Celebração Catedral de Nossa Senhora da Conceição inicia festa da padroeira

Festejos são celebrados entre os dias 28 de novembro e 8 de dezembro. Haverá novena diária e missa às 6h e às 18h30, além de momento mariano e hora da misericórdia

Teresa Fernandes

Jornalista

Correio da Semana

A cidade de Sobral está celebrando sua padroeira Nossa Senhora da Conceição, cujo dia da festa é 8 de dezembro. A Catedral está promovendo uma programação que inclui missa, novena, momentos marianos com o ofício de Nossa Senhora e hora da misericórdia. Em comunhão com o Ano do Laicato, o tema da festa neste ano é “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino” e o lema é “Sal da Terra e Luz do Mundo”.

A programação teve início na última terça-feira, 28, às 5h30 com repicar dos sinos, “anunciando e convocando a todos para este retiro espiritual”, ressaltou o pároco da Catedral, Pe. José Lucione Queiroz Holanda. Às 6h, foi realizada a santa missa de abertura. Às 12h, a programação seguiu com o canto do Santo Ofício da Imaculada Conceição e às 18h foi realizada uma carreata saindo da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e percorrendo algumas ruas da cidade, passando próximo a algumas paróquias como Sagrado Coração de Jesus, Patrocínio e o Santuário São Francisco em direção à Catedral. Ao final da carreata, houve solene Bênção do Santíssimo e hasteamento da bandeira.

Os fieis poderão contar com dois horários de missa e novena até o dia 7 de dezembro: às 6h e às 18h30. Também seguirá diariamente o Santo Ofício às 12h e a hora santa com o terço da misericórdia e momentos com a Santíssima Eucaristia às 15h. Estarão acontecendo confissões entre 17h e 20h. Também está sendo realizado o momento social com barraca e comidas típicas. No dia 7 de dezembro haverá um leilão e uma rifa com 12 prêmios, entre os quais uma moto.

No encerramento da festa, haverá missa às 6h30, solene missa com o bispo diocesano Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos às 9h, liturgia das vésperas às 16h e procissão seguida de santa missa às 17h. Neste ano, além de Dom Vasconcelos, também temos como bispos celebrantes Dom Francisco Edmilson Noves (Bispo da Diocese de Tianguá) na sexta-feira, 1º, e Dom Aldo Di Cillo Pagotto (Arcebispo Emérito da Paraíba), no dia 7. O vigário geral da Diocese de Sobral, Mons. Gonçalo de Pinho, presidirá a Santa Missa no dia 5.

“É um momento bem familiar que podemos viver a alegria nesta nossa festa religiosa. O que temos de melhor é o pão da palavra e da eucaristia. Que com Maria possamos fazer essa caminhada ao encontro do Senhor da vida. Que Deus nos abençoe nessa caminhada”, ressalta Pe. Lucione.

Antes dos festejos também foi realizada a pré-festa na qual imagens da Virgem Maria foram sendo levadas às famílias da paróquia. Foram 22 grupos missionários enviados às ruas para rezar orações marianas e meditar acerca da palavra de Deus. Além da festa, a paróquia também conta com atividades de visitas às famílias no mês de maio, houve recentemente um curso de liturgia e está acontecendo também a escola catequética para fortalecer os sacramentos. A paróquia também está reestruturando os grupos e pastorais, em especial a pastoral familiar e da sobriedade. “A Catedral é a Igreja mãe da Diocese, mas está localizada em uma área comercial no Centro. Mas também temos muitas atividades nas capelas da zona rural e nos bairros”, destaca Pe. Lucione.

Histórico da Paróquia

O Curato de Acaracú (Acaraú) foi criado por volta de 1712 e abrangia as terras compreendidas entre os rios Mundaú e Parnaíba. No mês de julho de 1742, o visitador Lino Gomes Correia que viajava de São José (atual Patriarca) para a região denominada Riacho Guimarães, pontos onde havia capelas, parou para descansar na fazenda Caiçara, resolvendo estabelecer ali a sede do Curato por estar àquela fazenda situada, mais ou menos, no centro de seu território. Foi prontamente apoiado pelo proprietário da fazenda, Antonio Rodrigues Magalhães que, de bom grado, cedeu o terreno necessário para a instalação da mesma. Ali nasceria nossa cidade de Sobral, como não podia deixar de ser, sob a Hégide da Cristandade Católica.

