Pagamento do 13º salário deverá impulsionar comércio local

O pagamento do 13º salário, devido a trabalhadores com carteira assinada, promete impulsionar a economia brasileira nos últimos meses do ano. A expectativa é de que o benefício injete mais de R$ 211,2 bilhões no País, montante que corresponde a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Serão beneficiados cerca de 84,5 milhões de brasileiros. As estimativas são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). No Ceará, o benefício será recebido por 3 milhões de pessoas, injetando cerca de R$ 5,3 milhões na economia local. O comércio espera que parte do valor extra seja destinado às compras de Natal. A expectativa é de um crescimento de 5% nas vendas no final do ano.
Entre os setores do comércio que mais devem se expandir a principal aposta é para roupas e calçados. O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Sobral, Zezinho Ponte, ressalta que o 13º salário sempre dá um incentivo ao comércio. “Geralmente, os consumidores usam a primeira ou a segunda parcela do 13º para as compras e, por isso, temos essa expectativa positiva”, explica.
Apesar do crescimento esperado de 5% nas vendas, o setor não deverá contabilizar um grande volume de novas contratações. “Os contratos temporários começam a vigorar próximo ao final de ano, mas neste ano será raro. As lojas que mais admitem temporários são as de vestuário, calçados e, depois, eletro”, define Ponte.
A ajudante de produção Patrícia de Souza, 27, não pretende fazer grandes gastos no final do ano. “Irei comprar roupas para mim e para as crianças. Basicamente vestuário”, garante.

Comerciantes
O consumidor deverá comprar neste final de ano, mas com cautela. Ainda sentindo os efeitos da demorada crise econômica, os compradores deverão investir em presentes mais baratos este ano, segundo a aposta do comerciante Valter Vasconcelos, proprietário da Mil Malhas. “As pessoas gostam sempre de fazer algum agrado nesta época de final de ano, mas será um presente mais barato”, avalia Vasconcelos.
Para atrair os consumidores, o comerciante aposta em produtos de qualidade e a preços acessíveis. “Os clientes estão cada vez mais exigentes. Procuram produtos de boa qualidade, mas querem gastar pouco. Por isso, investimos em preço e qualidade”, ressalta Vasconcelos. “Este já é o terceiro ano de crise e ainda tivemos um inverno fraco. Mas o brasileiro é criativo e estamos otimistas”, garante. O comerciante diz que para a alta de final de ano não pretende fazer contratações extras, mas aproveitar os funcionários já contratados, que farão hora extra, se for necessário. “Nossos funcionários são mais que vendedores, mas consultores de moda porque ajudam os clientes a escolher as peças mais adequadas”.
A expectativa na loja de calçados Preferida 2 é de que as vendas sejam bem melhores que ano passado, segundo a líder de vendas da loja, Thamires Sousa. “As vendas já melhoraram em relação ao ano passado. Estamos saindo da crise”, avalia. