ANGELA PRESIDENTE DA ACL

Quando, em 30 de janeiro, aplaudirmos o discurso de posse da Acadêmica Angela Maria Rossas Mota de Gutiérrez na Presidência da mais antiga Academia de Letras do País, a Academia Cearense de Letras, não aplaudiremos apenas a uma pessoa, mas, a uma história. A Academia é local de memória, de muitas pessoas, de múltiplas personalidades. Nas proximidades dos 125 anos da Academia Cearense, alguns nomes desapareceram, outros se perpetuaram e encontramos aqueles que dão continuidade a uma tradição. Embora que com produções diferenciadas e independentes, percebe-se um sobrenome, uma lembrança comum.
Ao tomar posse na Cadeira n° 18 da ACL, em 7/10/1997, Angela fez retorno e não ingresso, pois, seu bisavô, Tomás Pompeu, em cuja casa ela nasceu, foi fundador da Academia e seu primeiro presidente.
A Academia é sediada no Palácio da Luz, edifício construído com o auxílio de mão de obra indígena, em 1781, sendo, inicialmente, a residência do Capitão-Mor; depois à Câmara Municipal e, posteriormente, se tornou sede do Governo do Ceará, por provisão régia do Príncipe Regente Dom João VI, em 27/07/1814. O governo ali foi sediado até a década de 1960 quando o prédio primitivo passou por reforma que o desgastou essencialmente. Em 1989 passou a ser a sede da ACL.
Na gestão do Presidente José Augusto Bezerra, o Palácio passou por restauração e, por ser tombado, o assunto chegou ao Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará – COEPA, onde havia um impasse. Na época (2015), na condição de Conselheiro, fiz voto em separado, pois, viajaria ao exterior, propondo o seguimento da obra, com a retirada de parede que em nada prejudicaria o patrimônio e adequaria a parte interna do prédio às necessidades atuais, deixando-se um marco, o que acabou sendo aprovado por unanimidade, posteriormente, salvo engano havendo uma abstenção.
Angela será a primeira mulher a presidir essa instituição mais que centenária que foi uma das primeiras no Brasil, em 1922, a receber uma mulher como acadêmica. Era Alba Valdez, pseudônimo de Maria Rodrigues que, segundo F. Alves de Andrade, citando Maria da Conceição Souza, biblloteconomista da Academia Cearense de Letras, Maria, “usando ainda de ternura e carinho, tomou o nome de Alba de uma sua grande amiga, filha de Tomás Pompeu”. Liga-se imediatamente à Presidente da Academia, Alba Pompeu é tia-avó de Angela.
Angela Gutierrez que sucede ao Ministro Ubiratan Aguiar na presidência da ACL, é formada em Letras, mestre em Educação e doutora em Letras. Professora do Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará, fundadora e primeira coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UFC, exerceu a direção da Casa de José de Alencar e do Instituto de Cultura e Arte da UFC-ICA.
Romancista, ensaísta, conferencista e poeta, Angela é autora de inúmeros trabalhos publicados em revistas especializadas, jornais e, principalmente, de sete obras que se iniciam com o aplaudido “O Mundo de Flora”, 1990, e, por enquanto, concluem-se com “O Silêncio da Penteadeira”, 2016, ano em que recebeu o Troféu Sereia de Ouro, do Grupo Edson Queiroz.
É casada com o médico Oswaldo Gutiérrez, mãe, avó e, para mim, amiga muito querida.

Vida longa à nova Presidente!

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