Vídeo em defesa da CNBB e da Campanha da Fraternidade viraliza nas redes sociais

Youtuber aponta Doutrina Social da Igreja, Catecismo da Igreja Católica e textos papais para defender a importância social da Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade, organizada nacionalmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem sido alvo de críticas. No entanto, para explicar a importância das Campanhas e ressaltar os frutos sociais da iniciativa, o mestre em ciência da religião, Gabriel Resgala, do canal “Vivo pela Vida” do youtube, publicou um vídeo com o título “A CNBB, os papas e a política”. Na gravação, Gabriel tece comentários acerca de vídeo anterior de Bernardo P Küster, recentemente convertido ao catolicismo, que critica a Confederação em um vídeo intitulado “CNBB no banco dos réus: grana, poder e heresia”.

Gabriel Resgala começa seu vídeo questionando a instrumentalização política criticada por Bernardo Küster. “Será que o que me incomoda é quando a Igreja se mete em política ou quando está do lado contrário?”, pergunta. O mestre em ciência da religião lembra que a campanha de 1996 “Fraternidade e Política” trouxe entre os frutos a criação de duas leis de iniciativa popular elaboradas pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB por meio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Foram a lei 9840/1999 que proíbe a compra de votos e a lei complementar 135/2010, conhecida como lei da ficha limpa.

Além disso, em 2008, com o tema “Fraternidade e defesa da vida”, a Igreja começou a se posicionar contra o aborto e a favor da vida. “Bernardo, você fez um vídeo falando mal da Campanha e mostrando ONGs ruins que teriam recebido recursos e não falou nada de coisas boas nem das instituições sérias que recebem os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Baseado no seu vídeo, ninguém vai doar”, diz Resgala.

Outro ponto criticado por Küster que é explicado por Resgala é o fato de que o desarmamento da sociedade civil seria contrário ao Catecismo da Igreja Católica. “É direito e dever  da autoridade pública legítima infligir penas proporcionadas à gravidade do delito. Não somos nós nas nossas casas defendendo nossos patrimônios”, explica o mestre em ciência da religião citando o artigo 2266 do Catecismo. Ele lembra também que o Papa Bento XVI era um ferrenho defensor de desarmamento integral porque, segundo ele, “as armas tendem a aumentar a violência”. “Você diz que a CNBB deveria apoiar candidatos que revogassem o estatuto do desarmamento. Mas você não disse que a Igreja não deveria se meter em política? Ou só no lado que você acredita?”, critica Resgala.

Ainda sobre o tema da política, Resgala defende que a Igreja não deve estar ligada a partidos, mas precisa tomar posições. “A Igreja não deve se envolver com política a nível partidário ou pessoal com algum candidato, mas a Igreja pode e deve tecer orientações sobre alguns aspectos que considera importante: aborto, caridade e políticas públicas”, ressalta.

Políticas públicas

Citando o parágrafo 303 do Compêndio da Doutrina Social da Igreja de Bento XVI, Resgala contraria a crítica de Küster de que política pública seria coisa de socialismo. “Não tem nada a ver. Política pública é aquela destinada ao povo. A Doutrina Social da Igreja explica que um bem estar econômico autêntico se persegue também através de adequadas políticas sociais de redistribuição da renda”, destaca.

A Igreja também rejeita tanto a “ideologia totalitária e ateia” do comunismo e do socialismo quanto as práticas desiguais do capitalismo, como afirma o artigo 2425 do Catecismo da Igreja Católica.  “Regular a economia só pela planificação centralizada (comunismo) perverte a base dos laços sociais; regulá-la só pela lei do mercado (neoliberalismo) é faltar à justiça social”, diz o texto. Resgala completa que a Campanha da Fraternidade deste ano com o tema “Fraternidade e Superação da Violência” aponta que é necessário reduzir a exacerbação do consumo para reduzir a violência.

O mestre em ciência da religião lembra que a defesa da redução do consumo é baseada na encíclica Evangelii Gaudium (60) do Papa Francisco: “Os mecanismos da economia atual promovem uma exacerbação do consumo, mas sabe-se que o consumismo desenfreado, aliado à desigualdade social, é duplamente daninho para o tecido social”, aponta o texto. Resgala completa que o Papa relaciona “claramente o consumismo com a violência”.

Nota de esclarecimento

da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB esclarece que, ao contrário do que se veicula em redes sociais, não financiou projeto algum de “ONGs abortistas”, nem de “grupos terroristas”, com recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), constituído pela coleta da Campanha da Fraternidade-2017.

Um dos projetos financiados em 2017 foi o V Encontro dos Signatários da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil, realizado em São Paulo, no mês de outubro de 2017.

O referido projeto foi apresentado pela Plataforma que, por não possuir CNPJ, recorre às organizações da sociedade civil que compõem sua Secretaria Executiva a fim de firmar acordos para a execução de seus projetos que implicam doação de recursos financeiros.

Seguindo essa prática, a Plataforma indicou a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG), uma de suas entidades signatárias, para assinar a parceria com o Fundo Nacional de Solidariedade, constando, apenas por isso, o nome da ABONG no site do Fundo como entidade responsável pelo projeto.

O financiamento, portanto, foi para a Plataforma no valor de R$ 40.500,00 (quarenta mil e quinhentos reais) e não para a ABONG, conforme se tem divulgado, por má fé ou desinformação.

A Plataforma foi constituída em 2010 e reúne mais de cem instituições não governamentais e religiosas como a Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), Caritas Brasileira, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), a Pastoral da Criança, a Pastoral da Pessoa Idosa.

Trata-se de um fórum de articulação de entidades, formado com o objetivo de construir, em diálogo com o Estado, um marco regulatório que favoreça a atuação das Organizações da Sociedade Civil, num ambiente legalmente favorável e adequado às suas realidades.

Fruto dessa articulação é a Lei 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, que regulamenta as parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, inclusive as instituições religiosas que prestam serviços nas áreas da educação, da saúde e de assistência social.

A CNBB continuará cumprindo rigorosamente os critérios que determinam a aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Solidariedade que, em 2017, financiou 237 projetos, num valor total de R$ 5.886.475,39 (cinco milhões, oitocentos e oitenta e seis reais e trinta e nove centavos).

Na oportunidade, a CNBB expressa seu agradecimento a todos que, generosamente, com sua doação, tornam possível a realização de inúmeros projetos na defesa e promoção da vida em todas as suas expressões, com uma particular atenção aos mais necessitados.

Brasília-DF, 21 de fevereiro de 2018v

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