No ano de 1757, por provisão do Bispo de Pernambuco, Dom Francisco Chavier Aranha, ao Visitador José Pereira de Sá, o Curato foi dividido em quatro freguesias a saber: Nossa Senhora da Amontada, Santo Antonio de Pádua, São Gonçalo do Amarante e Nossa Senhora da Conceição da Caiçara. Esta última abrangia a área compreendida desde a barra do Rio Acaraú (no litoral) até a barra do Rio Macaco (no interior, região de Santa Quitéria).

Segundo o historiador Pe. Tomáz Pompeu esta provisão seria modificada através de dois alvarás, um de 1773 e outro 1776, que dividiam a região em duas freguesias: Sobral e Granja. A freguesia de Sobral foi denominada freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Caiçara, estendendo-se da barra do Acaraú até a barra do Rio Macaco, alcançando para o norte, o sopé da Serra da Ibiapaba onde estremava com a freguesia de Granja.

Mais tarde, em áreas desmembradas de seu território, seriam criadas as paróquias de Santa Quitéria (1823), Sant’Ana (1848), Acaraú (1852) e Massapê (1911). As demais Paróquias só seriam criadas após a elevação de nossa Paróquia à Diocese.

 

 

RELAÇÃO DOS VIGÁRIOS

Foi primeiro Cura de Nossa Senhora da Caiçara, o Pe. João de Matos Monteiro (Pe. Matozinho), português que chegou à ribeira do Acaraú nomeado no ano de 1712 como coadjutor de seu tio, Pe. João de Matos Serra, Cura da Freguesia de São José de Ribamar (atual Fortaleza), cuja jurisdição pertencia àquela região.

Com a criação do Curato do Acaraú que se estendia desde o litoral até ao pé da Serra da Ibiapaba, a pedido dos moradores da região, o Pe. Matozinho foi nomeado seu primeiro Cura a 28 de Março de 1722 e exerceu suas funções até 1724, quando veio para substituí-lo, o Pe. Pedro da Cunha, o qual não chegou a tomar posse por não ser aceito pela população. Foi enviado então o Pe. José Dias Ferreira, 2º Cura que aqui permaneceu apenas seis meses.

Os primeiros documentos escritos, após o Pe. José Dias, datam de Outubro de 1725 (assentamentos de casamentos e batizados) feitos pelo novo Cura o Pe. João da Costa Ribeiro, que foi o 3º Cura da Caiçara e que aqui permaneceu até o ano de 1729. Este Cura fez construir a Capela de Nossa Senhora da Conceição de Beruóca (Meruoca) no ano de 1728.

O 4º Cura teria sido o Pe. Isidoro Rodrigues Resplande, originário de Portugal. Segundo Dom José Tupinambá da Frota, ele teria assumido o Curato sem nomeação oficial, pois, nos assentamentos registrados por ele não consta a costumeira declaração do cargo, o que só se verifica a partir de Novembro de 1731. Pelos assentamentos constata que ele aqui permaneceu entre Janeiro de 1730 e Outubro de 1734. O Pe. Elias Pinto de Azevedo, também, português, teria sido o 5º Cura da Caiçara. Veio nomeado Cura e Vigário da Vara do Acaraú, em 1734 até 1740, quando se retirou.

Assumiu o Curato o Pe. Lourenço Gomes Lelou, brasileiro, natural de Olinda (Pernambuco), nomeado por provisão de Dom Frei Luiz de Santa Tereza, Bispo de Pernambuco, em Janeiro de 1740. Foi ele o 6º Cura da Caiçara. A 8 de Outubro de 1744 tomou posse do Curato, como 7º Cura e 1º Vigário o Pe. Antônio de Carvalho Albuquerque, Pernambucano, que aqui permaneceu até 1758. Ele deu início à construção da primeira matriz, a qual seria mais tarde demolida.

