Jogos que matam

Ultimamente, tem-se visto nos meios de comunicação, a notícia de “jogos” praticados por internautas que envolvem o cumprimento de tarefas cujo ato final inclui a tentativa de suicídio, como o da “baleia azul”, que foi e continua sendo motivo de preocupação para pais, educadores, profissionais de saúde e, enfim, toda a sociedade. Os acontecimentos atuais, no entanto, apenas trouxeram à tona um grave problema de saúde pública, ignorado por muitos, talvez por ainda ser encarado como um tema tabu e, logo, regado de muitos preconceitos, mas motivo de muita preocupação – o suicídio. Este, há anos, corresponde à segunda causa de morte em jovens na faixa etária entre 15 aos 29 anos de idade.

Estudos mostram que mais de 90% das vítimas de suicídio apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico, especialmente a depressão, considerada o principal fator de risco para o suicídio. Para tanto, é preciso estarmos atentos aos sinais/sintomas desta doença que acomete milhares de pessoas em todo o mundo como: perda de interesse por coisas ou atividades que antes gostava ou tinha prazer (anedonia), humor triste (hipotimia), irritabilidade (principalmente em adolescentes), choro fácil, isolamento social, dificuldade na atenção/concentração, alteração do sono e/ou apetite, desprezo pelo autocuidado, pensamentos negativos, atitude pessimista, ideias de menos-valia, adinamia, ideação suicida, dentre outros. Se tais sintomas estão acometendo a pessoa por um tempo aproximado de, ao menos, duas semanas e gera impactos diretos na sua capacidade funcional e/ou laboral é bastante provável que a mesma esteja com depressão e necessite com urgência de ajuda profissional, seja um psiquiatra e/ou psicólogo.

Apesar de os adolescentes terem preferências em formar grupos com símbolos e rituais em comum, como se fosse mecanismos para identificar as suas “tribos”, tal situação merece cuidado e atenção quando práticas abusivas e/ou danosas para si ou terceiros são compartilhadas. Notoriamente, a participação do jovem neste contexto de grupos, sejam reais ou virtuais, pode indicar uma vulnerabilidade prévia a atos impulsivos, além da presença de sintomas depressivos. É importante que observemos lesões semelhantes a cortes ou arranhões, geralmente em pulsos, antebraços e membros inferiores ou qualquer outra região corporal, pois podem sugerir comportamentos automutilantes, situação que pode indicar comportamentos suicidas.

Precisamos observar melhor os nossos jovens, conversar mais com eles, nos esforçar para acolhê-los em suas demandas e questões e, assim, compreendê-los ao invés de criticá-los. Nossos jovens convivem com muitas incertezas e angústias em um mundo de infinitas possibilidades, mas, ao mesmo tempo e, talvez, por isto mesmo, muito ansiogênico. Nunca se viu um abismo afetivo tão grande entre pais e filhos. Pais, aproximem-se mais de seus filhos, construa pontes para se conectar com eles, deixem os seus contatos virtuais e embarque no mundo real onde seu filho está inserido. Procurem ser amigos de seus filhos, dediquem mais tempo para eles, abrace-os e beije-os mais. Afinal, quando foi mesmo que você declarou ao seu filho, de forma genuína, olhando em seus olhos, que o amava? Quando foi a última vez que o abraçou e sentiu o seu coração pulsar em seu peito?  Se nunca o fez, corra, procure o seu filho, ele ainda pode estar te aguardando. Salve-o. (Dr. Cleano Arruda – CREMEC: 13.244 (RQE:7027). Atendimento no Espaço Equilibrium/North Shopping Sobral – Fones: (88) 3111.3715 | 3614.3069 | 9.9850.1000)

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