Ceará tem previsão de chuvas acima da média histórica em 2018

Meses de fevereiro, março e abril devem trazer alto índices de precipitações. Expectativa é de que o centro-norte do estado esteja acima da média histórica, enquanto o centro-sul, dentro da normalidade

Teresa Fernandes

Jornalista

Correio da Semana

Após seis anos de chuvas abaixo da média, a expectativa é de que as precipitações no Ceará fiquem acima da média histórica na quadra invernosa em 2018. O período chuvoso, que vai até abril, tem 40% de probabilidade de estar acima da média. A previsão em torno da média é de 35% e abaixo da média, 25%. A expectativa é ainda que o centro-norte do estado esteja acima da média histórica, enquanto o centro-sul, dentro da normalidade. O mês de março é o mais favorável às chuvas. As informações foram divulgadas na última quinta-feira, 22, pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A coletiva de imprensa contou com a presença do Governador do Estado, Camilo Santana.

A boa expectativa de chuvas não é garantia de que os reservatórios de água do estado todos sejam cheios este ano, de acordo com o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins. “O cenário para fevereiro, março e abril é mais favorável que no ano passado com boa previsão de chuvas. Com relação ao aporte dos reservatórios, o ano pode ser chuvoso, mas pode não ser significativo para o Ceará como um todo. Boa parte dos reservatórios estão secos”, explicou.

Eduardo Sávio defendeu que é necessário pensar a gestão da água não somente para um ano, mas também a longo prazo. “O Ceará não tem nenhuma área que não esteja em condição de seca”, destacou lembrando que os últimos seis anos reduziram consideravelmente o volume dos reservatórios. O presidente da Funceme disse ainda que a expectativa para a quadra chuvosa é melhor este ano em todo o Nordeste. Rio Grande do Norte deve apresentar precipitações acima da média, Ceará e Paraíba levemente acima da média. Sergipe, Alagoas e Pernambuco ainda devem permanecer abaixo da média.

O Governador Camilo Santana destacou que apesar de uma probabilidade otimista de chuvas, é preciso seguir com as políticas públicas. “Importante compreender que temos uma maior probabilidade de chuvas este ano, mas isso não significa que vamos reduzir nossa preocupação. Vamos continuar mais firmes para garantir o abastecimento da população cearense”, disse. Santana lembrou que entre as ações foi feito um corte de 70% no uso da água para a irrigação, redução de 20% para a indústria e de 18% no consumo familiar através da tarifa de contingência.

Com as ações do estado foi possível garantir uma economia de quase 300 milhões de m³ água por ano. Entre as obras estruturantes, Santana citou a transposição do Rio São Francisco e o cinturão das águas, além da construção de mais de 400 km de adutoras, perfuração de poços e iniciativas de reúso de água.

O Secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, disse que para garantir o abastecimento de água mesmo nos anos de seca foi necessário investir em tecnologia. “Temos conseguido sobreviver a esses anos de seca, o que não é fácil. Temos nos pautados em sempre buscar a tecnologia da forma mais adequada possível. Precisamos olhar a água dos reservatórios e fazer previsões para que enxerguemos não só a situação atual, mas a situação que poderia ser formada no segundo semestre e em 2019”, destacou. O trabalho, de acordo com o secretário, tem sido centrado na busca e diversificação das fontes hídricas e na gestão da água.

Oceanos

O sistema de previsão da quadra chuvosa também leva em consideração o monitoramento dos oceanos. “O sistema é muito mais complexo, com muitos fatores que influenciam. O cenário hoje é melhor que no ano passado em relação ao oceano pacífico”, avaliou Martins.

O padrão observado indicou, no oceano Pacífico equatorial, a atuação do fenômeno La Niña, de fraca intensidade, que se iniciou no trimestre de setembro a novembro de 2017. No oceano Atlântico tropical, foram registradas condições gerais de temperatura da superfície do mar próximas da neutralidade. “Já estamos já pensando no próximo ano e nos preocupamos com todos os prognósticos”, afirma o presidente da Funceme.

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