Oração: exercício interior

Neste tempo salutar, no qual o próprio Cristo nos chama à conversão, a Igreja nos propõe três práticas que nos ajudam a viver bem a Quaresma: oração, caridade e jejum. Diante das fugacidades do mundo, o Papa Francisco aponta que essas práticas são “três investimentos num tesouro que dura”.
São aspectos importantes da espiritualidade quaresmal. A oração nos conduz a Deus, a caridade nos une ao próximo e o jejum nos leva a enfrentar as nossas realidades humanas. Dentro de três semanas, iremos refletir sobre cada um desses caminhos penitenciais, iniciando pela oração.
Sabemos que todo cristão precisa exercitar-se interiormente pela prática da oração, especialmente na Quaresma, pois não podemos perder a direção da nossa vida. A oração é essa bússola que nos aponta para a meta principal, que nos oferece a direção segura para chegar a Deus. É a forma mais eficaz de alimentar a alma, essa realidade humana tão esquecida em nossos dias.
Santa Teresa de Lisieux já afirmava que “a oração é uma elevação do coração, um singelo olhar para o Céu, um clamor de gratidão, o amor no meio da provação e da alegria”. É esse olhar voltado para o Alto, para as realidades sobre-humanas. É o fecundo silêncio que nos leva à intimidade com Deus.
O próprio Cristo nos adverte quanto à verdadeira oração: “Quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará”(Mt 6,6). Jesus nos pede que rezemos em silêncio como uma das formas de nos unirmos a Deus.
De modo especial, neste tempo da quaresma, a oração contemplativa nos ajuda bastante por seu caráter reflexivo, por ultrapassar os nossos sentimentalismos e se firmar na presença de Deus. Orar contemplando a Cruz de Cristo. Eis um belo exercício quaresmal. Orar com humildade, colocando a nossa pequenez humana diante da grandeza de Deus.
Portanto, que a oração encontre espaço em nossas agendas. Em meio à rotina, é necessário vez por outra parar, a fim de estar a sós com Ele e perceber o sentido das lutas desta vida. É preciso falar com Deus e escutar a sua voz, contemplar Deus e deixar-se olhar por Ele.

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