Um verdadeiro patrimônio da humanidade

No último dia 18 de julho, comemorou-se o Dia Internacional Nelson Mandela, celebrando o centenário de seu nascimento e trazendo a lume a figura emblemática do Madiba, como é carinhosamente chamado pelo seu povo, que travou uma luta heróica contra o racismo em seu país.

Da África do Sul, o exemplo de Mandela espalhou-se pelo mundo como um testemunho vivo de que é possível transformar realidades quando se assume uma causa por amor. Diante do Apartheid, política que segregava brancos e negros, ele encabeçou a resistência negra e a luta em favor de seu povo oprimido.

Isso lhe fez pagar um alto preço quando foi preso, passando 27 anos na prisão e, em seguida, com o fim da segregação, foi o primeiro presidente negro da África do Sul. Como político, dizia que trazia o povo no coração, como assim o demonstrava. Seu nome evoca sua luta, além de ser inspiração a tantos que são vítimas das segregações que ainda existem: racial, econômica, social, religiosa.

De fato, não podemos fechar os olhos e permanecer passivos diante das desigualdades que existem em nosso meio. Desigualdades que geram preconceito e segregação. Em 1988, no centenário da Lei Áurea, a Igreja refletiu sobre o assunto na Campanha da Fraternidade, com o tema: “A fraternidade e o negro”. Podemos perceber que a escravidão provocou uma ferida social tão profunda que, mesmo após tanto tempo, ainda teima em não cicatrizar. Daí a importância de lembrar Nelson Mandela como um símbolo dos direitos humanos e líder de todo um povo que viveu oprimido nos 46 anos (1948-96) de Apartheid.

Na quarta-feira passada, o Papa Francisco fez o pedido de “sermos construtores da civilização do amor”, tendo como exemplo o grande Mandela, considerando, assim, a sua marca na história da humanidade. Ele foi um verdadeiro profeta do século XX, aos moldes daqueles que se destacam no Antigo Testamento, como Elias, Isaías, Ezequiel, Jeremias, os quais viviam uma paz inquieta por causa do povo sofrido. E por ser profeta, o Madiba foi um grande operário do Reino de Deus, tanto naquilo que fez quanto naquilo que ensinou pelo testemunho.

Entre as tantas homenagens que recebeu em Lisboa, no Instituto Pe. Antônio Vieira, no dia de seu centenário, destacou-se nos discursos que “o nome Mandela é uma energia vulcânica de amor”, além de ter sido considerado “um patrimônio da humanidade que devemos cultivar”.

De suas máximas, destaca-se a seguinte: “As pessoas são ensinadas a odiar e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, porque o amor é algo mais natural para o coração humano do que seu oposto”.

Olhando seu exemplo, só podemos ansiar que existam mais pessoas assim, agentes transformadores em seu meio, como foi Nelson Mandela. Esse nome que é sinônimo de destemor, coragem, audácia, profetismo. Virtudes que ornamentam a personalidade dos grandes homens.

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