“A fé que não se traduz em obras é vã”

(Tiago, 2, 20) – Pe. Assis – 10.03.18.

Com a ousadia própria de Dom José, o jornal oficial da Igreja lhe inspirara fundar o Jornal Diocesano.  A dimensão universal, o encontro entre fé e razão, os textos pontifícios e os documentos da Santa Sé estimularam o novo Bispo da nova Diocese, a ter também o seu veículo de comunicação apesar das dificuldades iniciais. O Jornal “Correio da Semana” veio dar mais visibilidade à Igreja Doméstica que se iniciava em Sobral.

O L’Osservatore Romano, em latim, iniciara também, semanalmente, passando depois a ser diário. Todavia, ao longo do tempo, à medida que foram surgindo edições em outras línguas, estas edições passaram a ser semanais. O “Correio da Semana”, desde o início faz jus ao seu nome: sai semanalmente.

Dom José – como dissemos sábado passado – tinha em mente fazer de Sobral, uma “Nova Roma”. Exemplificamos com a Imprensa Escrita, lá e cá. Queremos dar outro exemplo com a Imprensa Falada, em Roma e em Sobral: respectivamente, a Rádio Vaticano e as Rádios Educadora e Tupinambá, sob a coordenação de dois Sacerdotes de sua confiança: o Padre Sabino Loyola e o Padre José Palhano. A Rádio Vaticano havia entrado no ar em 1931. A Rádio Educadora em 1959 (com Dom José vivo) e a Rádio Tupinambá em 1962. Dom José já havia falecido. Ambas tomaram rumos diferentes: a Rádio Educadora se uniu ao Jornal Correio da Semana para evangelizarem. Artigos, crônicas, reflexões, noticias religiosas e políticas faziam parte de suas programações, contando com a equilibrada orientação do Senhor Bispo Diocesano e do Padre Sabino, que tanto se empenhou no reto uso desses canais diocesanos de comunicação. Com a chegada da Rádio Tupinambá, 03 anos depois, ela se encaminhou em outra direção: para a política, já que o Padre Palhano tinha pretensões sob este aspecto.

Dom José tinha uma visão de futuro ou antevisões sempre para além do seu tempo. Antes que a Igreja decretasse (aos 04.12.1963) através de um documento conciliar – o Inter Mirifica – sobre os Meios de Comunicação e o seu uso para a Evangelização, ele já havia instituído em Sobral, órgãos de Imprensa escrito e falados com tal finalidade. De forma direta ou indireta ele foi um dos mentores do desenvolvimento de Sobral e de toda a zona norte do Estado do Ceará, em seus aspectos político e religioso. Sobretudo no aspecto religioso ele é o maior responsável pelo modelo de Igreja autocrática, deixada em Sobral. É claro que o Concílio Vaticano II mexeu também com esse tipo de Igreja em toda parte. Com Sobral não seria diferente.

Neste último 31 de março, estaremos comemorando os 100 anos desta história tão cheia de altos e baixos e de tantas dificuldades, como dizíamos acima. Àquela época, o povo lia muito pouco. Escutava os sermões dos Padres, mas era bom ter alguma orientação a mais, algum roteiro escrito, uma ajuda para fixar os ensinamentos. Dom José entendeu isso. Criou o Jornal.

%d blogueiros gostam disto: