Pe. Assis Rocha celebra jubileu de ouro sacerdotal

Comemoração dos 50 anos de sacerdócio de Pe. Assis Rocha será com santa missa solene às 19h neste sábado, 4, no adro da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Bela Cruz

Com uma vida dedicada ao povo da Diocese de Sobral, Pe. Francisco de Assis Magalhães Rocha comemora 50 anos de ordenação sacerdotal neste sábado, 4 de agosto. Com sua família e com muitos amigos, espalhados por onde andou, celebra seu Jubileu de Ouro Sacerdotal na mesma Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Bela Cruz, onde se ordenou. Haverá Santa Missa Solene às 19h no adro da Igreja. A programação foi antecedida pelo tríduo vocacional, ocorrido de primeiro a três de agosto às 18h seguido da Santa Missa também na Matriz de Bela Cruz.
Pe. Assis Rocha nasceu aos 11 de outubro de 1940, na fazenda Bom Sucesso, àquela época, Município de Acaraú-CE. É o 6º filho, dentre 21. Fez seus estudos primários em Bela Cruz, distrito de Acaraú, mais tarde, também Município. Em fevereiro de 1952, com pouco mais de 11 anos, ingressou no Seminário São José, de Sobral – CE, onde fez o 1º e 2º Graus. Em 1960 fez o 1º ano de Filosofia no Seminário Provincial de Fortaleza – CE.
Em 1961 e 1962 fez o 2º e 3º anos de Filosofia no Seminário de Olinda – PE, bem como todo o Curso de Teologia até julho de 1966. De julho de 66 a agosto de 68, em Afogados da Ingazeira –PE., fez estágio preparatório para a ordenação presbiteral, que se deu aos 04 de agosto de 1968, em Bela Cruz, no Ceará.
Por ter assumido, ao chegar a Afogados, a Direção Administrativa da Rádio Pajeú, da Diocese, fez um “Curso de Teoria e Dinâmica da Comunicação de Massa e Opinião Pública” no CECOSNE em 1969, da Faculdade de Filosofia do Recife – UFP. Em 1970 revalidou seu curso do Seminário, licenciando-se em Filosofia pela “Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras” da Universidade Católica de Pernambuco.
De 1973 a 1976 cursou Sociologia na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, em Roma, de onde veio com o Mestrado, defendendo tese sobre Frei Damião. Nesse ínterim, em 1974, fez um Curso de “Introdução ao uso dos Meios de Comunicação Social”, na “Multimedia” da Universidade Gregoriana, em Roma. Completou seu Curso de Doutorado em 83 – 84, também em Roma, especializando-se no tema da “Religiosidade Popular no Nordeste Brasileiro”, já defendido no Mestrado.
Foi Professor em Escolas Olindenses, quando seminarista, e continuou (Português, Inglês, Literatura, Psicologia e Sociologia) nas Escolas de Afogados da Ingazeira, sendo vice-diretor de uma delas, até 1978, quando assumiu a Direção de uma Escola Polivalente, em Paratibe, Município de Paulista –PE.
Ensinou também (Comunicação e Pastoral, bem como Fenômeno Religioso) no Seminário Provincial da Paraíba, de fevereiro de 1990 a junho de 1991, enquanto cuidava da Paróquia de Mamanguape. Foi Professor convidado, várias vezes, nas FAFOPs de Serra Talhada, Salgueiro, Afogados da Ingazeira, Palmares e Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, para “reforço” em algumas matérias de filosofia.
Pastoralmente, foi Vigário Paroquial de Afogados (68 a 73), Vigário Ecônomo de Amaraji (79 a 83), Pároco de N. Sra. do Rosário de Serra Talhada (84 a 89), Vigário Encarregado de Mamanguape (90 a 91), Pároco de Tabira (91 a 96) e de 97 a 2001, Pároco de Flores. Quando Pároco de Tabira, em 1993, completou suas Bodas de Prata Sacerdotais, ocasião em que recebeu o título de Monsenhor – Capelão de S.S. o Papa.
Como Seminarista, estagiário e Padre sempre foi muito ligado às Comunicações Sociais, mantendo, ininterruptamente, Programas em Rádios. Foi correspondente no JC-TV da Rede Vida.
Fez parte do Conselho Presbiteral das Arquidioceses de Olinda e Recife e da Paraíba, e foi secretário do Conselho Presbiteral da sua Diocese de Afogados da Ingazeira, por dois períodos. Foi Coordenador Diocesano da Pastoral (68-73) e Diretor Espiritual Diocesano do ECC por duas vezes. Foi também, por duas vezes, representante diocesano, na Comissão Regional de Presbíteros, participando de 02 ENPs.
De março – 2002 a Nov. 2006 – foi Diretor da Rádio Universitária e Pró-reitor de Articulação e Comunicação da UVA. Foi Diretor Geral do Jornal Correio da Semana, da Diocese de Sobral e Administrador da Área Pastoral de Aranaú, Paróquia de Cruz. Foi convidado por D. Fernando a assumir a PASCOM e a Assessoria de Comunicação da Diocese (Rádio Educadora e Jornal Correio da Semana) de 2005 a 2015 e a ser Vice-reitor do Seminário Maior Imaculada Conceição em Fortaleza onde permaneceu até 2008.
Em outubro de 2015 completou a idade canônica (75 anos) para se aposentar. Colocou seus cargos à disposição do novo bispo da Diocese, Dom José Vasconcelos, e passou a viver com seus familiares em sua cidade natal, Bela Cruz. Põe-se à disposição dos Párocos que se sucedem na Paróquia e atende (com prazer) a convites de colegas que ainda o chamam para pequenas “desobrigas ocasionais”.

Confira entrevista completa com Pe. Assis Rocha:

Correio da Semana– Padre Assis, Como surgiu sua “vocação”?
Padre Assis Rocha – O Padre Assis respondeu, prontamente: “como todos os chamados: de Deus”. E acrescentou: “não foi assim com Jeremias, Isaías, Amós… Pedro, André, João, Tiago… Paulo, Agostinho, Francisco, Vicente e tantos outros? Nós até cantamos: antes que te formasses dentro do ventre de tua mãe/ Antes que tu nascesses, te conhecia, te consagrei/ Para ser meu profeta entre as nações Eu te escolhi/ onde te envio irás, o que te mando proclamarás”.
No meu caso não foi diferente. Como nos demais, Deus se utilizou de alguma situação. Ele preparou o ambiente. Deu o seu laço. Criou a ocasião. Eu nasci nas matas da Santa Maria; nas brenhas do Bom Sucesso. Meu pai, como o pai de Amós, era vaqueiro e agricultor braçal. Minha mãe, doméstica, simples, sem nenhuma alternativa que os impedisse de gerar muitos filhos. Chegamos a 18, acrescidos de mais 03, de um 2º casamento. Que coisa bonita! Como Deus não se agradar de uma família dessas, generosa, cristã, para lhe pedir que um filho se tornasse Padre?
A sede da Paróquia era Acaraú. Toda a região da praia e adjacências era coberta, pastoralmente, pelo Padre Sabino Feijão desde 1932. Tudo era muito distante e de dificílimo acesso. O Padre cavalgava por toda parte, trocando o animal cansado por outro que já estivesse esperando em algum lugar para continuar a desobriga. No final de 1939, início de 1940, o Pároco convidou uma equipe de missionários franciscanos – como já havia acontecido, anteriormente – para visitar as principais comunidades paroquiais. Para cá vieram: Frei Serafim, Frei Gregório e Frei Romualdo, todos alemães, que já atuavam na Província Santo Antônio do Brasil, sediada em Recife. Em junho de 1940 haviam terminado as Missões na grande Paróquia de Acaraú e se dirigiam, sempre a cavalo, para a Paróquia de Camocim, na continuidade do litoral cearense. No roteiro da viagem, por recomendação do Padre Sabino, os Frades pararam lá em casa para um rápido pouso, descansarem um pouco, se alimentarem e, é claro, descansar e alimentar os cavalos. Meus pais acolheram os Frades, com o maior prazer, além da alegria de atender ao pedido do Vigário, a quem ele sempre dava pousada.
Alimentados, descansados, na hora da despedida e do agradecimento para retomarem o longo caminho até Camocim, um deles – o Frei Serafim – diante da minha mãe, no 5º mês de grávida, disse, tocando em sua barriga: “vai ser um menino. Vai-se chamar Francisco de Assis e vai ser um Padre Franciscano”. Para meus pais: católicos, respeitadores da Palavra de Deus, diante de 03 Religiosos, vestidos com o hábito franciscano, era o próprio Deus quem falava. Era um “chamado” irrecusável. Quatro meses depois, eu apareço: um menino. Nome do batismo, é claro: Francisco de Assis. Onde se realizou? Na Capela mais antiga da área, por isso mesmo, chamada de Matriz: no Carrasco. E quem celebrou? O Padre Sabino, conhecedor de toda essa história; continuou amigo de minha casa. Não chegou a me ver Padre, pois morreu em 1965; mas a 3ª profecia se realizou no dia 04 de Agosto de 1968.
Tive a felicidade de encontrar o Frei Serafim, em Mettingen – Alemanha e recordar todos esses momentos com ele. Morreu em 2015 com 102 anos.
Como a pergunta inicial foi só “como surgiu minha vocação” e eu digo que isso é coisa de Deus, está aí a prova. Entre essas 03 previsões e os 50 anos que estou celebrando, “muita água passou debaixo da ponte”. É outra longa, difícil, bela, acidentada de altos e baixos, mas agradável História.

C.S. – Como foi sua Infância Padre Assis?
Meu pai administrava um latifúndio, bastante produtivo, de um tio, irmão do seu pai, Senhor José Batista da Rocha, que morava em Fortaleza. Muito gado (leite e derivados), cavalos, animais de pequeno porte, agricultura variada na produção de cera de carnaúba, farinha, caju, milho, feijão, espalhados por toda a extensão da terra, em fazendas e sítios diferentes, utilizados de acordo com a variação climática, para onde houvesse água, forragem e melhor sustentação para a família e para os animais. Havia muitos moradores, vaqueiros, fixos por toda parte, que trabalhavam e tornavam as terras produtivas, garantindo a subsistência própria e a de suas famílias, enquanto meus pais nos conduziam, em comboios de animais com cargas, para os mais diversos lugares de acordo com a necessidade e o uso da terra naquela ocasião. Éramos nômades, sem paradeiro fixo, sem compromisso escolar, viajando pra lá e pra cá, sem muitos objetivos futuros.
Meu avô, Francisco das Chagas Rocha, era Professor Municipal de Acaraú, lotado aonde a Secretaria de Educação destinasse, sempre nas proximidades da sede. Nas férias escolares, ele vinha pra nossa casa, ficar com o filho, visitar os netos, descansar das atividades e dar aulas para nós. Era quando tínhamos algum contato com a tabuada, com a escrita do próprio nome e de outras palavras e já chegava o fim das férias do vovô. Ele tinha que voltar às suas atividades e nós ficávamos aguardando a próxima temporada. Ainda bem que nossa mãe nos ensinava a rezar em família e quando o Padre ia à Capela do Carrasco (do lado de Acaraú e, mais tarde, Bela Cruz), ou da Serrota (do lado de Uruoca, Martinópole ou Senador Sá), a gente ia a cavalo. Morávamos, mais ou menos 20 kms. equidistante das duas Capelas, para um lado ou para o outro. Era um passeio maravilhoso.
Já éramos 11 filhos, a família aumentando, sem estradas para nos transportarmos, dependentes só da tração animal, sem estudo. Só a nossa irmã mais velha, a Nair, estudava em Acaraú, morando na casa da tia Zilma, irmã do papai, que também tinha uma grande família. Coitada, morreu muito nova e minha irmã voltou para casa. Em meio a tantas dificuldades, só havia um jeito: era sair das matas. Bela Cruz, ainda Distrito de Acaraú, tinha-se tornado Paróquia em 1941. O novo Pároco – Pe. Odécio Loyola Sampaio – informado pelo Padre Sabino, tomou conhecimento dos homens de bem da nova Paróquia: sede e interior e se aproximou de minha família, mesmo morando na zona rural, mas era um testemunho concreto de vida cristã e de bom exemplo. Tornaram-se amigos: meus pais e o novo pároco. Seis anos depois, em 1947, o Padre Odécio, que passava tanto lá por casa, motivou meus pais a se mudarem para a Vila de Bela Cruz, dada a possibilidade que os filhos teriam de estudar e saírem daquela situação. O próprio Padre arranjou logo uma casa grande, com quintal espaçoso para meu pai botar uma vacaria e vender produtos do leite e garantir a sustentação e a escola dos filhos. Em julho de 1947, transferimo-nos todos para a Vila. Já entramos na escola no 2º semestre (no Instituto Imaculada Conceição), no catecismo paroquial (centro catequético Pio XII), na Cruzadinha Eucarística, no grupo dos “acólitos” (hoje “coroinhas”) e a vida foi mudando para nós. Não, para o meu pai. Ficava indo e voltando, a cavalo, toda semana – 80 kms. ida e volta – cuidando dos bens do tio, e mantendo a família à distância, sob o comando da mamãe.
Brincávamos no areal debaixo das mangueiras da Praça da Matriz, corríamos pelas ruas “tangendo” rodas de aros de bicicleta com pequena forquilha de madeira, andávamos de “cavalo de talo”, conduzíamos colegas e éramos conduzidos por eles em pequenos carros puxados à corda pela mão, jogávamos de bila, as meninas “brincavam de roda”, cantarolando e dançando nas noites de luar, andávamos montados em carneiros nos arredores de Bela Cruz, como nosso esporte predileto, enfim, éramos felizes e nem sabíamos. Era tudo muito bom. Na escola paroquial, tínhamos a seriedade, a dureza, a disciplina e até a “palmatória” de Dona Cecy Regino Holanda, Dona Perpétua Carvalho, Dona Rosalba Vasconcelos, acobertadas pela rigidez, o pulso forte do Padre Odécio e sua orientação espiritual, humana e intelectual para o resto da vida. Foi ele quem me fez levar à prática a “profecia de Frei Serafim”: pôs-me no Seminário, em Sobral.
Se não fosse para atender a um “chamado”, isto é, por uma “vocação especial”, rumo ao desconhecido, saltando no escuro, não se teria nenhuma explicação para tamanha violência ou agressão: uma criança, com apenas 11 anos de idade, deixar pai e mãe, vários irmãos e sair de casa. Foi o que me aconteceu: deixei o convívio de minha família de sangue, para conviver com “irmãos” das mais variadas origens, embora com objetivos semelhantes. Com estes, permanecíamos mais tempo, durante o ano, do que com os irmãos de sangue que deixávamos em casa. E assim a minha infância ficou dividida entre o “antes” e o “depois” do Seminário. Vieram os estudos, a adolescência, o crescimento espiritual e intelectual, as dificuldades para lidar com as principais virtudes sacerdotais da obediência, castidade, humildade, pobreza, oração, respeito às diferenças, convivência fraterna e comunitária e com toda a formação que era dada, tendo em vista a missão e o compromisso com a estrutura da Igreja mais tarde.

C.S. – Quando lhe chegou mesmo a Hora da decisão?
Em 1955, com 15 anos de idade, adolescente, impressiona-me muito no Jubileu Áureo Sacerdotal de D. José Tupinambá, em Sobral, a reflexão feita no Congresso Eucarístico e Sacerdotal sobre a Vocação de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, que completava 30 anos de sua canonização. A partir dali, eu me decidi: “se eu for Padre, quero me ordenar no dia da festa litúrgica de São João Maria Vianney”. E assim o fiz. Tornei-me Sacerdote no dia 04 de agosto de 1968, pelas mãos de meu querido amigo e saudoso Bispo D. Francisco Austregésilo, em Bela Cruz, a minha terra natal. Para completar minha alegria, entusiasmo e devoção, em 1975, estudando em Roma, fui a Ars participar do Jubileu de Ouro da Canonização de seu famoso Cura. Senti-me, plenamente, realizado. Além de integrar uma imensidão de “peregrinos”, ainda tomei contato com toda a sua história e visitei seu corpo “incorrupto”, em perfeito estado de conservação, como se vivo fosse.
Certamente, toda essa motivação bonita, sugerida por Cura d’Ars e alimentada pela graça, bondade e misericórdia de Deus me fez sustentar o “chamado” e o compromisso sacerdotal até agora. Obrigado, meu Deus! Ajuda a meus irmãos padres e aos novos vocacionados a seguirem o caminho e a serem fiéis até o fim. Não é fácil. Só com a graça de Deus é possível.

Hino Jubilar
Para festejar o Jubileu Áureo Sacerdotal, os professores: maria Glacimar (Belacruzense) e Eugênio Jerônimo (Pernambucano) compuseram o “Hino Jubilar” – O maestro: Álvaro Ponte (também de Bela Cruz) compôs musicalmente:

Refrão:
Celebramos radiantes neste dia
De Assis jubileu sacerdotal
Monsenhor! serve a Deus com alegria
Bela Cruz saúda o ícone cultural

Co’ onze anos deixou Santa Maria
A fazenda, a família, o ar rural
Escolhido de Deus, feliz seguia
Para o Seminário de Sobral

Fortaleza e Recife palmilhou
Com destaque cursou Teologia
Filosofia também ele cursou
Roma o fez mestre em Sociologia

Foi a quatro de agosto ordenado
E ungido ao mister de pregador
Meia oito é o ano assinalado
O menino hoje é servo do Senhor

Deu nobreza o seu nome a Bela Cruz
Sublinhado nas páginas da Historia
Sábio líder, de força, fé e luz
Semeando a palavra para a Glória

Monsenhor! foi por Deus iluminado
Professor, sacerdote e grande guia
Palmas para o currículo conquistado
Nesse seu jubileu que irradia.

Bela Cruz e a família do jubilado
Amigos espalhados por onde andou
Um dia de ação de graças é celebrado
Na mesma paróquia que se ordenou

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