Campanha de combate à dengue em Sobral contará com mais de R$ 100 mil

Município cumpriu seis critérios para ser contemplado no rateio de R$ 10 milhões do Governo do Estado

O período da quadra chuvosa passou. No entanto, a população deve seguir os mesmos cuidados para evitar acúmulo de água e novos focos do mosquito aedes aegypti, responsável pela transmissão dos arbovírus que causam dengue, zika e chikungunya. O auxiliar de produção Raimundo Nonato Paiva, 45, sabe que precisa conservar bem vedados os reservatórios de água na sua casa e ouve atento às orientações do agente de endemias da prefeitura, Valdo Xavier. “É importante o agente para combater a dengue”, garante Raimundo. Em Sobral, a Campanha de Combate ao Mosquito receberá um investimento extra superior a R$ 100 mil do Governo do Estado.

Sobral é um dos 100 municípios contemplados para o rateio de R$ 10 milhões do programa “Todos contra o Mosquito” por ter cumprido seis critérios, entre os quais a criação de um Comitê Municipal Intersetorial de Combate ao Aedes, apresentar um Plano Municipal de Ação de Vigilância e Controle das Arboviroses para o ano de 2018 e atingir a cobertura mínima de 80% dos imóveis. Além de Sobral, na 11ª Região de Saúde serão beneficiados Alcântaras, Cariré, Catunda, Coreaú, Massapê, Meruoca, Pacujá, Reriutaba, Senador Sá e Uruoca.

A equipe de endemias visita e inspeciona a cada ciclo de no máximo 60 dias cerca de 80% dos 104 mil imóveis catalogados pela prefeitura, segundo a coordenadora da vigilância em saúde da Secretaria de Saúde de Sobral, Francisca Leite Mendonça Escócio. O benefício “comprova o trabalho que é feito no controle ao mosquito”, segundo ela. Escócio completa que Sobral é o único município com mais de 200 mil habitantes a conseguir cumprir os seis critérios. Ela ressalta que a cidade é dividida por territórios para que os agentes possam ser mais efetivos no trabalho.

Escócio lembra ainda que o trabalho que tem sido desenvolvido reduziu consideravelmente o número de casos de arboviroses na cidade. No ano passado, foram confirmados 1.428 casos de chikungunya contra apenas três este ano. Foram 31 pessoas com dengue no ano passado e apenas um em 2018. Nos dois anos não foram confirmados casos de zika vírus.

Mais de 90% dos focos de dengue são encontrados dentro das residências, de acordo com Escócio. “Precisamos da ajuda da população para conseguirmos juntos eliminar o aedes aegypti”. Neste ano, dos 2.721 focos do mosquito encontrados na cidade, as residências foram responsáveis por 2.457, enquanto os terrenos baldios por apenas 24.

Combate

“O risco da dengue continua o ano inteiro. Por isso, é preciso cuidar dos depósitos de água”, ressalta o supervisor de área de endemias, João Vinuto. Ele explica que com a crise de falta d’água na cidade, muitas pessoas acabam acumulando água em baldes. Além de bem tampados, os reservatórios precisam ser lavados a cada sete dias para eliminar as larvas. Canuto ensina ainda que é preciso descartar na areia a água que possa conter larvas para evitar que o ciclo do mosquito continue nos esgotos. É um trabalho de educação e saúde. O mais importante é a consciência da população”, garante. Os horários que o mosquito normalmente ataca é pela manhã (entre 6h e 8h) e à tarde (entre 16h e 18h). Usar repelente nesses horários também ajuda a evitar adoecer, de acordo com ele.

Os agentes de endemias trabalham visitando as residências para orientar a população, fazem pesquisas para identificar focos do mosquito e seguem com o tratamento com larvicida. A última a ser inspecionado é a caixa d’água e a primeira a receber o larvicida. O agente de endemias Valdo Xavier explica que os materiais de pesquisa são divididos por cores para cada tipo de água: vermelho em esgotos, azul para água de banho ou de lavar roupas e verde para água de beber ou cozinhar. O supervisor de área de endemias Francisco da Ponte Silva Filho acrescenta que “todos os depósitos com água devem ser inspecionados”, garante.

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