Conselho Diocesano de Pastoral discute segurança pública e superação da violência

Dentro dessa temática, Grito dos Excluídos será realizado no dia 8 de setembro com concentração às 17h na Praça da Catedral

A segurança pública e a superação da violência foram as principais temáticas da III Reunião Ordinária do Conselho Diocesano de Pastoral na quarta-feira, 4, no Centro de Treinamento de Sobral (Cetreso). O encontro reuniu sacerdotes, religiosos(as), representações leigas e o bispo diocesano Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos para refletir sobre a temática. Dentro deste enfoque foi apresentada também a programação do Grito dos Excluídos, que será realizado no dia 8 de setembro com concentração às 17h na Praça da Catedral de Nossa Senhora da Conceição (Sé) e contará com santa missa presidida por Dom Vasconcelos às 19h30. O tema deste ano é “Vida em primeiro lugar” e o lema “Desigualdade gera violência: basta de privilégios”.

As estatísticas da violência englobam cada vez mais homicídios de adolescentes. Em especial em virtude de disputas de facções por poder, a partir de 2017 o volume de assassinatos de adolescentes no Ceará cresceu intensamente. Enquanto em 1998, 897 pessoas foram mortas no Ceará; em 2017, foram 5.134 homicídios, dos quais 897 apenas de adolescentes.

Para superar a violência, foram pensadas ações em quatro eixos principais e apresentadas ao governador Camilo Santana pelos bispos do Ceará no Conselho Episcopal da CNBB Regional Nordeste 1 (Conser). Os pontos são: promoção e respeito aos direitos humanos no centro da concepção de uma segurança cristã, com fortalecimento e ampliação de formas de participação e controle social; prioridade absoluta de crianças, adolescentes e jovens no combate a todas as formas de opressão; fim do encarceramento em massa, da degradação da vida nas prisões e reformulação dos centros educacionais; desarmamento, controle de armas e um sistema de justiça criminal mais eficiente.

Para Dom Vasconcelos, é preciso estar cada vez mais próximo a essas realidades. “Não podemos ter medo de tocar as chagas da humanidade. Não podemos ser insensíveis a essa realidade porque são filhos e filhas de Deus. Quando nos deparamos com os dados da violência, nós nos perguntamos “Onde estamos? O Papa Francisco nos fala da necessidade de uma Igreja em Saída. Não podemos ser superficiais. Precisamos ir às casas das pessoas, contemplar de perto essas realidades”, completa.

O bispo explicou ainda que as reuniões do Conselho são necessárias para acompanhar a execução do plano de pastoral e as metas que a Diocese se propôs a alcançar. “O autor de toda ação evangelizadora é o Espírito Santo de Deus, mas o Evangelho é por nós proclamado e confirmado. Fomos ungidos para sermos sal da terra e luz do mundo. Que cresçamos no ardor missionário e no desejo de servir”. O Coordenador Diocesano de Pastoral, Pe. João Jesuíno Marques, ressaltou que as temáticas estão em sintonia com o Regional Ne 1 da CNBB.

Segurança pública

Avaliando o contexto da segurança pública no Ceará, é possível traçar soluções para superar a violência, segundo a assessora da reunião do Conselho, Ana Letícia Lins, assessora do Regional 1 da CNBB, pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência da UFC e integrante do Fórum Popular de Segurança Pública do Ceará. “A Igreja firmou o compromisso de trabalhar a temática da violência neste ano e nós entendemos que a violência não é natural e que é possível mudar. A Igreja tem um papel fundamental porque muitas vezes consegue chegar aonde a organização social não consegue. Essa construção dentro das comunidades eclesiais de base e das pastorais é fundamental. Precisamos chegar a essas pessoas que estão morrendo”.

O Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência realizou uma pesquisa entre 2014 e 2015 para verificar quais as causas de morte dos adolescentes. Entre os jovens assassinados em Sobral, 56% eram filhos de mães que engravidaram na adolescência, 56% tiveram amigos ou parentes assassinados, 44% se afastaram da escola precocemente, 50% já haviam passado por violência policial e 81% das mortes ocorreram no próprio bairro. “Isso mostra o contexto de vulnerabilidade familiar e social em que esses meninos vivem”, ressalta Ana Letícia.

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