Uma falsa ideia de liberdade

Dentre os tantos assuntos dignos de serem discutidos na modernidade está a liberdade. É uma palavra que está na moda, mas para além disso é, de fato, um dos princípios constituintes da dignidade humana. O problema é que há uma falaciosa interpretação do termo, quando se difunde atualmente o conceito de liberdade.
É certo que, historicamente, muito se lutou em sua conquista. Aqui no Brasil quando pensamos na escravidão e no regime militar, percebemos dois momentos nos quais a liberdade não era para todos. Hoje,somos livres, todos podemos nos expressar, todos temos o direito de ir e vir.
Mas o que é a liberdade? O homem moderno é realmente um ser livre? Ou será que temos outros grilhões que aprisionam a vida humana?
Talvez, para muitos, a liberdade seja uma grande ilusão. Nas últimas décadas, com o avanço da técnica, surgiram muitas inovações que facilitaram a vida, mas também surgiram muitas outras formas de escravidão. O homem moderno, afastado de tantos valores que antes orientavam a existência humana, vai sendo aprisionado em realidades ilusórias do mundo.
Como podemos pensar em liberdade quando percebemos que há muitos homens e mulheres prisioneiros do dinheiro, dos prazeres, da fama, do poder? São grilhões que escravizam, destroem, matam a dignidade humana. As tecnologias tem gerado vício, e muitos não sabem usá-las sob medida. Basta olharmos para a vasta juventude que nos rodeia, escrava do celular, escrava das redes sociais. E se enganam pensando que são livres.
Há gente que se apega à materialidade fugaz do mundo e se agarra a mil paixões, mil conveniências, mil concessões ao mundo e pensa que é livre somente por ter o direito de ir e vir, somente por ter liberdade de expressão. São, na verdade, escravos da própria escravidão. Tão escravos que pensam que a escravidão é liberdade. Sem falar nas ideologias, nas ideias, nos extremismos que escravizam, alienam.
Isso nos faz pensar que o ser humano se prende a tantas realidades, enquanto deveria ser totalmente livre, desapegado, sem vícios. Talvez a humanidade ainda precise descobrir a liberdade do amor, da amizade, da simplicidade da vida, da doação, da fraternidade, de tudo que liberta.
Enquanto isso não acontece, tudo vai sendo permitido e ninguém quer obedecer nem as leis dos homens nem as leis de Deus. Nessa falsa liberdade, sem orientação, o homem é semelhante a alguém que está no deserto, livre, mas sem saber para onde vai.

%d blogueiros gostam disto: