QUANDO CHEGA MAIO, O MÊS É DE MARIA, MÃE DE JESUS!

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Quando chega Mio, o mês é de Maria, mãe de Jesus! É assim no Brasil todo. E na Diocese de Sobral, em todas as Paróquias e Comunidades. Ali não vai faltar a recitação de Ave-Marias em todos os dias e horas.

É verdade que há os que dizem que a veneração e a intercessão de Maria e dos Santos são atitudes contrárias ao ensinamento da Bíblia que diz: (Lucas 4,8) “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”. E em  I Timóteo 2,5:  “Há um só Mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus”.

Mas, não é bem assim:

  1. a) Os católicos distinguem claramente entre culto de adoração,que devemos somente a Deus, nosso Criador e Redentor; e culto deveneração, o qual implica apenas: respeito, admiração, imitação, amor, etc., como se costuma demonstrar aos pais virtuosos, ou aos heróis da Pátria ou da Igreja, erguendo em honra deles monumentos, e dando seus nomes a cidades, montanhas, praças, ruas, etc. Nada mais humano! Também bíblico!

Até o próprio Deus venera os nomes dos santos patriarcas, permitindo na Bíblia ser denominado “o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó” (Êxodo 3,6). Foi Deus quem enviou o Anjo Gabriel para saudar a Virgem Maria, dizendo: “Ave, cheia de graça!” (Lucas 1,28) e colocou na boca de Isabel as palavras inspiradas: “Bendita sois vós entre as mulheres” (Lucas 1,42). Igualmente, Maria profere as palavras inspiradas pelo Espírito Santo, como está em Lucas 1,48: “Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada,…”. Todas…

Portanto, cumprindo estas profecias bíblicas e repetindo com respeito e amor na oração de “Ave Maria”, a saudação de Gabriel e de Isabel, os católicos cumprem melhor as indicações da Bíblia do que alguns cristãos que não aceitam o jeito católico de rezar. Estes ignoram tudo isso, com o pretexto de rezar somente a Deus. Nós católicos chamamos Maria de bem-aventurada. E você, leitor, a vê assim? Está na Bíblia!

 

  1. b) Com relação àintercessão de Maria e dos Santos, a própria Bíblia aplica o título de “mediador” também a Moisés (Deuteronômio 5,5): “Eu fui naquele tempo intérprete emediador entre o Senhor e vós”. E S. Paulo, na mesma carta em que declara Jesus como único mediador entre Deus e homens, indica também mediadores “secundários” (I Timóteo 2,1): “Recomenda que se façam preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens.”. Ora, fazer orações por outros, é de fato, ser intercessor e mediador entre Deus e os outros.

Alguns de outras crenças admitem que os vivos podem interceder em favor dos outros. Negam, porém, esta possibilidade aos falecidos, mesmo à Virgem Maria e aos Santos. Eis, o que lhes responde a Bíblia: Em II Macabeus 15,12-15 lemos: “Parecia-lhe (a Judas Macabeus) que Onias, sumo sacerdote (já falecido!)… orava de mãos estendidas por todo o povo judaico… Onias apontando para ele, disse: “Este é amigo de seus irmãos e do povo de Israel; é Jeremias (falecido!), profeta de Deus, que ora muito pelo povo e por toda a cidade santa”.

Se, pois, Moisés e Timóteo, em vida, e Onias e Jeremias, depois da morte, como ainda muitas outras pessoas na Bíblia, rezam a Deus e são mediadores entre Ele e o povo, quem poderá proibir esta intercessão à Virgem Maria e aos Santos? Por isso, desde os primeiros séculos, os fiéis cristãos rezavam: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”.

Portanto, as palavras de S. Paulo: “Há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Homem”, a tradição apostólica as entendia desta maneira: Jesus Cristo é o único Mediador (primeiro) que nos mereceu todas as graças e a salvação eterna, pela sua vida, morte e ressurreição. Só ele pode nos dar dos seus méritos, sem recorrer a nenhum outro mediador. Enquanto a Virgem Maria e os Santos intercedem por nós pecadores, como mediadores secundários, por meio de Jesus, recorrendo a seus méritos e sua mediação. É por isso que, cada oração litúrgica termina assim: “por Nosso Senhor Jesus Cristo…” Esta verdade, nós a herdamos dos primeiros cristãos. Antes de serem escritos os Evangelhos, eles aprenderam no “Símbolo Apostólico” (ou Credo dos Apóstolos), a dizer: “Creio na Comunhão dos Santos”. E sejamos gratos a Deus por tão bela verdade, por Ele a nós revelada!

