Finados e Dia de Todos os Santos

O mês de novembro se inicia com duas celebrações bem marcantes no calendário litúrgico da Igreja: o dia de Finados e a Festa de Todos os Santos. Ambas nos fazem relembrar aqueles que nos precederam e que já concluíram a sua peregrinação neste plano terrestre da vida. Entendemos, assim, que há uma profunda comunhão entre a Igreja do céu e da terra.
A cada 2 de novembro, quando muitas pessoas visitam os cemitérios, rezamos por todos os fiéis defuntos, particularmente pelos nossos entes queridos que já estão junto de Deus. Fazemos memória de nossos antepassados, parentes e amigos, que nos precederam e nos transmitiram a fé. Não como uma celebração da morte, mas sim celebrando a esperança na vida eterna.
De fato, quando pensamos assim, a nossa condição de finitude e o mistério da morte ganham um outro sentido, pois nós cremos e professamos que existe uma vida eterna para além deste mundo temporal. Por isso, é um pensamento santo e salutar venerar com piedade a memória dos defuntos e rezar pelas suas almas.
Nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz sua intercessão por nós. São Domingos de Gusmão, em seu leito de morte, disse aos seus irmãos: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida.”
Dentre estes que já partiram, muitos deles, a Igreja nos aponta como modelos de cristãos. São aqueles que nós chamamos de santos. Eles compõem uma multidão incontável de homens e mulheres que se decidiram seguir Jesus de um modo fiel e radical, e fizeram do amor a maior lei de seus corações.
Nós também cremos e professamos a nossa comunhão com os santos, e celebramos todos em único dia como uma recordação da nossa vocação à santidade. Certa vez, Santo Inácio de Loyola, ao terminar de ler um livro sobre a vida dos santos, fez-se o seguinte questionamento: “Se eles conseguiram, por que também eu não posso conseguir ser santo?”. E, a partir disso, ele foi moldando sua vida à prática do Evangelho.
Isso quer dizer que não se nasce santo, ou que os santos são pessoas privilegiadas, com feitos extraordinários, mas a santidade é uma construção diária, um processo de conversão que se dá na busca de encarnar o Evangelho na própria vida, na simplicidade do cotidiano. E não foram poucos os que trilharam esse caminho: homens e mulheres, sacerdotes e religiosos, jovens e crianças, operários, militares, pais e mães de família que, ao longo dos séculos, forma canonizados. São os nossos “heróis” da fé.
Além disso, os santos são sólidas referências para o nosso agir moral e marcaram profundamente o ontem e o hoje da Igreja. Neste mundo escurecido pelo pecado, devemos olhar para o alto e contemplar esses luzeiros que brilham no firmamento como uma bela e reluzente constelação.
Que a Igreja triunfante do céu esteja sempre a rogar pela Igreja militante sobre a terra!

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