Editorial

Assumir o caráter cristão implica em compromissos. Requer uma vida limpa, – o que chamamos de “vida nova em Cristo”.

Por ocasião da Quaresma, os iniciados na comunidade cristã deveriam passar por alguns escrutínios, como prova de mudança de vida. Na vigília pascal, quando os cristãos celebram o Mistério da Paixão Morte e Ressurreição de Jesus, recebiam o Batismo. Após passarem pelas águas do Batismo, endossavam uma túnica branca significando a pureza da vida nova.

As comunidades cristãs vivem a originalidade do Tríduo Pascal, representando o núcleo central de sua vivência de fé e convivência fraternal.

Muitos séculos de cristianismo se passaram… Hoje o tríduo pascal, isto é os 3 dias principais da Semana Santa, estão quase que esvaziados de sentido. A Semana Santa se transformou num feriado prolongado. O pessoal sai para curtir. Comilança, bebida adoidada, festa e mais festa. Bandas de forrós vão ocupando os espaços, até há pouco ocupados por procissões e rezas. O som à toda altura é símbolo do domínio da diversão em espaços antigamente destinados ao respeito pelos idas sagrados.

Nos dias santos, o povo praticava muitos atos de piedade, denotando respeito e veneração pela fé cristã. Muitos faziam penitência.

Hoje, o pessoal se programa para se divertir, isto é com bastante bebida… o sábado de aleluia então, é que é de danar. Bebida o dia todo. A queima do Judas é outra farra. O costume de muitos farristas é fazer como num carnaval, onde se permitem furtos e brincadeiras para abrilhantar ainda mais a diversão.

Enfim, tudo se torna pretexto para o “cristão” garantir o seu prazer. Comemora-se o prazer, sem nenhuma ligação com a Paixão de Cristo.

Em Sobral ainda conservamos o sentido tradicional da Semana Santa, com sua riqueza religiosa e cultural. Deus nos conceda a coragem para sustentá-la com toda a pujança da fé!

Contudo, aos poucos, o pessoal prefere sair da cidade, ir para praias e sítios para descansar ou se divertir. De nossa parte, – a começar pela própria Igreja, – se continuarmos tímidos, com medo de mostrar para o pessoal mais novo o sentido mais profundo do Evangelho e suas expressões culturais, em breve tudo se acabará. Ou se reduzirá a um folclore qualquer.

A programação de nossas igrejas absorvem fortemente algumas manifestações da piedade popular. As cerimônias litúrgicas compõem-se com preciosas expressões de piedade popular. Tanto o pessoal ainda procura o Sacramento da confissão, como faz questão de comparecer às procissões.

Uma boa parte da população ainda busca o sentido dos mistérios de Deus. Procuram a instrução na sua Palavra, nos seus Mandamentos, enfim, nos valores da fé. Vamos valorizar isso, cada vez mais!

Jesus, antes de passar a sua paixão, lava os pés dos discípulos na ceia pascal.

Com o pão e com o vinho, Jesus afirma que doravante são os sinais de sua presença viva no meio de nós, filhos e filhas do mesmo Pai, irmanados no mesmo Espírito Santo.

Que apreciemos melhor os gestos de Jesus, indicando-nos o caminho da conversão, do perdão, da reconciliação, da prática da misericórdia, e nunca da violência, do desafeto, da destruição.

A Semana Santa terá surtido o seu efeito, se nos levar a sermos novas criaturas, alimentadas pelo amor de Deus e ao próximo.

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