O 2º Vigário teria sido o Pe. Manoel da Fonseca Jaime, natural de Olinda, que regeria a Paróquia entre os anos de 1758 a 1762, quando se retirou, sendo substituído, interinamente, pelo Pe. Inácio Gomes da Silva, de Julho a Dezembro daquele ano.

Sobral contou com 13 vigário, o último dos quais Dom José Tupinambá da Frota, que seria seu primeiro bispo. Nascido em Sobral a 10 de Setembro de 1882, ele fez seus estudos básicos em sua cidade natal, seguindo para a Bahia, onde concluiu o curso preparatório para o sacerdócio. Dali seguiu para Roma no ano de 1899, onde concluiu seus estudos, no Colégio Pio Latino Americano e na Pontifícia Universidade Gregoriana, onde recebeu diploma de Doutor em Filosofia e Teologia. Por provisão de 10 de Fevereiro de 1908 foi nomeado Vigário de Sobral, sua terra natal, tomando posse no dia 23 do mesmo mês.

Diocese de Sobral

Criada a Diocese de Sobral, foi nomeado seu primeiro Bispo em 1916. Foi sagrado Bispo na Baía a 29 de junho daquele ano e a 22 de Julho, do mesmo ano, tomava posse do Bispado. Antes de terminar seus estudos, em Roma, recebeu insistentes convites da Diocese do Rio de Janeiro e do Seminário de São Paulo ao que, conta o próprio Dom José, sua resposta era: “Dependo do Senhor Bispo do Ceará e farei o que ele mandar”. Ao regressar de Roma, diante da insistência do Seminário de São Paulo, o Bispo de Ceará concedeu licença de um ano para que o Padre Tupinambá se deslocasse para lá. Ao fim daquele ano, 1907, ele regressou à terra natal, para satisfação do referido Bispo Dom Joaquim que logo o nomeou Vigário de Sobral, de onde ele, por vontade própria, nunca mais sairia.

Com a criação da Diocese, naturalmente, se restringiram a importância e abrangência das funções do Vigário que passa a ser, hierarquicamente, subordinado ao Bispo Diocesano. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição passou a ser denominada “Sé”, o que significa “Igreja Episcopal” (Igreja sede da Diocese), e com ela, assim foi denominada a Paróquia que abrangia na área rural as seguintes capelas: Forquilha, Patriarca, Várzea do Pinto e Trapiá. Já na área urbana: Menino Deus, Nossa Senhora das Dores, Santuário São Francisco, Nossa Senhora do Rosário, Santo Antônio, Nossa Senhora das Graças (Abrigo), Preciosismo Sangue ( Seminário da Betânia, atualmente UVA), Sagrado Coração de Jesus e São Pedro.

 

Igreja Matriz

Atualmente a Catedral está passando por uma restauração com recursos provindos do Governo Federal, levando em conta a sua condição de patrimônio histórico. Em 1742 ainda não se havia dado começo à edificação da Matriz, nessa época era o cura o Pe. Lourenço Gomes Lelou, que por motivo ignorado não pôde cumprir a determinação do Visitador. Foi o seu sucessor o Pe. Antônio de Carvalho e Albuquerque, que iniciou a construção da Matriz.

Desde então o Pe. Antônio de Carvalho, então cura, dedicava-se a recolher donativos, em dinheiro, ou em materiais para a obra. A obra iniciou-se no ano de 1746 por provisão de Dom Frei Luis de Santa Teresa, bispo de Olinda, servindo, nesse tempo, de Matriz a capela de Nossa Senhora do Rosário do Riacho do Guimarães.

