A CORRUPÇÃO BRASILEIRA

O economista Francis Fukuyama em seu livro “Fim da História e do Homem”. Fukuyama considerava a data o marco da democracia liberal como método definitivo, uma solução ideal de governo que acabaria com o fantasma do socialismo. Cuja afirmação, procurou em sua versão, um equívoco, provocado pelas crises costumeiras do capital nas mãos de poucos.
Nessa polêmica, não estamos sozinhos, para acabar com a controversa tese do Fukuyama sobre a vitória do neoliberalismo político. O filosofo alemão Robert Kurz nos diz: “Enquanto esse sistema de um cinismo mundialmente objetivado não desaparecer da História, o espectro do socialismo continuará a rodar as crises do liberalismo. O pensador viu um exemplo disso nos países dominados pela política liberal mergulhado no buraco negro da corrupção.
No Brasil, o que nos conta esse tal modelo neoliberal, elitista e conservador, que vive em crises? Obviamente de sua generosa autobiografia de um bem comum, pois suas premissas são falsas e enganosas como logo iremos mostrar a seguir.
O que se sabe e o que se sente. A política neoliberal no Brasil vai consolidando o profundo processo de uma sinistra concentração de renda do capitalismo. Pelos indicadores das investigações sobre as causas da corrupção nos últimos anos, temos: a teoria da sonegação dos empresários corruptos, a imensa quantidade de escritórios de advocacia que oferecem serviços de planejamento fiscal, mas que na verdade são estratégias para evitar o pagamento de impostos, os infames lobistas, responsáveis por eventuais relacionamentos pecaminosos entre os setores públicos e privados, a cartilha demagógica da esquerda que faz um discurso raso, maniqueísta para atingir seus objetivos políticos. E até mesmo no meio artístico, muitos artistas brasileiros, que rebem milhões de reais do governo para fazer filmes, shows e ainda cobram ingressos, enquanto milhões de seres humanos passam fome e morrem nas filas de hospitais.
É longa a lista dos corruptos, qualquer pessoa pode saber os nomes e endereços comerciais das poucas famílias que controlam quase todas as terras doadas pelo governo, políticos que controlam quase todos meios de comunicações brasileira, sem falar das fraudes em arrematações judiciarias.
Pelos inúmeros casos parece que a corrupção foi patenteada pela política brasileira, prefeitos de pequenas e pobres cidades, acumulam fortunas incompatíveis com o cargo, as mansões impressionam pelos tamanhos e os luxos.
Não é à toa, que a corrupção se faz presente até nos sindicatos de humildes trabalhadores. As denuncias envolvem fraudes e subornos, são dirigentes recebendo propinas para favorecer empresas. ONGs associadas as ações de corrupção e tráfico de influência, partidos políticos da direita à esquerda, sendo financiados e comprados, e o pior, criam concepções de senso comum acerca de uma natural desonestidade do brasileiro. Um dos braços desse senso comum é que o cidadão não se nega a levar algum tipo de vantagem no âmbito das relações sociais e políticas.
Ironicamente, a corrupção não é invenção da politica tupiniquim. O que a política inventou foi o abuso dela. Piedosamente ela é baseada nos privilégios de poucos, que sagram as veias do povo e sugam até última gota. Isso demostra que são grandes os corruptos na medida da corrupção e a medida da corrupção é a medida da dimensão dos seus poderes, não mais suportado pelo Estado de Direito. Ora, não seria mais honesto o titulo de “Estado de Privilegio”?
Mas, de acordo com o jurista Edmundo Oliveira, o primeiro ato corrupto da história da humanidade foi no ano 74 a.C., quando um homem acusado de cometer um crime teria comprado dez jurados que seriam responsáveis pelo seu julgamento.
Porém, não são raros teóricos que datam a corrupção a partir da polis grega. Ora, se o direito grego é o primeiro abordar a corrupção, é o direito romano quem o irá tipificar. A Lei Cincia teria sido a primeira legislação que previa punição ao crime de corrupção.
Junto a isso, se somam as diferentes histórias da corrupção. Neste sentido, após a invasão portuguesa nos territórios brasileiros, passou-se por aqui as leis dos colonizadores: algumas legislações, entre elas, as Ordenações Filipinas. Todas legislações aplicadas já previam punições pelos crimes de corrupção.
Então, a corrupção brasileira, tem ligações obvias com o período de colonização. As nossas instituições são fundadas nos valores desses períodos. A coroa fornecia diversos favores, muitos indivíduos indicados para vir ao Brasil, eles exigiam perpetuação no cargo, inclusive pediam cargos nas instituições para seus familiares.
Portanto, historicamente a corrupção se apresenta como um ator central na formação do Estado brasileiro. Isso porque, hoje, é mostrado nos noticiários televisivos e nas páginas dos jornais a quantidades de parlamentares, presidentes da República, governadores, ministros e empresários envolvidos na corrupção. A ponto de um presidente do Congresso Nacional responder vários inquéritos por corrupção.
Mas, no Brasil, o combate a corrupção ainda não se tornou inútil. Ainda não! Não se perdeu como “lagrimas na chuva”. Tem a Lava-Jato, como melhor exemplo, com muitos corruptos já presos, mesmo se dizendo inocentes.
A Lava-Jato deve ser tratada como revolucionária. Mesmo que ela sendo alvo de ofensas partidárias apaixonadas, por algumas interpretações que norteiam o sistema jurídico. Ou seja, em muitos casos existem alguns viés, membro com tendências neoliberal, deles até ligados a igrejas pentecostais com a teologia da prosperidade, apostam que a corrupção está inscrita dentro do cristianismo, menosprezando a ética espiritual e moral, criada por Cristo, que nos ensina:” Dê a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.
Portanto, em tese, a luta para combater a corrupção, a Lava-Jato, ainda é a única que possui uma função de justiça social, que representa sempre o interesse do povo, que suplica por justiça social aos pés da imagem de Jesus Cristo crucificado, por nossa causa! Claro, pela falta de humanidade. Hoje, a resposta passa a ser desafiada pelo Direitos Humanos.
Enfim, na esteira do pensamento de Kurz, o antagonismo vive e continua rodando as crises da democracia neoliberal. Mesmo não sendo recompensado do lado extremamente negativo dos corruptos, que se tornam celebridades nas páginas policiais. Porque eles resistem, até o fim. Por isso, precisam dizer: se vocês não deixarem de nos roubar, nós não deixaremos em paz!
Jornalista, Historiador e Crítico literário

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