaginar como deve ter sido doloroso para a Mãe ver seu Filho, que durante a vida toda só fez o bem, só deu exemplo de misericórdia e perdão. E agora, o ver ensangüentado, carregando uma imensa Cruz, única e exclusivamente, porque o entregaram a morte por inveja e por terem  rejeitado a doutrina do amor.

Encontro de fé. Maria, apesar de toda dor, reconhece naquele condenado, a pessoa de seu Filho amado e ver naquele incompreensível martírio a vontade do Pai, que por amor a nós, permitiu que seu filho fosse morto numa cruz.

Presença feliz daquela mãe, garantia de solidariedade para que Ele pudesse enfrentar a missão que é a Paixão, Morte e Ressurreição.

Se fossemos refletir sobre nosso encontros com Jesus.

São estes, encontros realmente autênticos? São de fato encontros honestos? Em nossa família, como está se  realizando o encontro diário?

Que o encontro de Nossa Senhora das Dores, a Mater Dolorosa, com seu filho Jesus nos ensine e mova os nossos corações a realizar verdadeiros encontros com Deus e com os irmãos: Que sejam encontros sinceros; Encontros de perdão; Encontros de paz;

Que seja afastado de nós:

– Encontros que rebaixam as pessoas; Encontros que exploram; Encontros para tramar a ruína dos outros; Encontros para falar mal; Encontros onde reina a falsidade e o ódio e Encontros para destruir.

ORAÇÃO

Virgem Santíssima, Mãe das Dores, queremos contemplar o seu olhar para o Cristo e o olhar do Cristo para a Senhora. Senhora Santíssima, queremos aprender de ti o modo de melhor tratar as pessoas. Ensina-nos a acolher cada um do jeito que ele é, sem olhar para a sua condição social, sua raça, sua cor, seus defeitos e suas aparências.

Concede-nos o olhar generoso e amoroso de acolher a Deus no irmão e na irmã, mesmo naqueles que nos perseguem. Virgem Santíssima, Mãe das Dores, preparai e abri nossos corações para recebermos com amor as pessoas de nossa família.

Ajudai-nos a receber com fé o que nos fala a Igreja através do Papa, do nosso Bispo e de nossos sacerdotes. Alicerçados no amor, queremos estabelecer com todos uma convivência harmoniosa, de modo a cumprirmos na terra o projeto de amor e de fraternidade que nos deixou teu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor! Amém.

Pe. José Airton Liberato

Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo – Bairro Terrenos Novos – Sobral-CE

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