DESCULPAS, NATUREZA!

No dia da Conversão de São Paulo, 25/01, se comemora o aniversário da cidade de São Paulo. Estava prevista grande comemoração, diminuída pela quantidade de chuva que banhou a terra da “garoa”. Mas, o que mais chocou o Brasil e diria o mundo, foi o rompimento da barragem da Companhia Vale S.A, antiga empresa estatal Companhia Vale do Rio Doce, na sede do município de Brumadinho, Minas Gerais. O Estado das Gerais é, em menos de cinco anos, pela segunda vez abalado por tal tragédia. A primeira foi em Mariana, das belas cidades históricas mineiras, e agora, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Eu estava convalescendo de um problema no olho e não dava para ler nem escrever, o que me impediu de concluir algumas leituras que depois comentarei, entre as quais o livro muito precioso de Dom Orani Tempesta, “Se quiser falar com Deus”, que recomendo, e os “Sermões”, do Pe. Osvaldo Chaves. Em face disso, fiquei a ver os noticiários. Não há como não se revoltar, se emocionar com o drama dos que vivem aquela realidade, a natureza destruída, vidas e planos ceifados.
O que planejaria um jovem que ali estava para uma reunião de trabalho? Quanto silêncio houve. Lembro-me de uma música de Leila Pinheiro que diz, “E aquele adeus não pude dar”. Ninguém imaginava tal ocorrência. Quantos cônjuges saíram sem se despedir do outro por aquele(a) estava dormindo? Será que beijou seus filhos? Ah… É um drama e só mesmo a confiança em Deus que é maior que tudo amparará e confortará essa gente que tanto sofre.
O tempo vai apontar os culpados, as razões e cabe a todos, empresários, governo, sociedade civil, cobrar e envidar esforços para que isso não se repita. Ali não foi um caso fortuito ou provocado pelas forças da natureza. Foi omissão humana. É claro que ninguém queria que tal coisa acontecesse, mas, faltou previdência de quem de direito, o que espero seja apurado e reparado, mas, e as vidas e a natureza?
As vidas ceifadas confiamos a Deus, autor da vida, e à Justiça. Deus as acolha e conforte seus entes queridos. A Justiça dos Homens, desejamos que permaneça firme e seja célere. Sabemos que as autoridades em todos os níveis, federal, estadual ou municipal têm se empenhado e a Justiça agiu de forma muito rápida, do que aplaudimos. Esperamos que essas ações se deem de forma preventiva, daqui para frente e não somente após a ocorrência da catástrofe.
Muitas matérias, notícias e fotos nos emocionaram e nos emocionarão. Uma em especial, me chamou a atenção. Uma reportagem da Rádio CBN, publicada na terça-feira, dia 29/01, sob a responsabilidade de Pedro Durán, destacava uma aldeia indígena atingida pela lama da barragem, no que diz respeito à água. Trata-se de uma comunidade Pataxó, com 65 índios que vivem em função do Rio Paraopeba, a 22 km de Brumadinho. A lama chegou ao rio da aldeia. A água potável teve que ser levada à aldeia pela Funai. Uma índia entrevistada na matéria indagava sobre a ganância do homem branco. Se os responsáveis conseguiam dormir em paz, após aquele triste episódio. A matéria é concluída citando a “Festa das Águas” que os índios fazem e, comoventemente, dizia: “eles agradeceram por não terem sido atingidos pela lama e pediram desculpas para natureza pelo que aconteceu”; desculpas que endossamos!

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