Chamados a construir a paz

Estamos iniciando mais um ano do calendário civil e em, nossa primeira edição de 2019, iniciamos falando de paz. Nunca é demais iniciar o ano falando de paz, sabendo que ela é tão necessária para as famílias, para as nações e para o mundo como um todo. Sabendo também que ela precisa estar enraizada no coração de todos os homens e mulheres de boa vontade.
Como são grandes e admiráveis aqueles que promovem a paz e, mesmo com tanto ódio a florescer, são como profetas que denunciam, anunciam e conduzem a bandeira da paz. E muitas vezes olhamos as nações em conflito e tantas guerras e desentendimentos em todas as esferas de nossa sociedade.
Na passagem do ano muitas pessoas vestem branco, a cor-símbolo da paz, e dentre os tantos pedidos, desejos e propósitos que se fazem, a paz está em primeiro lugar. Mas o problema é que quando é hora de praticá-la muitos ficam perdidos. Queremos paz, mas não a promovemos em nosso dia-a-dia. Pedimos pela paz mundial, mas brigamos na fila de um banco, ou dentro de casa temos o pavio curto demais e logo perdemos a paz e impedimos que os outros permaneçam em paz.
No dia mundial da paz, 1º de janeiro, em uma missa em Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzabala disse: “devemos falar aberta e livremente em defesa da justiça e da paz, e chegar ao coração dos responsáveis de nossas cidades e despertar neles e em todos os cidadãos o desejo e a paixão ou talvez a saudade do Reino. A ação pela paz deve ser acompanhada pelo anúncio explícito do nosso compromisso com ela”. 
Assim, não podemos falar de paz se não manifestamos o nosso compromisso e nos sentirmos chamados a defender a paz. E não conseguimos construí-la permanecendo apáticos e alienados do mundo.
Padre Zezinho explicou a expressão “paz inquieta” por ele criada dizendo que “paz que não nos deixa inquietos com a dor do outro não é paz”. É a paz de quem tem a coragem de dizer: “Estou bem, mas há muita gente que não está. Agora vou viver por eles”. É a paz de quem parece ter o DNA da alteridade e se não pode transformar o mundo inteiro, transforma o mundo que lhe rodeia, mesmo que seja com pequenos gestos.
Portanto, ao começar o ano falando de paz, devemos arregaçar as mangas e, aos poucos, construí-la no dia-a-dia, como algo que está enraizado em nós até que ela se torne parte do nosso ser. Só assim se concretizará a utopia de que tanto falam de paz mundial. Não podemos desejá-la apenas da boca pra fora, é preciso despertar e agir.

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