De Olho na Língua

Dar à luz alguém

É assim que se usa: Dar à luz gêmeos; Dar à luz uma menina; Dar à luz sêxtuplos; D ar à luz um lindo bebê (não diga: Dar à luz uma linda bebê. Lembre-se que a palavra bebê é sobrecomum, ou seja, serve para ambos os sexos). Luz aí está por mundo. Assim: Dar à luz alguém = Dar ao mundo alguém. Há, contudo, os que insistem em “dar a luz a”. A expressão “dar a luz”, que significa publicar, editar.

Desalojar / desapropriar

Não confunda. Pessoas são desalojadas; entretanto; bens são desapropriados (ou expropriados). Exs.: Os flagelados ficaram desalojados porque seus barracos foram destruídos pelas fortes chuvas; Todas as casas daquele quarteirão foram desapropriadas (ou expropriadas) para passagem da linha amarela.

Catacrese

A palavra catacrese vem do Grego: catá (= contra) + chestái (= usar). O sentido real da palavra é modificado por esquecimento ou ignorância e a palavra nova contém ideia absurda se comparada com o sentido etimológico da primitiva: quarentena de dois dias (quarentena = quarenta), três gêmeos (gêmeo = duplo), socorrer mutuamente (mútuo = tomado ou dado de empréstimo), caligrafia feia (calós = belo), cavalgar um boi (cavalgar = andar a cavalo), ortografia errada (ortós = correto + grafia = escrita), embarcar num avião (embarcar = tomar um barco), marmelada de chuchu (marmelada = doce de marmelo), ferradura de prata (ferradura = peça de ferro), ganhar mesada semanal (mesada = pagamento por mês).

Modernamente, ainda se consideram como catacrese as metáforas (= transporte) que, pelo uso constante, perderam valor estilístico e se formaram graças à semelhança de formas existentes entre os seres. Estão nesse caso: pé de mesa, braço do rio, pena de metal, botão de camisa, boca de estômago, cabeça de alfinete, dente de pente, dente de alho, pé de goiaba, costa brasileira, coração da cidade, pé de meia, boca de forno, folha de papel, boca do poço, barriga da perna, batata da perna, cabelo de milho, boca do túnel, braço da cadeira, etc.

Hipérbole

Todo exagero na afirmação constitui uma hipérbole. Exs.: Já lhe disse isso um milhão de vezes; Quase morri de estudar; Chorei rio de lágrimas.

Lilote

É o oposto da hipérbole. Exs.: Esse rapaz não é nada bobo (é muito esperto); Não estou nada contente com você (estou descontente); O funcionário não é honesto ([é desonesto). A lilote é, enfim, uma afirmação branda por meio da negação do contrário.

Eufemismo

Todo emprego de palavras ou expressões agradáveis, em substituição às que têm sido grosseiro ou desagradável, constitui um eufemismo. Exs.: toalete (por mictório), tumor maligno (por câncer), criança excepcional (por criança retardada).

Dar a / Dar em

Usa-se indiferentemente quando se trata de abraços, beijos, murros, coices, pontapés, etc.: Dei um forte abraço a (ou em) minhas filhas; Elizabete deu um beijo ao (ou no) pai; Um dos rapazes deu um violento murro ao (ou no) guarda; A mula deu um fortíssimo coice ao (ou no) cavaleiro.

(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (088) 99762-2542.

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