Eleições 2018: cristãos são chamados a votar com compromisso e esperança

Os eleitores cristãos deverão avaliar as propostas e a vida dos candidatos, não abrindo mão dos princípios éticos

Em um ano de eleições, os cristãos são chamados a não abrir mão de princípios éticos e dar ao voto sua importância como um dos instrumentos no exercício da cidadania. O compromisso com o País e a esperança é o mote da mensagem da 56ª Assembleia Geral da CNBB ao povo brasileiro. A CNBB também lançou uma cartilha de orientação para as eleições. O Correio da Semana relembra os principais princípios do documento nesta véspera de eleição.
O compromisso político da Igreja é com a paz, a justiça e o bem comum. Por isso, na hora de votar é importante observar os gastos com as campanhas, verificar a história política do candidato e ver se defendem os valores da vida e da família e se têm compromisso com as causas sociais, comprometimento com os excluídos, se respeitam os adversários, e têm confiança e credibilidade, segundo o coordenador da Comissão do Laicato na Diocese de Sobral, José Maria Vasconcelos.
Fundamental é conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar com clareza os interesses subjacentes a cada candidatura, segundo a mensagem da CNBB. “A campanha eleitoral torna-se, assim, oportunidade para os candidatos revelarem seu pensamento sobre o Brasil que queremos construir. Não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade. São igualmente reprováveis candidaturas motivadas pela busca do foro privilegiado e outras vantagens”, diz o texto.
“Nas eleições, não se deve abrir mão de princípios éticos e de dispositivos legais, como o valor e a importância do voto, embora este não esgote o exercício da cidadania; o compromisso de acompanhar os eleitos e participar efetivamente da construção de um país justo, ético e igualitário; a lisura do processo eleitoral, fazendo valer as leis que o regem”, diz a mensagem da CNBB. Entre os dispositivos legais estão a Lei 9840/1999 de combate à corrupção eleitoral mediante a compra de votos e o uso da máquina administrativa, e a Lei 135/2010, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, que torna inelegível quem tenha sido condenado em decisão proferida por órgão judicial colegiado.
Cheia de esperança também é a mensagem da CNBB ao povo brasileiro. As eleições de 2018, segundo a instituição, devem garantir o fortalecimento da democracia e o exercício da cidadania da população brasileira. “É imperativo assegurar que as eleições sejam realizadas dentro dos princípios democráticos e éticos para que se restabeleçam a confiança e a esperança tão abaladas do povo brasileiro. O bem maior do País, para além de ideologias e interesses particulares, deve conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos, quanto de eleitores. Incentivamos as comunidades eclesiais a assumirem, à luz do Evangelho, a dimensão política da fé, a serviço do Reino de Deus. Sem tirar os pés do duro chão da realidade, somos movidos pela esperança, que nos compromete com a superação de tudo o que aflige o povo. Alertamos para o cuidado com fake news, já presentes nesse período pré-eleitoral, com tendência a se proliferarem, em ocasião das eleições, causando graves prejuízos à democracia”.

Discernimento
A CNBB traz de forma sábia orientações e recomendações para que o eleitorado brasileiro possa discernir da melhor forma como votarem. “O grande objetivo é contribuir para a formação política das pessoas e motivar todos os eleitores a participarem de forma democrática desse processo político. Nesse momento eleitoral, a Igreja nos convida a revalorizar a política de modo que venha a expressar e professar a fraternidade como o maior valor do bem comum”, avalia José Maria.
José Maria ressalta que o momento das eleições deve ser visto também como oportuno para mudanças e transformação social. “Os cristãos estão sendo convocados a participar de forma ativa da política não só no ato da eleição, mas também aqueles cristãos que têm compromisso possam se colocar a serviço da política e da transformação social. Lembrando que a Igreja não defende e não apoia nenhum partido, mas defende a vida, a paz, a solidariedade e o bem comum”, avalia.

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