O carisma da reparação

Há dois milênios, a Igreja serve ao Reino de Deus, vivificando-o, dando-lhe forma. E para realizar sua missão, é dotada, pelo Espírito Santo, da diversidade de dons, serviços, ministérios. A vida religiosa compõe essa diversidade e contém, também ela, uma diversidade de carismas.
Em nossa diocese de Sobral, destaca-se a congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus. Monsenhor Joaquim Arnóbio de Andrade, num gesto divino e inspirado pela sabedoria celeste, da qual era exímio portador, suscitou o carisma da reparação, germinado no seio desta diocese.
Hoje em processo de beatificação, Monsenhor Arnóbio tornou-se o grande Apóstolo da Reparação ao Sagrado Coração de Jesus. E, motivados por seu exemplo e zelo missionário, muitos operários se lançaram a trabalhar na seara interminável do Mestre Jesus. Assim, surgiu a congregação das Reparadoras, fundada a 15 de agosto de 1957.
A inspiração maior partiu de um versículo do Salmo 54: “Se o ultraje viesse de um inimigo eu o teria suportado. Mas eras tu, meu companheiro, meu íntimo amigo.” Desse modo, a congregação está voltada para a reparação dos sacerdotes e de todas as pessoas consagradas.
Cada missionária reparadora é, assim, convidada a oferecer sua vida em satisfação e desagravo às injúrias cometidas contra o Coração de Jesus. Um verdadeiro “desagravo perene ao Senhor, de almas simples que pedem perdão”.
Por tão grande bem feito à Igreja na fecundidade de seu apostolado, Monsenhor Arnóbio entrou para a categoria de Servo de Deus, tendo sido aberto seu processo de Beatificação, o que é motivo de honra para toda a diocese de Sobral. Seu profundo anseio de amar a Deus a sua grande fé continuam a inspirar os cristãos de hoje. Somos convidados a seguir os passos de Jesus e a pedir perdão pela ingratidão dos homens e por tantos males provocados pela cobiça humana.
As Missionárias Reparadoras também nos inspiram nesta missão, difundindo o seu carisma: Amor, Reparação e Evangelização. É bem louvável o trabalho que as irmãs realizam no campo da educação, na catequese, nos trabalhos pastorais de diversas paróquias e no acolhimento aos pobres, doentes e marginalizados. Precisamos sempre reconhecer o valor de tantas vidas doadas pelo Reino de Deus que, em resposta a um chamado, semeiam a paz, a justiça e o amor pelos caminhos do mundo.
Neste mundo secularizado, o testemunho da vida religiosa consiste no seguimento e na aberta imitação de Cristo, que, pobre, obediente e casto, se entregou por nós. A consagração e a vida em fraternidade, num mundo que tem fome de santidade e de comunidade, é sinal de dom e profecia.
Portanto, precisamos rezar e promover as vocações à vida consagrada. “A messe é grande, os operários são poucos.” (Mt 9,37). A humanidade precisa de pessoas capazes de difundir a mensagem de amor deixada por Jesus, a fim de que o mundo possa ser melhor.

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