Centenas de fiéis participam de missa na quarta-feira de cinzas na Catedral

Bispo diocesano Dom Vasconcelos lembra que o tempo da quaresma é propício para a vivência de três exercícios espirituais: caridade, oração e jejum

Para bem viver o tempo da Quaresma, o Senhor nos ensina por meio do Evangelho três exercícios espirituais: caridade, oração e jejum. “Façamos da Quaresma uma escada de quarenta degraus que nos conduz à Páscoa”, destaca o bispo diocesano Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, que presidiu santa missa na quarta-feira de cinzas na Catedral de Nossa Senhora da Conceição (Sé). A celebração eucarística reuniu centenas de fiéis que lotaram a Paróquia.

A Quaresma, tempo propício à conversão que prepara os cristãos para vivenciar a Páscoa do Senhor, tem início na quarta-feira de cinzas. A Santa missa foi concelebrada pelo pároco da Catedral, Pe. Lucione Queiroz, pelo vigário da Catedral, Pe. Herlandino Sampaio Paiva, pelo sacerdote da Comunidade Shalom, Pe. Paulo Henrique Morais e pelo reitor do seminário propedêutico, Pe. Jocélio Mendes.

Durante sua homilia, Dom Vasconcelos ressalta que durante todo o ano litúrgico podemos acompanhar a caminhada de Jesus, mas é fundamental a preparação para a Páscoa no período da quaresma. “O centro do ano litúrgico é a Páscoa do Senhor. É a razão e o fundamento da nossa fé. Se Jesus não tivesse Ressuscitado, vã seria a nossa fé. A Páscoa não é só a celebração litúrgica, mas a passagem da escravidão para a liberdade, como celebravam os judeus. Passagem de morte para a vida”, destaca.

Para vivenciarmos a Páscoa, o Senhor concede o tempo propício da quaresma. “O Senhor nos convida a fazermos a Páscoa, passagem de uma vida velha para a nova e para isso nos aponta três exercícios espirituais: a caridade, o jejum e a oração”, explica. O bispo lembra que o Papa Francisco convocou jejum no dia 23 de fevereiro para combater a violência.

O tempo de quarenta dias foi marcado por Deus desde a antiguidade. No Antigo Testamento, o Senhor viu que havia uma família temente a Deus e pediu que Noé construísse uma barca e anunciasse ao povo que o Senhor faria chover durante 40 dias e 40 noites. “O dilúvio é a prefigura do batismo. Água que veio lavar as imundícies”, ressalta.

Outro trecho bíblico relevante é o Êxodo quando o povo uma vez tendo sido escravizado no Egito, precisou fazer uma quaresma de 40 anos no deserto porque havia adquirido costumes pagãos. “A conversão é um processo”, destaca. Jonas foi anunciar a Nínive a conversão ou a destruição em 40 dias e os ninivitas se converteram.

Moisés, Elias e o próprio Jesus também fizeram sua quaresma. “Voltai para o Senhor, tocai a trombeta, congregai o povo. O Senhor chama desde os anciãos às crianças de peito”, aponta Dom Vasconcelos lembrando a primeira leitura do dia. Na segunda leitura, o Senhor nos lembra que “é agora o momento favorável, o dia de salvação. Deixemo-nos reconciliar com Deus”, aponta.

Virtudes

A caridade é a maior de todas as virtudes. “Significa partilha dos bens materiais, solidariedade com os mais necessitados. Fazei o bem sem olhar a quem”, explica o bispo. Para bem viver esta virtude, é necessário contentar-se com o pão de cada dia. “Tem gente que quer hoje o pão de amanhã e quando acumula, falta pão na mesa do irmão. Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita”, diz referindo-se à necessidade de dar a quem tem necessidade.

Um segundo exercício espiritual é a oração, o diálogo com Deus. “Significa falar com Deus, colocar diante de Deus o que somos, ouvir a Deus. Não podemos tornar a oração monólogo, mas diálogo. É preciso rezar de maneira discreta, escondido no teu quarto”, ensina. Dom Vasconcelos destaca ainda que quando convivemos diariamente com alguém, nos afeiçoamos a essa pessoa. “Vamos adquirindo a bondade de Deus, a ternura de Deus”, garante.

O jejum é o terceiro exercício espiritual. “O Senhor não quer nossa mortificação, mas um espírito contrito. A missa de hoje nos lembra que somos pó e em pó nos haveremos de tornar. Quando jejuamos, percebemos nossa fragilidade. O jejum nos ajuda a controlar nosso instinto e controlar com a mente aquilo que são nossas concupiscência. O jejum nos ajuda a dizer um não ao pecado”, ressalta.

 

EM FAMÍLIA

Cícero Silvério Paiva, 49, Joyce, 37, Giulia, 14, Cícero Filho, 11 e Giovana, 7

O casal da família Paiva costuma celebrar os mistérios da fé com os filhos. A quarta-feira de cinzas e a quaresma são momentos essenciais para reflexão e aproximação de Deus. “Quaresma é tempo de reflexão em que a gente pretende se aproximar mais de Jesus pela oração, pela conversão e as ferramentas para isso são o jejum, a oração e a caridade”, destaca Joyce Paiva, 37, esposa de Cícero Silvério Paiva, 49. De acordo com ela, é essencial levar o amor de Deus aos filhos Giulia, 14, Cícero Filho, 11, e Giovana, 7. “A evangelização começa dentro de casa. Por isso, eles sempre participam de tudo”, garante.

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