O que está por trás da Ansiedade?

Incrível como as pessoas manifestam suas questões emocionais, seus desconfortos diante da vida, suas angústias, suas frustrações, o mal-estar que está vivendo, a dor, o desespero, a insatisfação diante da vida, a insegurança etc., através dos sintomas de Ansiedade. Pessoas que sofrem de Ansiedade, vivem constantemente insatisfeitas, preocupadas, tensas, fadigadas, estressadas e até deprimidas.
Muitas encontram-se sufocadas com a vida que levam, com o trabalho que lhe estressa, com os conflitos no relacionamento conjugal, nas amizades, com as contas para pagar etc. Infelizmente, o que percebo na prática clínica, é a existência de uma quantidade absurda de pessoas com Ansiedade que estão tomando medicações psicotrópicas de forma irrestrita, sendo uma boa parcela destas pessoas, fazendo uso da medicação do parente que lhe deu, da vizinha que cedeu ou do balconista de uma farmácia que lhe vendeu sem receita médica, os famosos “remédios pros nervos”, dito popularmente. Isso é abominável, pois o uso de tais medicações sem a rigorosa indicação e prescrição médica, pode acarretar graves consequências para a saúde no sentindo mais amplo, gerando graves efeitos colaterais e até a dependência.
O que mais me impressiona e o que me deixa mais entusiasmado é que, geralmente o “xis da questão”, o motivo desencadeador de todo o quadro de Ansiedade, muitas vezes não são os fenômenos externos à pessoa, como as situações já relatadas, mas muitas vezes, são questões relacionadas “às feridas da alma”, sendo dentre elas, o que mais observo na minha rotina, destaca-se o rancor, a mágoa, a dificuldade de perdoar!
Há muitas pessoas trêmulas, aflitas, sudoreicas, com coração batendo a mil, com pensamento acelerado etc., mas isso é o que surge, é o que conseguimos detectar, porém a fonte de tudo isso, muitas vezes não é investigado e o terreno das emoções acaba sendo esquecido para se dar lugar apenas aquilo que é visível. E é neste terreno das emoções, onde precisa ser encharcado pelo amor, pelo perdão e pela autorreflexão, que muitas vezes é assolado por remédios, por produtos que não possuem o poder real de transformação. Muitos tomam como um refúgio para as suas questões, mas até quando viver fugindo da realidade, escapando do que precisa ser feito?
Se não houver decisão para perdoar, para amar, para resolver as pendências emocionais, de muito pouco adiantarão as consultas, os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. Que tal você tomar atitudes, estabelecer estratégias, decidir ser liberto e feliz? Por que não viver em paz consigo mesmo? Até quando você vai viver ansioso(a), sabendo que muitas vezes o que está faltando é você sair da zona de conforto e tomar decisões? Se passarmos a assumir mais o controle das nossas emoções e deixarmos de coloca-lo nas mãos dos outros, será que não estaremos mais próximos de uma vida mais feliz e saudável?

 

Dr. José Cleano Dias Arruda – CREMEC: 13.244 (RQE:7027)

%d blogueiros gostam disto: