Crise da graduação

Dep. Prof. Teodoro Soares
Dep. Prof. Teodoro Soares

O sistema brasileiro de educação, se comparado a uma empresa, sofre perda de clientes desde suas primeiras fases e vão se acumulando nas demais. Isso significa atraso educacional crescente. Uma em cada cinco crianças abandona a escola antes mesmo de completar o ensino fundamental. E quase metade dos jovens já estará fora da escola sem concluir o ensino médio. E agora a crise se agrava na graduação, pois maior é o número de universitários que abandonam o curso do que os que conseguem se diplomar.
Essa tendência no ensino superior se iniciou há três anos e se repetiu nos anos seguintes, com maior ênfase em 2014, quando as instituições de ensino superior formaram um milhão de pessoas. No mesmo ano, um milhão e 200 mil universitários trancaram a matrícula, provocando uma defasagem de 20% entre o número de trancamento e o de matrículas.
Nos últimos anos, a crise econômica vem respondendo por grande parte da evasão, tendo em vista que ela é mais forte nas instituições privadas. Mas os especialistas apontam ainda a má qualidade dos cursos e a formação na educação básica como causas mais frequentes.
Segundo dados do MEC (censo da educação superior), o número de matriculados no ensino superior cresceu 16% de 2011 a 2014, totalizando 7,8 milhões de universitários. Já a quantidade de trancamento de matrículas no período deu um salto de 60%. Na rede pública, o aumento dos trancamentos é mais sentido nas federais – superior de 80% entre 2011 e 2014. A alta de concluintes foi de apenas 15%.
A universalização do acesso, sem que alunos permaneçam na escola, pode ser uma grande falácia que alimenta a inércia do status quo. Na verdade, o alto índice de evasão acende o sinal de alerta, demandando ações do poder público.
O Ceará é um dos estados que mais avançaram no acesso ao ensino, principalmente na pré-escola. Figura em primeiro lugar neste quesito. E está atuando noutro gargalo do ensino público – a aprendizagem na idade certa. A defasagem idade/aprendizagem também é apontada como uma das grandes causas da evasão escolar.
O governo federal abriu recentemente uma discussão pública para elaboração da nova base curricular comum. No entanto, as discussões se perdem em questões ideológicas e descaminhos da pedagogia. O central, nessa discussão, é estabelecer que conteúdo o aluno deve dominar em cada faixa etária. E o currículo comum não pode ser tão exaustivo a ponto de as escolas não poderem agregar suas demandas locais e regionais.
É urgente que se faça isso e com a preocupação de tornar as atividades de aprendizagem de forma mais atraente e mais produtiva para crianças, jovens e adolescentes.
Uma pesquisa recente, do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação educativa, mostra a quantas anda a educação brasileira e revela a urgência com que temos que sair desse atraso educacional. Apenas 8% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são capazes de se expressar e de compreender plenamente. A população dessa faixa etária tem 27% de analfabetos funcionais.

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