A face de Dom Pedro I

No Brasil, em Portugal e mundo afora, todos conhecem faces e faces do libertador do Brasil. O jovem que fincou pé nesta terra de Santa Cruz e, em desobediência às cortes portuguesas, disse que ficaria no Brasil, em 9 de janeiro do ano no qual proclamaria a Independência do Brasil; o aventureiro que várias vezes levou queda de cavalos; o homem apaixonado; o musicista que junto a Dona Leopoldina, compôs e executou tantas músicas, autor da música do Hino da Independência do Brasil e seu grito de liberdade, ecoado às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, dá início ao Hino Nacional Brasileiro. Em Portugal, se conheceu o príncipe herdeiro do trono, o Príncipe da Beira; Sua Majestade, o Rei Dom Pedro IV, de março a maio de 1826; o Duque de Bragança após abdicar o trono português em favor de Dona Maria II, sua filha e para garantir o reinado da filha, lutou e foi aclamado o “Rei Soldado”. E sua face, literalmente, real? Como eram os verdadeiros traços fisionômicos do Imperador Dom Pedro I? Parecer-se-ia ele com seus tetranetos, imagens e estátuas? Enfim… A mim, era uma pergunta que não queria calar.

Sempre admirei a figura de Dom Pedro I, um liberal para sua época, defensor do pensamento constitucional em detrimento ao absolutismo. Quando conheci o amigo Cícero Moraes, além de inúmeros santos, apontei a possibilidade de reconstruirmos a face de Dom Pedro I, pois havia visto matéria sobre a exumação dele. Em outubro de 2015, quando trabalhávamos a reconstrução facial de Santa Paulina, já tendo reconstruído Santa Maria Madalena, por meio do casal Antonio Augusto e Rita de Sá Freire (minha madrinha para a Nobre e Pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, Lugartenência do Rio de Janeiro), fomos recebidos por Sua Alteza Imperial e Real Dom Bertrand de Orleans e Bragança, tetraneto de Dom Pedro I (uma grande emoção. Parecia que entrávamos nas páginas da História do Brasil, além do mais ele foi muito gentil e educado), e, a partir daí, iniciamos as conversações. Foram mais ou menos cinco viagens a São Paulo e uma a Brasília. Em todas elas tive com representantes da Família Orleans e Bragança, incluindo com Dom Luiz de Orleans e Bragança, imperador de direito do trono brasileiro.

Uma grande dificuldade foi encontrar o material que permitisse a reconstrução.Depois, superamos entraves legais (Quatro registros em Cartórios de São Paulo e de Sobral)e, ao final, deu certo, quando encontrei uma foto, com créditos de Maurício de Paiva que registrou a exumação do Imperador. Busquei seu contato, iniciamos uma conversação. Acertamos valor que eu custeei, fui ao encontro dele, firmamos um contrato destacando, principalmente, a autoria dele e que a foto não tinha qualquer ônus ou comprometimento com terceiros quanto aos direitos autorais e seguimos.Para a reconstrução, contei com a experiência e boa-vontade do amigo Cícero Moraes. Após exames no crânio do Imperador que, entre outras curiosidades, revelaram que ele tivera o nariz quebrado numa queda (de cavalo), confirmando o que nos disse Sua Alteza Dom Bertrand de Orleans e Bragança, finalmente, graças ao trabalho de Cícero Moraes, conhecemos a face de Dom Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil,herói das pátrias brasileira e portuguesa.

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