MARIA, MÃE DA IGREJA

Iluminados com a luz da Fé, podemos ver que:  Maria é Mãe da Igreja. Na Bíblia, Maria representa todo o povo de Israel que espera, ansiosamente, o Messias. Em contraste com o NÃO de Eva (representando o NÃO da humanidade – Gn 3, 15), Maria dá seu SIM incondicional a Deus (Lc 1, 38). Assim, ela é associada à obra da redenção. São João o confirma ainda no seu Evangelho (Jo 19,25-27). Na cruz, Jesus entrega sua mãe a São João, que representa ali a Igreja, e entrega João (a comunidade) a Maria. Assim, Maria é a Mãe da Igreja. Ela é também a mãe de cada um de nós, por pertencermos à família redimida por Cristo. Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais em casa para Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Ela é a serva humilde do Pai, que transborda de alegria no louvor. É a amiga sempre solícita para que não falte o vinho na nossa vida.

 É também: O modelo de Fé. Não pensemos que para Maria tudo estava claro desde o início. Não. Ela vivia sua entrega a Deus na fé. Só depois da ressurreição de Jesus, ela viu com clareza o mistério em que estava envolvida. Toda sua vida se expressa nesta frase: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua vontade.” Maria é aquela que meditava e “guardava” a Palavra de Deus no coração e a vivia (Lc 11,27-28; Lc 8, 19¬21). Ela pertencia aos “pobres de Javé”, os humildes de quem fala a Bíblia com tanto respeito.  Era no silêncio da casa de Nazaré que ela educava seu Filho e o preparava para Sua missão. A influência de uma mãe é inegável no ser humano. Toda a grandeza de Cristo é também reflexo da grandeza daquela que o formou.

Nossa irmã, redimida por Cristo. Maria não é só nossa mãe. Ela é também nossa irmã, porque é a primeira do povo de Deus a ser salva por seu Filho. A obra da redenção se realiza em Maria, em toda plenitude. Salva por Cristo, ela é livre do pecado, desde o início da sua existência (Imaculada Conceição), e já entrou na glória eterna, onde participa, em plenitude, da ressurreição do seu Filho (Assunção de Nossa Senhora). Maria já é totalmente redimida.

Discípula de Jesus. O Evangelho de Lucas nos mostra Maria como discípula. Nela estavam as virtudes da discípula: entregou-se à vontade de Deus, guardava a Palavra de Deus no seu coração e meditava sobre ela. O livro dos Atos dos Apóstolos (também escrito por Lucas) nos mostra Maria no meio da jovem Igreja: “Todos, unânimes, eram assíduos na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele” (At 1, 14). Maria estava presente no meio da comunidade como um dos fiéis e participava das primeiras alegrias e tristezas.

 Virgem. A virgindade de Maria tem um forte sentido simbólico. Maria está toda voltada para Deus; é toda amor-doação ao Senhor. Ela é como uma folha em branco, na qual Deus pode escrever o que lhe convier. Não há nenhum obstáculo para a ação de Deus. Pobre e humilde, torna-se fecunda pelo Espírito Santo. Maria é toda de Deus e toda servidora dos homens. Esse é o sentido profundo da sua virgindade.

 Bendita entre as mulheres. Ao pé da cruz, na hora suprema da nova criação, Cristo conduz-nos a Maria; conduz-nos a Ela, porque não quer que caminhemos sem uma mãe; e, nesta imagem materna, o povo lê todos os mistérios do Evangelho. Não é do agrado do Senhor que falte à sua Igreja o ícone feminino. Ela, que O gerou com tanta fé, também acompanha «o resto da sua descendência, isto é, os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus» (Ap 12, 17). Deus quis ouvir a resposta de Maria para realizar seu plano de salvação. Com isso, entrou na Igreja o papel da mulher. Em toda a natureza, encontramos o elemento masculino e o feminino. Homem e mulher se completam e se enriquecem. Na vida social descobre-se, cada vez mais, o importante papel da mulher. Não se pode construir um mundo melhor sem que a mulher desempenhe seu papel ao lado do homem. Para qualquer equilíbrio, precisa-se dos dois elementos. Isso não é diferente na Igreja. Da mesma forma, aqui a mulher tem papel importante a cumprir. É por isso que, assim como Deus quis ouvir a resposta de Maria a seu plano de salvação, ensinamos que também a voz da mulher deve ser ouvida na Igreja, hoje. Vamos ao Terço em cada um dos dias de Maio?! O mês é de Maria!.

*Coordenador da Comissão Diocesana de Doutrina e Fé è Pároco de Cruz

 

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