As políticas públicas em discussão na Igreja

A cada ano, no tempo quaresmal, a Igreja nos propõe vivenciar a Campanha da Fraternidade(CF) como um valioso instrumento de apoio e motivação para a conversão social. É um tempo oportuno em que os cristãos devem erguer sua voz profética diante dos desafios e mazelas da sociedade atual.
Nesse ano, a CF apresenta como tema:”Fraternidade e Políticas Públicas”. A Igreja nos motiva a uma participação ativa no funcionamento das políticas públicas em todas as suas esferas. O cristão não pode ser alienado com relação aos problemas de nossos tempos. É a própria Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja que nos interpelam a essa atitude e nos ajudam a ler os sinais dos tempos.
Desse modo, as pastorais precisam estar a par da política para entender como ela se efetiva e atinge a vida cotidiana, acompanhando-a também com uma boa fiscalização junto às autoridades competentes. A nossa atuação missionária requer essa luta em favor dos mais sofridos e desprotegidos da sociedade. Há muitos que têm fome e sede de justiça.
Nesse sentido, a Igreja se preocupa com o social por ser um campo da atividade humana, do ser do homem, e nada do que é humano é indiferente à Igreja. Usando uma expressão de São Paulo VI, a Igreja é “perita em humanidade”. O lema bíblico escolhido para iluminar a CF-2019 está relacionado a esse aspecto eclesial e foi extraído do livro do profeta Isaías: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).
Nós, como Igreja, somos os continuadores da missão libertadora de Jesus, que assumiu a condição humana, nascendo pobre entre os pobres. Ao longo desses dois mil anos, não faltaram pessoas que, movidas pelos valores do Reino de Deus, comprometeram-se com a causa dos mais pobres e lutaram para lhes garantir o direito e a justiça.
No contexto de nosso país, muitos dos direitos previstos na Constituição ainda não foram mediados por políticas públicas adequadas. Esse assunto nem sequer é discutido em nossas rodas de conversa. Por isso, a Igreja quer torná-lo mais recorrente, dispensando qualquer bandeira ideológica e nos ensinando a buscar relações mais solidárias e fraternas.
Muitos são os desafios com relação à saúde, educação, moradia, segurança. Assim, as responsabilidades são compartilhadas entre governo, instituições e indivíduos, que precisam estar articulados para que os direitos garantidos por lei sejam de fato os direitos de todos, não só de alguns.
Portanto, esse tema da CF-2019 precisa ir além da Igreja e chegar às nossas famílias, escolas e repartições públicas. Precisamos abordar essa temática como um convite a uma maior participação das pessoas na elaboração das políticas públicas, a fim de que o direito e a justiça prevaleçam sobre as desigualdades que assolam os mais pobres.

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