De Olho na Língua

Socorrer (Regência verbal)
Muito cuidado com a regência do verbo socorrer. Socorre-se “alguém em algum lugar”. Ex.: O acidentado foi socorrido no Hospital Geral do Estado. Não diga: O acidentado foi socorrido “ao Hospital” ou “para o Hospital”…

“O nenê já sujou todo o babador” ou “O nenê já sujou todo o babadouro”?
A segunda: O nenê já sujou todo o babadouro. A terminação “(d) ouro” indica – entre algumas outras ideias – o “lugar em que”. Assim, temos: matadouro, sumidouro, desaguadouro, nascedouro, bebedouro…
O uso, no entanto, fez com que os próprios dicionários já registrem “babador”, com o sentido de babadouro. Trata-se de um fenômeno bastante comum na história da Língua: uma palavra teoricamente errada, em virtude de ser muito repetida, acaba sendo aceita como variante da forma correta. Escritores passam a empregá-la, e ela é registrada no dicionário.
Entre “silvícola” e “selvícola”, não há dúvida de que a primeira é a mais conforme com a etimologia. Seria a correta. No entanto, o próprio Euclides da Cunha não hesitou em escrever “selvícola” várias vezes, no monumento da Língua que são ‘Os Sermões”.
Na relação abaixo estão alguns desses pares. A primeira forma é a considerada a melhor. As que vêm entre parênteses são formas próprias da linguagem familiar. Não convém usá-las na linguagem escrita mais formal: ampola/empola, bêbedo/bêbado, cacaréus/cacarecos, chimpanzé/chipanzé, cogote/cangote, convalescença/convalescência, cuspo/cuspe, demonstrar/demonstrar, desacoroçoar/desacorçoar, destrinçar/destrinchar, efeminado/afeminado, emplastro/emplastro, estrambótico/estrambólico, impigem/impingem, intricado/intrincado, maniatar/manietar, mostrengo/monstrengo, percentagem/porcentagem, planop/plaino (adjetivo), ramalhte/ramilhete, registro/registo, salsicha/salchica, selvajaria/selvageria, surripiar/surrupiar, tarramela/tramela, tetravô/tataravô, zunido/zumbido.

Excesso
“Se o rapaz beber demais é capaz de entrar em coma alcoólica”. Caro leitor, “coma” é palavra do gênero masculino. O feminino “coma alcoólica” foi usado indevidamente. Construção correta: “Se o rapaz beber demais é capaz de entrar em coma alcoólico”. Não existe no padrão culto da Língua a expressão “coma alcoólica”.

Sufragar
O verbo sufragar é transitivo direto, dispensa a preposição: o brasiliense sufragou bons candidatos ao Senado. Sufragar significa apoiar com sufrágio ou voto.

Surpresa inesperada
Ganha um chocolate Sonho de Valsa quem encontrar uma surpresa inesperada, A surpresa é sempre inesperada. Daí porque o adjetivo sobra. Basta surpresa.

Soutien / sutiã
Soutien é a forma francesa; sutiã é a forma aportuguesada. Em 1889 a francesa Herminie Cadolle cortou no meio o espartilho e inventou uma geringonça que sustentava os seios com alças rígidas entre uma parte presa ao tronco e outra, em cima. O “aparelho” começou a ser comercializado com o nome de soutien. Na mesma época, americana Mary Phelps Jacob, de 19 anos, irritada porque o espartilho não lhe dava conforto dentro do vestido de formatura, pegou dois lenços de seda, um cordão e duas fitas. Costurou e amarrou tudo. Fez o maior sucesso. O evento ganhou patente em 1914.

O que é espartilho?
Segundo o Larousse Cultural, espartilho é um colete provido de barbatanas ou lâminas de aço que as mulheres usavam sob outra peça do vestuário, para dar mais elegância ao corpo.
(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (88) 99762-2542 e (88) 98141-2183.

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