Papa Francisco ensina à Igreja do Brasil a viver a postura da misericórdia e estar em saída

Roda de Conversa com o tema ‘Importância do Pontificado do Papa Francisco para Igreja do Brasil’ discutiu as vertentes sócio-política e eclesiástica do Governo do santo padre

Dos 266 santos padres que antecederam Papa Francisco no Governo da Igreja até hoje, ele é o primeiro nascido no novo mundo, o primeiro latino-americano, primeiro do hemisfério Sul, o primeiro a ter o nome de Francisco, o primeiro não europeu de 1200 anos para cá e o primeiro Papa da ordem dos jesuítas em toda a história. O argentino Jorge Mario Bergoglio prega em seu pontificado uma Igreja em saída, voltada às fontes: as escrituras e os ensinamentos do Concílio Vaticano II, com uma postura de misericórdia e tendo o pobre como interlocutor principal. Os cinco primeiros anos de Francisco como bispo de Roma, celebrados no último dia 13 de março, foram tema da Roda de Conversa “Importância do Pontificado do Papa Francisco para Igreja do Brasil”. O evento foi realizado na quarta-feira, 25 de abril, no Auditório Dom Walfrido.

“Os papas anteriores já haviam falado sobre os pobres e Jesus também já pregava sobre isso: Feliz os pobres porque deles é o Reino dos Céus. Não é uma novidade, mas em Francisco vemos uma Igreja encarnada que toca a carne de Cristo na carne dos que sofrem. A presença do Papa na Igreja e no Brasil não poderia ser menos polêmica: são suas atitudes semelhantes às de Jesus que estão chamando a atenção do mundo para o seu pontificado”, ressalta o Monsenhor Francisco de Assis Magalhães Rocha, sacerdote, sociólogo, mestre e doutor em sociologia, que abordou a dimensão eclesiástica do pontificado de Francisco.

O Papa desde sua eleição na capela Sistina disse ser um grande pecador, mas confiando na misericórdia de Deus aceitaria o pontificado, lembra Monsenhor Assis Rocha. “Francisco inaugura um novo governo da Igreja, trazendo de São Francisco o sentimento restaurador, dando testemunho de simplicidade e pobreza, colocando em prática o Concílio Vaticano II”, ressalta.

Como professor, padre, bispo, arcebispo e cardeal na Argentina, Bergoglio viveu dentro de um projeto missionário focado na comunhão e evangelização com quatro finalidades: comunidades abertas e fraternas, protagonismo de um laicato consciente, evangelização destinada a cada habitante da cidade e assistência aos pobres e enfermos. “Seu objetivo era re-evangelizar Buenos Aires”, explica Monsenhor Assis Rocha.

Dimensão Sócio-política

Para discutir a dimensão sócio-política do pontificado do Papa Francisco, foi designado o Professor Marcos Fábio Alexandre Nicolau, coordenador do curso de filosofia da UVA e docente do mestrado profissional em filosofia. Ele ressalta em sua fala que o pontífice pela sua importância tem a missão de ser porta-voz da sociedade. “A figura de um Papa representa um dos patrimônios morais da nossa sociedade ocidental; o que o Papa fala e faz, as suas ações reverberam na vida das pessoas. O que se espera dele é um modelo moral, ético, de vida. Quando o Papa fala, ouvimos, repensamos, refletimos e pautamos nossa ação”, explica.

O professor lembrou o exemplo de humildade de São João Paulo II, a postura de sabedoria das palavras do Papa Emérito Bento XVI e a vida do Papa Francisco que reverbera na sociedade. “O Papa fala através de gestos compreensíveis por todo mundo. Ele fala de pobreza,  mas reverbera em suas ações”, destaca ao lembrar que no momento da anunciação do novo bispo de Roma, ele se curva para receber oração antes de abençoar o povo. Ele também é uma figura sem adornos e troca o trono por uma cadeira simples de madeira. Politicamente o Papa também busca a unidade na diversidade, de acordo com ele. “A política do Papa é da unidade na diversidade que respeita o outro. Podemos pensar diferente e falar diferente, mas devemos nos respeitar nessas falas”.

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