A construção da nova Matriz prosseguia de acordo com a provisão deixada pelo então Visitador José Pereira de Sá, todavia, as obras estavam sendo executadas a passos deveras lentos, por isso, o Visitador da época, Manoel Machado Freire, deixou, observando a falta de interesse dos fieis pela construção de sua nova Matriz, provimento datado de 1747, que ditava algumas medidas que o Cura da Matriz deveria adotar para angariar recursos para o término da obra.

Não consta quando foram concluídos os serviços de construção, nem quando foi benta a Igreja, que segundo costume do tempo, tinha uma única porta na frente com duas pequenas janelas em cima, correspondentes ao coro, sem torres com o pavimento de barro batido e com única sacristia do lado do nascente. A primeira referência à Nova Matriz de Sobral encontra-se no Termo de Batismo de párvulo, que foi efetuado aos 19 de Dezembro do ano de 1746.

Notadamente devido aos poucos recursos empregados na construção da nova Matriz da Caiçara, a mesma apresentava uma estrutura precária, pois, segundo Dom José, quatorze anos após sua construção já ameaçava ruína. Sendo uma testemunha disso o então Visitador, o Dr. Veríssimo Rodrigues Rangel, que de acordo com Provimento datado de 20 de Agosto de 1760, chama a atenção dos “fregueses” para a iminente ruína de sua Matriz, ainda em preto interna e externamente.

Algumas advertências foram dadas pelo Visitador Dr. Veríssimo Rodrigues Rangel de como poderiam angariar mais recursos, e ainda, de como poderiam conservar por mais tempo a estrutura da, já precária, matriz. Mas mesmo com todas essas advertências e medidas tomadas para garantir a segurança da obra, não se pode evitar a ruína já prevista. Tanto que, o Pe. João Ribeiro Pessoa, logo que substituíra o Pe. Albuquerque, no ano de 1762, resolveu demolir a capela-mor para reconstruí-la com maior solidez, o que foi executado pouco tempo depois, mas não no mesmo local.

A planta da Igreja o Pe. João Ribeiro Pessoa trouxe de Recife. Segundo relatos de Dom José, a construção da nova matriz devia ser feita com a forma de uma cruz latina, podendo observar essa forma, antes da reforma que a matriz sofreu em 1876, quando a Igreja era dividida em quatro partes, como se estivesse destinada a cobrir uma área semelhante à de uma cruz.

Estando o Pe. João Ribeiro em Recife, e sabendo que as portadas de mármore, recentemente adquiridas para a Igreja do Corpo Santo daquela cidade, não se ajustavam às dimensões das portas do referido templo, o mesmo apressou-se em comprá-las de imediato e trouxe-as para Sobral, juntamente com o belíssimo lavatório da mesma pedra, que ainda hoje podemos observar na entrada da sacristia da Catedral, e as pias de água benta que podem ser encontradas ao lado da porta principal. O Pe. João Ribeiro Pessoa era uma pessoa de muito bom gosto, por isso queria dotar a nova matriz de tudo que era mais belo, para torná-la um templo vasto, elegante e ao mesmo tempo imponente.

 

 

Párocos

Pe. Francisco Leopoldo Fernandes Pinheiro (1916 – 1919)

Pe. Eurico de Melo Magalhães (1919 – 1922)

Pe. José Gerardo Ferreira Gomes (1922 – 1934)

Pe. Domingos Rodrigues Araújo (1935 – 1976)

Pe. Gonçalo de Pinho Gomes (1976 – 2012)

Pe. João Batista Rodrigues Vasconcelos (2012-2017)

Pe. José Lucione Queiroz Holanda (2017 a atual)

Capelas

Capela de Nossa Senhora das Dores – Centro de Sobral

Capela de Nossa Senhora do Rosário – Centro de Sobral

Capela da Santíssima Trindade – Bairro das Pedrinhas Sobral

Capela de São Pedro – Bairro Dom Expedito

Capela de Nossa Senhora da Conceição – Patriarca

Capela de Nossa Senhora de Nazaré – Alegre

Capela Santo Antônio – Mutuca

Comunidade Bairro Tamarindo

Comunidade Marrecas

Comunidade Bairro das Nações

 

%d blogueiros gostam disto: