O SACERDOTE DE VOLTA AO TEMPLO: PADRE DOURADO!

A coluna desta semana é quase um testemunho. Criança sonhei em ser sacerdote. Uma das figuras sacerdotais que me influenciaram foi a do grande pregador e psicólogo Padre Joaquim Colaço Dourado. Em Fortaleza, assisti a missas suas, ouvi conselhos; seu exemplo edificava. Padre Dourado fechava os olhos para fazer seu sermão. Parecia uma conversa que ele intermediava de Deus-conosco, com mensagem sábia, bem preparada e muita fé.
Padre Dourado celebrou a Missa em Ação de Graças pela minha formatura em Direito, na Igreja da Sé de Fortaleza. Na ocasião foi cumprimentar a mim e a escritora Rachel de Queiroz, minha madrinha, e disse: “Estão bem acompanhados!”.
Quando o Padre Dourado faleceu, há exatos 5 anos, em 23/03/2014, eu estava realizando meu estágio de pós-doutorado, no sul da Itália. A mamãe tomou conhecimento e me avisou. Emocionado liguei para o irmão do Pe. Dourado e meu querido amigo, Prof. Antonio Colaço Martins. Na hora, estavam saindo com o corpo do Pe. Dourado para ser sepultado. Me indaguei em silêncio: por que o sepultamento não teria sido na própria Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, o templo sagrado que ele fez questão de edificar, ao qual dedicou a maturidade de sua vida, de sua fé, tendo iniciado a obra com quase 70 anos?
Vim ao Brasil para Missa em sufrágio do Padre Dourado, conduzi sua sessão de saudade na Academia Brasileira de Hagiologia, onde seu patrono era o apóstolo com quem ele tanto se identificara, São Paulo. Retornei à Itália para a finalização dos trabalhos do pós-doutorado e já de volta, o Prof. Colaço e eu lançamos sua biografia, “Padre Dourado: Uma Missão Divina”, cuja ideia se deu quando eu ainda chefiava o Gabinete do Prof. Colaço na Reitoria da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Na fundação da Academia Cearense de Cultura, fizemos o Padre Dourado patrono de uma cadeira e o primeiro ocupante é o Prof. Colaço. Mons. João Jorge tem assento nesta Academia também.
Um dia, a inquietação do local da sepultura do Padre Dourado retornou à mente. Um sacerdote amigo havia falecido e foi sepultado na própria Matriz de sua Paróquia. Indaguei ao Prof. Colaço se a família aprovaria a trasladação dos restos mortais do Pe. Dourado para a Igreja De Lourdes. Ele consultou seus irmãos e todos apoiaram a ideia. Fui então ao Mons. João Jorge Corrêa Filho, pároco De Lourdes, vigário geral da Arquidiocese, meu confrade na Academia Cearense de Cultura e, acima de tudo, amigo. Ele também aprovou a ideia. Conversou com o Sr. Arcebispo de Fortaleza que deu seu nada obsta. Começamos os preparativos.
Sabendo que o Dr. Paolo Vilotta, italiano, conceituado e respeitado postulador de diversas causas de beatificação no Brasil e no mundo, viria realizar trabalho canônico de grande importância, indaguei-lhe se ele poderia dirigir, também, a exumação do Pe. Dourado. Ele aceitou. Junto com familiares, dois sacerdotes, incluindo o Mons. João Jorge, e a Ir. Maria de Jesus da Silva, assistimos ao procedimento no Cemitério Parque da Paz. Assim foi realizado.
Neste sábado, 23, os restos mortais do Pe. Dourado, em urnas de acrílico e madeira, fabricadas em Sobral, serão inumados na Igreja De Lourdes, em Fortaleza, e os que o amamos ficamos com a sensação de que ele voltou para casa!

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