Jovens portugueses desenvolvem projeto de voluntariado em Sobral

Grupo de Ação Social do Tagus promove atividades de desenvolvimento social em países de língua portuguesa na África e na América Latina. Integrantes têm entre 18 e 30 anos

 

Teresa Fernandes

Jornalista

Correio da Semana

 

As esperadas férias de agosto para os jovens europeus são significado de descanso, diversão e oportunidade de conhecer lugares novos. No entanto, para cerca de 200 jovens portugueses, o período é propício para viajar para uma terra distante e promover ações de voluntariado com o objetivo de desenvolver as comunidades locais e reduzir as desigualdades sociais. O Grupo de Ação Social do Tagus (GASTagus) reúne integrantes de 18 a 30 anos e pela primeira vez enviou uma equipe a Sobral, com atividades principalmente na Paróquia São José do Sumaré. No Ceará, eles são cerca de 20 integrantes e estão divididos em três grupos para contemplar também a região Jaibaras. Os trabalhos serão realizados durante o mês inteiro.

 

Em Sobral, os jovens deverão desenvolver ações sociais em escolas, unidades de saúde, além de se envolver nos projetos sociais da Paróquia do Sumaré. Eles são de diversas áreas como educação, psicologia, medicina, direito, relações internacionais. A avaliação do pároco da Paróquia de São José do Sumaré e diretor do jornal Correio da Semana, Pe. Lucas do Nascimento é positiva. “É uma experiência muito positiva de enriquecimento cultural para nós e para eles. Mostra que somos capazes de desenvolver o voluntariado, o amor e sermos altruístas sem compensações políticas”, ressalta. A troca de experiência traz ainda desenvolvimento social. “É uma missão desafiadora e muito bonita”, define o sacerdote.

 

“Nosso objetivo é alertar os jovens portugueses para as desigualdades que há no mundo e mostrar que se quisermos nós conseguimos ajudar as pessoas que estão mais necessitadas. Nós que temos a sorte de ter um pouco a mais podemos ajudar quem não consegue tanto”, explicou a estudante Ana Ferreira, 33, responsável pela equipe que vai para Jaibaras.

 

A GASTagus é gerida por jovens que se reúnem durante o ano inteiro para desenvolver atividades de voluntariado em Portugal e durante as férias em outros países. Os seis primeiros meses do ano são para campanhas com o objetivo de angariar fundos para as viagens. “A viagem ainda é muito cara e nem todo mundo consegue pagar. É para garantir que todos possam ir”, explicou Ana Ferreira.

 

Pelo segundo ano consecutivo Ana vem ao Brasil para a experiência de voluntariado em Jaibaras. Ela diz que é gratificante se sentir útil. “É diferente. Não é como o divertimento de sair com os amigos ou ir para farras. Mas eu prefiro ter uma experiência assim do que ficar em Portugal um mês inteiro sem fazer nada. Eu prefiro me sentir útil e ajudar alguém. Essa vida nós temos o ano todo para ter. Agora é outra coisa para fazer”, destaca. As ações a serem desenvolvidas nos países de língua portuguesa podem ser propostas e eles avaliarão se é viável ou não.

 

Experiência nova

André Silva, 25, professor de ensino fundamental e responsável pela equipe do Sumaré já esteve em atividade de voluntariado em Batalha no Piauí. A comunidade local identificou áreas necessitadas de formação. “O mais interessante dessa experiência é porque as pessoas nos consideram e nos tratam como se fôssemos da família, como se nos conhecessem há anos”, garante. No Sumaré eles ainda estão descobrindo como será a experiência.

 

Durante o ano inteiro, o voluntariado é em Portugal, em hospitais oncológicos, escolas e em outras instituições. Eles fazem o que a comunidade local têm necessidade e vêm abertos a usar não apenas os conhecimentos adquiridos na universidade, mas outros que aprenderão. “Somos de áreas diferentes”, explica André.

 

A GASTagus foi fundada em 2008 por dois jovens que participaram de uma ação de voluntariado em Angola e quiseram replicar a experiência para outros conterrâneos. “O objetivo é reduzir as desigualdades sociais”, garante André Silva.

 

PERSONAGENS

Tornar-se útil

Maria Silva, 23, estudante

Ansiosa por conhecer a comunidade onde atuará, a estudante Maria Silva, 23, diz que a expectativa é se sentir útil para a vida das pessoas. “Minha expectativa é de tentar contribuir com o desenvolvimento local”, conta. Ela explica que conheceu a GASTagus por amigos que participaram do projeto no ano passado e quis também fazer a experiência. “É uma boa ocupação do meu tempo durante este mês”, garante.

 

Experiência gratificante

Tiago Coelho, 23, estudante

A expectativa do estudante Tiago Coelho, 23, para sua primeira ação de voluntariado fora de Portugal é simples. “Que tudo corra bem”, resume. Ele explicou que antes de vir ao Brasil leu os relatórios dos colegas que estiveram no País no ano anterior e ficou bem empolgado. “É gratificante porque eles valorizam o que a gente faz”, destaca.
Legenda da foto: Jovens entre 18 e 30 anos participam de ações sociais em países de língua portuguesa

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