Violência contra a mulher supera 300 denúncias este ano em Sobral

Centro de Referência da Mulher em parceria com a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres do Governo do Estado do Ceará (CEPAM) promove ações de conscientização

Encorajadas pela Lei Maria da Penha e por medidas protetivas, 314 mulheres de Sobral e Região Norte denunciaram os agressores por violência doméstica no acumulado dos quatro primeiros meses do ano. Os dados são da Delegacia da Mulher repassados pelo Centro de Referência da Mulher de Sobral. Os números apontam que as denúncias estão sendo realizadas, mas para conscientizar acerca do ciclo da violência  e ajudar outras vítimas, foi promovida em Sobral entre dias 7 e 9 de maio uma ação com uma Unidade Móvel de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Campo, da Floresta e das Águas, uma parceria entre o Centro de Referência e a Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres do Governo do Estado do Ceará. Foram beneficiadas mais de 200 mulheres.

A Unidade Móvel passou pelo Residencial Nova Caiçara no dia 7 de maio, Cras Regina Justa (Bairro Vila União) e Pracinha do Triângulo (Bairro Terrenos Novos) no dia 8 de maio e pelo Cras Aracatiaçu no dia 9 de maio. A prestação do serviço contou com prevenção, assistência, encaminhamento e acompanhamento de casos de violência contra a mulher, além de ações educativas, palestras e distribuição de material informativo sobre a Lei Maria da Penha. Houve ainda ações em parceria com a Secretaria de Saúde para informação sobre o H1N1, acesso a documentos e momentos de beleza.

As mulheres acompanhadas dentro da Unidade Móvel serão encaminhadas para o Centro de Referência da Mulher, segundo a coordenadora do espaço Ana Ivna Sousa. Ela explica que a equipe é composta por 2 assistentes sociais, uma psicóloga e uma advogada. Em dois meses de funcionamento, 28 mulheres estão sendo acompanhadas pelo equipamento. As mulheres vítimas de violência podem ser encaminhadas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), pela Delegacia da Mulher ou irem diretamente ao Centro. A vice-prefeita Christianne Coelho garante que o combate à violência contra a mulher é uma prioridade. “Se for necessário, poderemos ampliar o quadro de funcionários para atender mais mulheres”, completa Ivna Sousa.

Enfrentamento

Sílvia Cavalleire, assessora da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres do Governo do Estado do Ceará (CEPAM), explica que a Unidade Móvel foi pensada para chegar a locais de mais difícil acesso à rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Qualquer município pode solicitar o serviço da Unidade.

De acordo com Sílvia, o enfrentamento à violência contra a mulher tem se intensificado com a Lei Maria da Penha. “O aumento no número de denúncias mostra que as mulheres estão se empoderando contra a violência doméstica e familiar”, ressalta. Sílvia explica que em Fortaleza a Delegacia de Defesa da Mulher instaura em média três vezes mais inquéritos que as delegacias convencionais. Além da violência física, centenas de mulheres são submetidas a violência psicológica, moral, sexual (forçar relações sexuais com a parceira) e patrimonial (quando o agressor quebra utensílios pessoais ou fica de posse de documentos pessoais).

No entanto, conscientizar a mulher de que ela vive um ciclo de violência é o maior desafio. “É difícil dizer a ela que é preciso romper com o ciclo de violência. Tem os filhos, algumas não têm para onde ir. A violência é um problema social e uma questão de saúde pública. É preciso conscientizar essa mulher sobre quais são os ciclos de violência porque ela bota culpa na bebida, nas drogas, nas amizades e em si mesma, menos no companheiro. A violência não é natural”, ressalta.

A Coordenadoria, de acordo com Sílvia, tem investido na divulgação das ações de enfrentamento à violência contra a mulher por meio das unidades móveis e ações de conscientização em especial com a cartilha da Lei Maria da Penha. Está também em fase de finalização a Casa da Mulher Brasileira, equipamento que irá reunir órgãos do enfrentamento à violência contra a mulher. A violência contra a mulher pode ser denunciada gratuitamente pelos números 180 ou 190.

Sem violência

Raquel Ferreira, 40, dona de casa

A dona de casa Raquel Ferreira, 40, já foi vítima de violência doméstica por oito anos. O ex-marido a agredia constantemente. Ela conta que quando a situação se tornou insustentável, tomou a decisão de terminar o relacionamento. “Já fui vítima de violência por oito anos, mas coloquei minha cabeça no lugar e resolvi criar meus filhos, sozinha”, diz lembrando que o caso aconteceu há 10 anos. Raquel destaca ainda que é muito difícil enfrentar a violência porque as mulheres não têm coragem para denunciar. “Muitas mulheres não sabem o que fazer e se sabem tapam o sol com a peneira. Aqui quando acontece, ninguém fica sabendo”, destaca.

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