“O Sangue dos Mártires é Semente de Novos Cristãos!”

E eu estava lá, ladeado do Mons. Furtado, Sr. Chico Delfim, Pimenta e Sr. Raimundo Carmo, agentes de Pastoral e Dirigentes do Dia do Senhor de Meruoca para a missa de 7º. Dia do martírio do Benedito Antônio em Ubauna.Aguardando  o povo estava  Dom Walfrido ladeado do Pe. Emídio Silva, Pe. Mesquita, Pe. João Batista Frota; lembro nitidamente da Ir. Oswalda Araújo que veio nos receber, me parece que Ir. Antonieta e Sr. Gonçalo e naturalmente uma multidão de pessoasque viviam a espiritualidade das Comunidades Eclesiais de Base. Estávamos todos ali, rezando e sentido profundamente em nosso coração o que os primeiros cristãos experimentaram. Dá a vida para que o Reino de Deus aconteça. Era essa a idéia e o que movia nosso coração.  Eu, com meus 16 anos, já queria ser padre. E na minha cabeça corria a certeza de ser um padre com aquele espírito, com aquela espiritualidade. Mas, o forte mesmo, foi quando no ofertório, junto com as oferendas, a camisa do Benedito Tonho, ensanguentada, entrou com as oferendas do Pão e do Vinho para serem oferecidos.Uma interminável salva de palmas agitou aquela assembleia orante. E eu com o coração de adolescente  cheio de esperança de me tornar padre, padre daquele jeito. O toque no coração se tornou mais forte quando foi lida a mensagem que Dom Aloisio Lorscheider, Cardeal e Arcebispo de Fortaleza enviou para ser lida naquela ocasião. Não tinha mais dúvida: para ser mais fiel a Cristo e as primeiras comunidades cristãs, aquilo que vivíamos era o mais correto. Ah, o canto das ofertas, “quem disse que não somos nada que não temos nada para oferecer….,e o Canto Final da Missa: “Canto dos Mártires da Terra…” Foi com este sentimento de recordação e memória que dia 05 de agosto, sábadopassado, celebramos na comunidade de Penanduba os 31 anos de assassinato do Benedito Tonho. Presentes seus irmãos, filhos, esposa, sobrinho e amigos a capela de Santa Luzia ficou lotada. Foi uma celebração eucarística de gratidão a Deus pelo dom da vida deste irmão, conterrâneo e paroquiano que deu seu sangue por um mundo mais justo e fraterno. Mas quem é Benedito Tonho?

Benedito Tonho nasceu na cidade de Meruoca, no dia 01 de setembro de 1958. Filho de  agricultores: Manoel Moreira do Nascimento e de Maria Ferreira do Nascimento. Quando nasceu era um período de seca, talvésa maior daquela época.

Quando completou 18 anos foi para Brasília e em seguida para o Rio de Janeiro, tentar conseguir alguma coisa de melhoria para sua família. Obtendo várias experiências; com dois anos retorna para sua serra natal e novamente trabalha na agricultura. Com 22 anos casa-se com Olimar Oliveira da Silva, nascendo dessa união três filhos: Benoélio, Vanderli e Fernando.

Engajou-se nas Comunidades Eclesiais de Base e Comissão Pastoral da Terra, sendo um agente atuante e consciente. Fazia um Programa na Rádio, chamado, Encontro com as Comunidades onde expunha as suas ideias e todas as atividades das CEB’s, CPT e Dia do Senhor.

Era um líder, um profeta, alguém de profunda fé e esperança na organização popular, na construção de uma sociedade mais solidária, fraterna e justa. Porque cria nisso, sua vida corria risco. Apesar de não temer a morte violeta, esta foi mais forte. E veio. Dia 05 de agosto de 1986, as 09h da manhã, com 27 anos de idade, Benedito Tonho foi brutalmente assassinado por pistolagem a mando de latifúndio. Antes de morrer disse: “Não desistam de lutar”. Que ele, na coroa dos mártires ao lado de Dom Oscar Romero e de tantos outros no coro dos santos intercedam a Deus por nós e por nossa Igreja, sacramento de Salvação e da Vida.

Pe. Francisco Alves Magalhães.

Frecheirinha – Ceará.

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