O problema dos transportes no Brasil

A recente greve dos caminhoneiros pela qual o Brasil passou nos últimos dias, além de nos fazer refletir sobre a corrupção, os altos impostos e a ineficiência do governo, sinaliza também uma infraestrutura de transportes desequilibrada e insuficiente.

Isso porque, atualmente, as rodovias representam o principal meio de transporte de passageiros e cargas no Brasil, enquanto que deveria haver um uso mais integrado de outras modalidades de transportes.

Essa crise mostrou o quanto somos dependestes das rodovias no comércio, na prestação de serviços e na economia em geral. As ferrovias e hidrovias são pouco utilizadas e, dependendo das distâncias e da geografia das regiões a serem atravessadas, a matriz de transportes deveria ser mais variada.

A maior parte do transporte de cargas é feito por caminhão. Ficamos mais cientes desse fato quando percebemos que a greve dos caminhoneiros parou o Brasil. Como tem valor essa classe de trabalhadores que muitas vezes não têm seu trabalho reconhecido na sociedade. Porém, a crise foi um sinal de alerta para mostrar que o governo precisa integrar as várias modalidades de transporte.

As rodovias são indicadas apenas para interligar pontos próximos e cargas urgentes, mas que não sejam volumosas. Em um país com tantos rios navegáveis, seria mais adequado o transporte hidroviário que, apesar de ser mais lento, é mais barato para grandes volumes. As ferrovias também, muito utilizadas em países desenvolvidos, transportam grandes cargas com baixo custo de manutenção, além de que sua construção não carece de grandes desmatamentos como para a abertura de estradas.

A partir disso, entendemos um pouco porque a economia é tão afetada pela matriz de transportes. Segundo a Confederação Nacional de Transportes, o país possui 1,7 milhões de quilômetros de estrada, com apenas 13% asfaltados. As grandes cargas transportadas nas rodovias, bom como a falta de logísticas no escoamento de produtos agrícolas e industriais encarece seu preço final. E a conta de tantos prejuízos é paga pelos trabalhadores brasileiros.

Infelizmente, parece que não é interesse dos governantes fazerem investimentos que realmente gerem mudanças no cenário do país. Se pararmos para pensar, dificilmente aceitaremos com resignação os efeitos gerados por um país governado por corruptos, onde reina junto com eles a desigualdade social, o desemprego, a insegurança e as crises diversas. É mais preocupante ainda perceber que não temos muitas perspectivas de no futuro termos bons governantes.

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