Mãe e mulher para sempre

Tereza Ramos – Escritora e professora

 

“Para Sempre”

– Carlos Drummond de Andrade

Porque Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite

É tempo sem hora

Luz que não apaga

quando sopra o vento

e a chuva desaba

Veludo escondido

na pele enrugada,

Água pura, ar puro

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

Se deixar vestígio

Mãe na sua graça

É eternidade.

Por que Deus se lembra

– Mistério profundo –

De tirá-la um dia?

Fosse eu rei do mundo

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca

Mãe ficará sempre

junto do seu filho

E ele, velho embora

Será pequenino feito grão de milho

   

O poeta disse certo… sou um grão de milho, pequeno, miúdo, um nada, fico arqueada sob o peso da saudade, essa ausência infinda – sou órfã!

   Mãe é invenção de Deus para ELE estar conosco mais ainda e estar visível, palpável cá na Terra. Mãe está sempre perto, é alimento, é vida e aconchego. Primeiro o filho esteve nela e aí quando nasce, cortado o cordão umbilical, nunca mais a mãe deixa o filho. Mãe é para sempre, diz Drummond.

   Sempre perto e vigilante na infância e na imprudência do adolescer, do filho para dar-lhe asas e condições de voar, pois a independência da cria é alegria maternal.

   Mãe sabe que o filho só é seu quando ele precisa dela…sabe também que é preciso deixá-lo ir… ela fica e vigia, ora e ajuda se for preciso ainda… sempre única e“ adivinhona “pois mãe tem um sexto sentido – amparando provendo inigualavelmente, suprindo com seu amor gratuito e sem medidas o viver dos filhos, afinal ela é representação do amor e Deus é Amor!

   São Paulo em sua Carta aos Coríntios 13, diz “o amor é paciente, benigno, nunca se irrita, tudo crer, tudo suporta…”

   Cabe pois às mães ensinar aos filhos a cultivar seus dons, a fé , a esperança e o amor, que é caridade. Só assim assegurará que poderá o seu filho caminhar. Bem e feliz!

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