X Marcha do Vale pede fim da violência urbana e rural

Movimento trouxe o mesmo tema da Campanha da Fraternidade de 2018: “Fraternidade e superação da violência” e contou com santa missa presidida pelo bispo diocesano, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos

Teresa Fernandes

Jornalista

Correio da Semana

A X Edição da Marcha do Vale do Acaraú em Defesa da Vida trouxe o tema da Campanha da Fraternidade de 2018: “Fraternidade e superação da violência” e o lema “Vós sois todos irmãos”. O movimento, realizado na última quarta-feira, 15, reuniu cerca de 1,5 mil pessoas para pedir o fim das violências urbana e rural e abordar a falência do sistema de segurança pública. A programação contou com santa missa presidida pelo bispo diocesano, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, e concelebrada pelo Vigário Episcopal da Região Vale do Acaraú, Pe. Tomé da Silva, Monsenhor Manuel Rômulo dentre outros sacerdotes.

Participaram da Marcha as 12 paróquias do Vale do Acaraú com suas comunidades. As caravanas foram acolhidas às 15h na escola Roque Lopes de Araujo, localizada no bairro Zona Rural em Acaraú, na BR 403. A escola está no território paroquial da Paróquia de São João Batista em Celsolândia, em Acaraú. Após a acolhida, foi realizada a abertura oficial da Marcha com a presença de Dom Vasconcelos e de Pe. Tomé. Houve um momento de oração inicial e foram dadas as orientações.

Após a oração, a Marcha saiu da escola e seguiu em direção à Matriz da Paróquia de Celsolândia por cerca de 1,5 km percorridos. “Nós participamos também desse momento com todas as faixas das paróquias contra a violência da mulher, da criança, dos idosos. Houve ainda a denúncia e o grito contrário à ideologia de gênero e o envolvimento dos jovens nas drogas. Houve uma participação massiva da comunidade e também de todas as paróquias, superou as expectativas”, lembrou o pároco de Celsolândia, Pe. Marcos Antônio Bezerra Uchôa.

“O cume de toda a Marcha foi a Santa Missa, na qual colocamos os projetos que serão vividos a partir de 2018 em cada Paróquia sobre a temática da segurança e colocamos tudo isso no Altar do Senhor pedindo a graça de continuar marchando em defesa da vida”, ressaltou Pe. Marcos.

A programação contou ainda com uma palestra com a presença das autoridades da Polícia Militar, como o tenente e do major daquela região. Monsenhor Assis Rocha conduziu o debate acerca das questões relativas à segurança. “Tivemos ainda a fala forte do bispo diocesano se colocando na linguagem do povo”, lembrou Pe. Marcos Uchôa. O debate se estendeu até 20h com apresentações culturais intercaladas com a participação de Paróquias de Acaraú e de Jijoca, por exemplo.

Falência da segurança

Dom Vasconcelos, ressaltou a alegria de ver o povo reunido por uma causa tão bela como é a vida e abordou a questão da violência urbana e rural e a falência no sistema de segurança pública. “Antes de falar da falência do sistema de segurança pública, quero dizer que a família também faliu; há uma falência na educação familiar. É triste, mas é verdade. Quando falamos em violência e tráfico, quando vemos um jovem procurando a droga, vemos que está acontecendo a desestrutura familiar”, ressaltou o bispo.

O sistema educacional também passa por um processo de falência, de acordo com o bispo. “Hoje infelizmente nosso sistema educacional promove essa falência da escola tirando a autoridade do professor e dando em nome da liberdade, uma permissividade”, disse. Sobre o papel da Igreja, Dom Vasconcelos lembrou que existe a pastoral carcerária para acolher as pessoas em presídios e há a pastoral da sobriedade como prevenção. A Diocese conta ainda com estruturas como a Fazenda da Esperança. “Temos um trabalho efetivo, mas estamos muito aquém de onde precisamos ir”, disse. Ele lembrou ainda que a situação dos presídios é desumana. “Não é policiamento ostensivo nas ruas ou cerca elétrica que vai resolver a violência”, disse.

A falência do sistema policial, de acordo com o bispo é advinda principalmente da corrupção. “A droga não é produzida no Brasil, mas entra pelas fronteiras favorecida por altos escalões da política brasileira corrupta. Lutar contra essa situação, abrir a boca e falar é entregar o pescoço, mas é responsabilidade do estado cuidar da vida do cidadão brasileiro”, analisou. Ele defendeu ainda que é contra o armamento da população. “Não é assim que vamos combater a violência. Não queremos que o cidadão faça justiça com as próprias mãos, por isso existem os poderes constituídos e a polícia. Precisamos assumir nossa responsabilidade e parceria nessa luta a favor da vida”, defende.

Em sua homilia, abordando as leituras do dia, Dom Vasconcelos lembrou que os textos são dirigidos a dois públicos: as autoridades (reis, governadores, todos os que detém poder e exercem o poder) e a população em geral. “Toda autoridade vem de Deus. Amados irmãos e irmãs, não existe soberania maior do que Deus e diante Dele todo joelho se dobrará”, disse. Dom Vasconcelos ressaltou ainda que vivemos em uma sociedade laica, que não tem uma religião oficial, mas não em uma sociedade ateia, mas uma sociedade profundamente religiosa. “Na primeira leitura, o Senhor nos fala que devemos cuidar do seu rebanho, da vida em sua integridade, vida do povo de Deus. É nossa responsabilidade cuidar da integridade de cada pessoa”, disse.

 

Marcha reuniu cerca de 1,5 mil pessoas para pedir o fim das violências urbana e rural e abordar a falência do sistema de segurança pública

Chamada de capa: Defesa da Vida> X Marcha do Vale pede fim da violência urbana e rural

Crédito da foto: Divulgação

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