Em Dia com a Igreja

OUTRA COISA É A MEMÓRIA LITÚRGICA DOS SANTOS
Não foram poucas as vezes em que, ao conversar com pessoas que tinham sido católicas e hoje são evangélicas, concluía eu que a motivação forte que as fez mudar de religião tinha sido a certeza de que, como católica, estava sendo idólatra. E a idolatria é um grande pecado, como ensina a Bíblia.
Como ensina a Bíblia, sim, em muitas passagens, de modo especial nos livros do Antigo Testamento. E, não se negue a verdade, como também sempre ensinou a Igreja Católica, desde os tempos mais antigos até hoje. Basta ler a história de seus mártires e primeiros santos. Heróicos, perderam a própria vida porque se recusavam a adorar ídolos ou deuses falsos, imperadores até, que queriam ser tidos como divinos. Só a Deus adorariam. A nenhum outro ser podemos adorar, a não ser Deus, Criador e Senhor, sempre nos ensinou a Igreja.
Outra coisa é a memória litúrgica dos santos, como testemunhas exemplares que foram da vida cristã; outra coisa é a veneração das suas imagens, nas procissões de louvor, ou mesmo no olhá-las e tocá-las, num gesto que põe em ação o dito popular: é pelos santos que se beija o altar. Já no deserto, como está no livro dos Números, o povo de Deus a mando de Moisés, olhava para a serpente de bronze, não para adorá-la como se fosse um deus, mas como num gesto de obediência e fé para com o Deus verdadeiro. E eram curados.
Todavia, evangélicos, em grande parte bem proselitistas, convencem católicos de que eles estão fazendo, ensinados pela nossa Igreja, uma coisa que a Igreja Católica nunca ensinou: adorar santos e imagens. Há até quem diga que este é o pecado daqueles nossos irmãos. Pecado contra o oitavo mandamento que diz: Não levantar falso testemunho. Desconfio que assim procedem sem livre consciência, mas tão somente por ignorância sobre os modos católicos de expressar nossa fé. Nossa fé em Deus e na Igreja que ensina a rica verdade da Comunhão dos Santos.

UM NÚMERO ENORME DE EVANGÉLICOS FALA DELA, HOJE.
A propósito, acolho aqui um texto que recebi, nesta semana, por e-mail. Trata-se de uma esclarecedora resposta que, interessado, como ele diz no final, em lutar pela compreensão entre as igrejas, o conhecido padre Zezinho, o cantor de “Maria de Nazaré”, “Não troco a minha fé por outra fé” deu a um jovem que lhe mandara uma desaforada carta onde, entre coisas acusava: “Eu, evangélico e ex-católico. Maria não pode nada. Menos ainda as imagens dela que vocês adoram. Sua igreja continua idólatra. Já fui católico e hoje sou feliz porque só creio em Jesus. Você com suas canções é o maior propagador da idolatria Mariana. Converta-se enquanto é tempo. Senão vai para o inferno com suas canções idólatras…Paulo Souza, São Paulo-SP.”. Nestes termos respondeu-lhe o padre Zezinho: “Uma lição de sabedoria…Sua carta chega a ser cruel. Em quatro páginas você consegue mostrar o que um verdadeiro evangélico não pode ser. Seus irmãos mais instruídos na fé sentiriam vergonha de ler o que você disse em sua carta contra nós católicos e contra Maria. O irônico de tudo isso é que, enquanto você vai para lá agredindo a mãe de Jesus e diminuindo o papel dela no cristianismo, um número enorme de evangélicos fala dela, hoje, com maior carinho e começa a compreender a devoção dos católicos por ela.
Você pegou o bonde atrasado e na hora errada e deve ter ouvido os pastores errados, porque, entre os evangélicos, tanto como entre nós católicos, Maria é vista como a primeira cristã, e a figura mais expressiva da evangelização depois de Jesus. Eles sabem da presença firme e fiel de Maria ao lado do filho divino.
Evangélico hoje, meu caro, é alguém que pautou sua vida pelos evangelhos e, para ser um bom evangélico, não é preciso agredir nem os católicos nem a Mãe de Jesus. Você é muito mais antimariano do que cristão ou evangélico. Seu negócio é agredir Maria e os católicos. Nem os bons evangélicos querem gente como você no meio deles.
Quanto ao que você afirma, que nós adoramos Maria, sinto pena de você. Enquanto católico, segundo você afirma, já não sabia quase nada de Bíblia por culpa da nossa igreja, agora que virou evangélico parece que sabe menos ainda de Bíblia, de Jesus, de Deus e do reino dos céus.
Está confundindo culto de veneração com culto de adoração, está caluniando quem tem imagens de Maria em casa ao acusá-los de idólatras. Ora, Paulo, há milhões de católicos que usam das imagens e sinais do catolicismo de maneira serena e inteligente, e você usava errado, teria que aprender.
Ao invés disso foi para outra igreja aprender a decidir quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Tornou-se juiz da fé dos outros.
Deu um salto gigantesco em seis meses, de católico tornou-se evangélico, pregador de sua igreja e já se coloca como a quarta pessoa da Santíssima Trindade, porque está decidindo quem vai para o céu e quem vai para o inferno.
Mais uns dois anos, talvez dê um golpe de estado no céu e se torne a  primeira pessoa da Santíssima Trindade. Então, talvez, mande Deus avisar quem você vai por no céu e no inferno.”.

QUEM ESTÁ PERTO DE MARIA, NUNCA ESTÁ LONGE DE JESUS
“Sua carta é pretensiosa. Sugiro que estude mais evangelismo, e em poucos anos, estará escrevendo cartas bem mais fraternas e bem mais serenas do que esta. Desejo de todo o coração que você encontre bons pastores evangélicos. Há muitíssimos homens de Deus nas igrejas evangélicas que ensinarão a você como ser um bom cristão e como respeitar a religião dos outros.
Isso você parece que perdeu quando deixou de ser católico. Era um direito que você tinha: procurar sua paz. Mas parece que não a encontrou ainda, a julgar pela agressividade de suas palavras.
Quanto  a Maria, nenhum problema: é excelente caminho para Jesus. Até porque, quem está perto de Maria, nunca está longe de Jesus. Ela nunca se afastou, tire isso por você mesmo.
Se você se deu ao trabalho de me escrever uma carta para me levar a Jesus, e se acha capaz disso, imagine então o poder da mãe de Deus! De Jesus ela entende mais do que você.
Ou, inebriado com a nova fé, você se acha mais capaz do que ela? Se você pode sair por aí escrevendo cartas para aproximar as pessoas de Jesus, Maria pode milhões de vezes mais com sua prece de mãe. Ela já está no céu e você ainda está aqui apontando o dedo contra os outros  e decidindo quem vai  ou quem não vai para lá. Grato por sua carta. Mostrou-me porque devo lutar pela compreensão entre as igrejas. É por causa de gente como você. (Pe. Zezinho -scj). Tudo por Jesus, nada sem Maria”, concluiu.

  • Pároco e Cruz
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