Ao Mestre: Padre Osvaldo

O ministério sacerdotal é envolvido pelo maior mistério da humanidade. Ao padre (parafraseando Paulo), tirado do nosso meio para oferecer sacrifícios e representar o Salvador que consolidou o sacerdócio eterno, cabe a consagração do Corpo e do Sangue Eucarísticos de Jesus.
Gerardo Mello Mourão, aclamado o poeta do século XX, dizia, citando Léon Bloy, que a única grande tristeza do homem sobre a terra é a de não ser santo e que lhe faltara heroísmo em não ter seguido na vocação sacerdotal que, segundo ele, é o caminho da santidade. Outra querida amiga que não professava fé, mas, respeitava as religiões, Rachel de Queiroz, dizia que “Mistério é assim: está aí e ninguém sabe”.
Durante muitos anos, aos domingos, eu vinha a Sobral, de Guaraciaba ou de Fortaleza, especialmente para participar da Celebração Eucarística conduzida pelo Professor, Poeta (que, aos 16 anos de idade, compôs os versos que se tornaram o hino de sua terra natal, Granja) e Padre Osvaldo Carneiro Chaves, na Igreja do Abrigo. Educador convicto, o religioso explicava todos os atos praticados na Liturgia. Cada palavra que pronunciava era revestida de tanta fé que encantava a todos os participantes da Santa Missa. Um momento especial era a reflexão acerca das leituras bíblicas na homilia e do tempo que se vivia. À riqueza de conhecimentos do respeitado Mestre, unia-se a fé inquebrantável de quem possui a certeza do seu múnus sacerdotal: unir fé e mistério, levar o Evangelho aos povos, com clareza e mansidão. Devido a sua saúde, o Mestre foi dispensado da Celebração há algum tempo.
Aos 95 anos de idade completados no último dia 21/10, nesse dia se encontrava hospitalizado e Dom Vasconcelos, nosso Bispo Diocesano, celebrou no quarto onde o Pe. Osvaldo estava internado.
Essa semana fui à sua casa na companhia do amigo comum Prof. Valdeci Vasconcelos. Desde que o conheci, tenho o costume de levar-lhe a Folhinha do Coração de Jesus no formato livro nas proximidades do novo ano. Este fim de ano não poderia ser diferente, mesmo considerando como ele se encontra. Lá chegando, fomos ao seu quarto. Ele estava deitado. Além de dona Dulce que há tempos o acompanha, uma irmã dele, uma sobrinha-neta e outra moça ali estavam. O aspecto de riso era o mesmo. Quando disseram que eu ali estava ele exclamou: “Professor!”. Verdadeiramente, por mais que exerçamos o magistério, nos sentimos pequenos para sermos chamados do Professor por tão grande Mestre.
Quando escrevia este texto, lembrei-me que ele sairá no último sábado de novembro e uma explicação do Pe. Osvaldo me veio à mente, acerca do Ano Litúrgico, com seus três ciclos, como ele ensinava, anos A (seguindo o Evangelho de Mateus), B (Evangelho de Marcos), C (Evangelho de Lucas), ao fim dos quais se lê toda a Bíblia tanto no Evangelho quanto nas Leituras, incluindo ainda as leituras do Evangelho de João, nas grandes solenidades. O início do Ano na Liturgia ocorre no primeiro domingo de dezembro, com o Advento, tempo de preparação ao Natal de Jesus.
Não tive como lhe falar das atividades que estamos desenvolvendo em torno do Mons. Arnóbio, a quem ele tanto admirava. Saí um pouco desconcertado, mas, torcendo para que nosso amado Pe. Osvaldo fique bem e que Deus o premie por sua vida dedicada à Causa do Reino.

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