Em Dia com a Igreja

QUEM É O FRANCISCO DO PAPA FRANCISCO?
Perguntaram-me agora: “Você vai continuar falando sobre o papa, na coluna desta semana?”. “Sim, respondi, para falar do Francisco do Papa Francisco.”. É preciso? Sim! Houve quem duvidasse a qual deles se referia: ao de Assis, ao Xavier, ou algum dos outros Franciscos que ornam a congregação dos Jesuítas. Agora, não há mais dúvidas: o destaque foi para o Francisco de Assis. Mais que palavras que saem da boca do novo papa, seus gestos falam da inspirada e oportuna escolha. Mas, quem foi São Francisco de Assis? Não será fácil dizê-lo em apenas 10 notas: 01. ORIGEM: Nascido na Itália, em Assis, São Francisco viveu 44 anos. De 26 de setembro de 1182 a 3 de outubro de 1226, e trouxe uma primavera de vida nova para a Igreja. Paulo Sabatier o chamou de: “o maior santo que a Igreja Católica produziu em todos os séculos”. Gandi afirmou dele: “Houvesse um São Francisco em cada cem anos e a salvação do gênero humano estaria garantida”. Francisco recebeu de sua mãe uma esmerada educação civil e religiosa. No seu tempo, a juventude de toda a Itália estava fascinada pelos ideais da cavalaria. Em toda parte cantavam-se os feitos dos heróis e se contavam as aventuras do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda. Francisco era extremamente vulnerável às influências destes ideais, pois a mãe dele, Joana Picá, era provençal. Aos vinte anos, sua vida toda era um grande desabrochar de sonhos e esperanças.

O ENCONTRO COM O LEPROSO
Em Assis, num certo dia, andava a cavalo fora dos muros da cidade, e se encontrou com um leproso. Sua reação instintiva foi de fugir; mas parou o cavalo, olhou com ternura para aquele ser repugnante, apeou do cavalo, foi ao encontro dele, abraçou-o carinhosamente e lhe deu um beijo. Com este ato, Francisco vencera a sua maior batalha. Agora, sentia-se outra pessoa. Compreendeu que debaixo das feridas mal cheirosas daquele leproso revelava-se Jesus sofredor. Francisco teve uma predileção pelos leprosos. Escreveu no seu Testamento: -”Quando eu ainda estava em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. E o Senhor me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles. E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo. E depois disto demorei só bem pouco e abandonei o mundo” (Test. 1-3).

O CRUCIFIXO DE SÃO DAMIÃO
A voz do Senhor não demorou para fazer-se ouvir de novo. Certa manhã estava absorto em oração, na igrejinha de São Damião, diante de um crucifixo antigo. No silêncio profundo ouviu uma voz: – “Francisco, vai e repara minha casa que, como vês, está caindo em ruínas” (II Cel.,10). Ele pensa que foi uma alucinação. Mas a voz fez-se ouvir de novo, mais triste: “Francisco, vai e repara minha casa que, como vês, está caindo em ruínas”. Francisco interpretou o convite do Senhor ao pé da letra. Correu para casa, mesmo contrariando o seu pai, Francisco Bernardone, vendeu alguns tecidos e, com o dinheiro apurado, começou a restaurar, uma depois da outra, três igrejinhas abandonadas: São Damião, São Pedro e, mais tarde, a Porciúncula.

PREGADOR DO EVANGELHO e OS PRIMEIROS IRMÃOS
Após algumas primeiras experiências apostólicas, durante uma missa na Porciúncula, na festa do apóstolo São Matias, São Francisco acolheu as palavras do Evangelho como se fossem dirigidas a ele; compreendeu que o Senhor não o queria como restaurador material de igrejas, mas pregador do Evangelho. Sem hesitar um só instante, jogou fora a mochila, o bastão e o calçado; e depois de conseguir, do bispo de Assis, a licença para pregar, começou a percorrer os campos e as regiões vizinhas, espalhando o Evangelho. Sua palavra era atraente e persuasiva, porque era reforçada pelo testemunho de sua vida. Os ouvintes iam aumentando dia por dia. Alguns jovens resolveram segui-lo. Francisco disse-lhes: “Se querem seguir-me, vão e vendam tudo que vocês têm, e distribuam o fruto da venda aos pobres” (Cfr. I Cel., 24). Pediu que fossem chamados de “Frades Menores” (I Cel., 38), quer dizer aqueles que não têm nada, os últimos, submissos a todos. E como lugares para habitualmente morarem escolheram uma choupana abandonada, no lugar chamado Rivotorto. Preparou-lhes logo uma Regra de vida para os seus frades, resumindo-a na observância do santo Evangelho: – “A Regra e a vida dos Frades Menores é esta: observa o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade” (RB,1). Colocados para fora de Rivotorto, mas com o ânimo sereno, os frades deixaram o seu refúgio e, cantando os louvores do Senhor, dirigiram-se à igrejinha de Santa Maria dos Anjos, também chamada de Porciúncula. A querida capela de Santa Maria dos Anjos, trazia muitas recordações a São Francisco: há mais ou menos um ano ele a havia restaurado, e ali compreendera plenamente a sua vocação. Deus lhe havia relevado que ali seriam concedidas muitas graças. Por isso ele gostava muito dela.

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