Família, dom de Deus

Neste segundo domingo do mês dedicado às vocações a Igreja celebra, no dia dos pais, a vocação à família e enxerga nela um chamado de Deus muito especial, uma preciosa vocação que também deve ser promovida assim como as demais.
Contra toda ideologia que tenta destruir ou modificar a noção de família a Igreja ergue sua voz profética e fala nesse chamado de Deus, onde florescem os valores e princípios capazes de modificar a sociedade. No Catecismo da Igreja Católica, fala-se da família como a igreja doméstica, comunidade privilegiada e primeira escola da fé.
Por isso, devemos ser conhecedores de sua importância singular. Seria vão o trabalho de tentar construir uma sociedade sem uma boa estrutura familiar. Fala-se com muito acerto que a explicação para tantos desregramentos sociais esteja na má constituição das famílias.
A partir do momento em que a família não é mais portadora de uma boa educação, de sólidos princípios e de uma moral baseada nos bons costumes, a sociedade toda começa a padecer com desastrosas consequências. O grande problema é que muitas vezes não se encontra mais referência na família, não se encontram sólidos exemplos dentro de casa. É quando os jovens ou as crianças vão procurar referências em outros lugares.
A Conferência de Aparecida dedicou especial atenção à família, e afirma que ela é “um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos e é patrimônio da humanidade inteira”, propondo que “se deva assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja”.
Desde suas origens, o núcleo da Igreja era em geral constituído por aqueles que, com toda a sua casa, se tornavam cristãos. Quando as pessoas se convertiam, desejavam também que toda a sua casa fosse salva. A percepção desse chamado de Deus à família interpelava profundamente a vivência eclesial, porque, congregada no amor da comunidade cristã, a família tornava-se reduto de vida cristã num mundo a ser evangelizado.
A própria noção que nós temos de Deus-Trindade nos conduz à família, uma perfeita comunhão entre pessoas fomentada por laços de amor mútuo e eterno. E contemplando o sublime mistério da Encarnação somos surpreendidos por ver um Deus que nasceu no seio de uma família. A própria Igreja Católica é entendida como uma grande família de irmãos, que abrange a humanidade inteira
Portanto, é na família que o ser humano recebe sua formação humana e o cristão se prepara para ser discípulo de Jesus. Que os nossos lares sejam santos, que de lá germinem as vocações para o engrandecimento do Reino de Deus, as sementes de um mundo melhor.
É preciso mais do que nunca acreditar na família e fazer nossa prece dizendo: “Que a família comece e termine sabendo onde vai; e que os homens carreguem nos ombros a graça de um pai; que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor; e que os filhos conheçam a força que brota do amor!”

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