Dom Orani Tempesta se pronuncia sobre a acusação feita por Sérgio Cabral de que esquema de propina envolvia religiosos católicos

Sérgio Cabral Filho (MDB), ex-governador do Rio de Janeiro, disse que o esquema de desvio de recursos na saúde pública da cidade também envolvia religiosos. Ele citou os contratos do Estado com a Organização Social Pró-Saúde, que é administrada por padres da Igreja Católica, e o cardeal D. Orani João Tempesta, arcebispo da Arquidiocese do Rio.
As propinas  segundo Cabral, faziam parte da organização social (OS) Pró-Saúde, que administra hospitais no Rio de Janeiro e em outros estados. O depoimento de Cabral foi pedido por ele e fez parte do último ato da Operação Fatura Exposta, que investigou pagamentos de propinas do setor de saúde a agentes públicos.
“Não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a OS da Igreja Católica, da Pró-Saúde. O dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida”, afirmou.

Pronunciamento de sua eminência dom Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro:
“Caríssimos amigos e irmãos, que a Paz do Senhor esteja com todos.
Creio que todos vocês veem as notícias que saem pela mídia em geral, e queria abrir meu coração para cumprimentar a todos e, de maneira muito especial, agradecer todas as manifestações carinhosas que me dirigiram nesses dias, de confiança, de esperança, com a certeza do que, enquanto arcebispo do Rio de Janeiro, tenho realizado e feito.
A nossa arquidiocese, nossa casa, está aberta a qualquer pessoa. Sempre recebo a todos, assim como também vou a muitos lugares para compartilhar alegrias, tristezas, sofrimentos. Esse relacionamento não escolhe pessoas. Todos são testemunhas e, por isso mesmo, nesse afã de procurar servir, nós vamos continuar sempre sendo julgados, muitas vezes de maneiras não muito corretas.
Tenham certeza de que o arcebispo do Rio de Janeiro é bastante preocupado com o bem dos pobres, dos necessitados, no intuito de levar as pessoas a viverem cada vez melhor, com esperança e confiança, e, por isso, esse abraço e bênção especial a todos aqueles que manifestam esse carinho e essa preocupação.
Estou muito bem, com a consciência tranquila e em paz. Ao mesmo tempo, desejo que vocês continuem rezando por mim e para que, cada vez mais, as pessoas que nem sempre falam muito bem dos outros, experimentem também o perdão, a reconciliação e a paz em seus corações. Que juntos possamos construir um mundo mais justo, mais humano e mais fraterno.”

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