Centenário Jornal Correio da Semana

Padre Assis Rocha

“A fé que não se traduz em obras é vã”

(Tiago, 2,20)

Valho-me dessa citação da Carta de Tiago para fazer o que fiz durante muitos anos – sobretudo nesses 16 últimos – em todos os meses de Setembro, falando sobre D. José Tupinambá, o 1º Bispo de Sobral, através deste Jornal Centenário, fundado por ele aos 31 de Março de 1918. Nestes 05 sábados seguidos, do mês de março de 2018, quero refletir com meus milhares de leitores, quer no “Correio da Semana” quer pela Internet, sobre a profunda fé que teve Dom José, traduzida nas inúmeras obras, aqui realizadas, especialmente, nesta, como instrumento de evangelização, ainda de maneira incipiente, há cem anos, quando não se tinha outro meio de comunicação mais ao alcance do povo. Outros meios chegaram bem depois.

Tendo concluído seus cursos de filosofia, teologia, sagrada escritura e direito canônico com a avaliação mais alta, dada pela Universidade Gregoriana em Roma, Dom José retorna a Sobral, em 1906, querendo transformá-la numa “nova Roma”. Tinha sabedoria e vontade de realizar um grande trabalho de evangelização e de ação em sua terra. Tinha que unir teoria e prática, “fé eobra”. Por mais de 50 anos – 1906 a 1959 – empenhou-se na missão, com pequenas e rápidas saídas, acreditando no que pregava e fazia, ou no que ensinava e praticava, ou no que rezava e agia. Daí, ter-se dedicado à educação, construindo os Colégios: Santana, Sobralense, Patronato Imaculada Conceição, Escola Profissional São José e Seminário para formação do Clero. Voltou-se para a saúde, levantando a Santa Casa de Misericórdia, o Abrigo e Orfanato Coração de Jesus. Para a cultura, deixando o Museu Diocesano, o Cine Teatro Gloria. Para a administração das doações para construir tantas obras, dos próprios recursos e das rendas da diocese, ousou erigir o Banco de Crédito Popular, transformado mais tarde no BANCESA, que movimentou por um bom tempo, a economia local. Dom José foi, sem dúvida, um dos mentores do desenvolvimento de Sobral e de toda a Zona norte do Estado do Ceará.

Sobre cada item desses –educação, saúde, cultura – certamente, daria uma grande reflexão. Mas, o que me cabe agora destacar é o que ele fez pelas Comunicações, a partir do primeiro “meio”: a Imprensa Escrita. É claro: não existiam outros meios. Nos oito anos vividos em Roma – 1898 a 1906 – Dom José tomou contato diário com o jornal L’Osservatore Romano, edição oficial do Estado do Vaticano, em sua língua original, o Latim, que, desde 1º de Julho de 1861 divulgava noticias políticas e religiosas. O Jornal do Vaticano já tinha 37 anos de existência quando ele lá chegou. Pôde acompanhar as profundas transformações e sequenciamento de matérias divulgadas para responder melhor às expectativas dos Pontífices da época e que se sucederam no Sólio de Pedro. Nove anos depois de sua chegada a Sobral, foi nomeado como 1º Bispo da Nova Diocese. Jovem e com a cabeça cheia de Roma, de sabedoria, de amor à sua terra e com muita fé, era só agir, pondo em prática a máxima de São Tiago. Em 31 de Março de 1918 funda o Jornal Correio da Semana.’

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