Dia da Árvore e Primavera

Vinte e um de setembro é o dia árvore, comemorado no Brasil três dias antes do início da primavera no hemisfério Sul, quando acontece o reflorescimento da flora. Diz o ditado que todo homem deve “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”, assim prolongaria sua existência. Vindo da roça, muitas vezes vi se plantar árvores, até mesmo as plantei, sem ter a certeza de que desfrutaríamos de sua sombra, pois, muitas demoram a crescer. Outras são frutíferas e nada é mais agradável ao agricultor do que experimentar a primeira colheita. É ela sempre a mais esperada, a mais querida e inesquecível.
Particularmente, vemos que há um nexo de causalidade entre árvore e livro, visto que o livro é feito da celulose provinda das árvores. O homem (o filho) será o que utilizará o livro e, se for sábio, plantará árvores, tornará o mundo mais belo, mais verde, mais florido.
No dia da árvore, lembremo-nos da importância dela, da necessidade que temos para o meio-ambiente, para respirarmos, para nos oferecer sua sombra, seus frutos. E a mente volve aos tempos de escola e, mentalmente, recito o poema “Velhas Árvores”, de Olavo Bilac: “Olha estas velhas árvores, mais belas/ Do que as árvores novas, mais amigas:/ Tanto mais belas quanto mais antigas,/ Vencedoras da idade e das procelas…/ O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas/ Vivem, livres de fomes e fadigas;/ E em seus galhos abrigam-se as cantigas / E os amores das aves tagarelas.// Não choremos, amigo, a mocidade!/ Envelheçamos rindo! Envelheçamos/ Como as árvores fortes envelhecem://Na glória da alegria e da bondade,/ Agasalhando os pássaros nos ramos,/ Dando sombra e consolo aos que padecem!”
As árvores nos dão lições. São amigas, ternas, companheiras. Quantas delas são centenárias? Quantas gerações viveram? Por quantas estações passaram? Sofreram frio, calor, sede ou inundação? Por tudo passaram e seguiram. A vida pode ter-lhes sido grata ou ingrata, mas, elas cumprem seu destino, até que um dia a mão humana pode destruí-las ou preservá-las. A decisão é de cada um. E por falar em estações e vida, quando cursava doutorado em Buenos Aires, ousei rabiscar um pequeno poema e surgiu, “Estações”: Floresce!/ A primavera chegou/ Encantando a todos;/ A paz parece inundar nosso ser.// O frio chega acompanhado da chuva/ Nostálgica, a chuva leva nossas lembranças,/ Alimenta a Terra-Mãe,/ Que nos dará frutos.// De repente, não chove!/ O frio parece entrar alma adentro/ E o vento deseja levar-nos junto com as folhas/ Para local incerto e não sabido.// É a “estação dos loucos”: outono!/ O vento é tão inquieto…/ Minhas mãos não alcançam meu pensamento…/ Tento, em vão, acompanhar o vento…// O sol desponta fortemente/ Queimando as folhas,/ Evaporando a água, é verão/ Reascendendo o desejo de que a chuva retorne.// Estações:/ Diferentes formas de se enxergar/ A vida humana, contraditoriamente,/ Sensata e insensata, conforme a estação!
Vivamos cada estação de nossas vidas. É setembro. Em três meses será dezembro e o amor se fará ternura em Deus, que se humaniza. Exatamente dia 23, termina a primavera e ainda no colorido da natureza, receberemos o Salvador, abrigado numa manjedoura de madeira do que um dia foi uma árvore, a partir de então, sagrada!

%d blogueiros gostam disto: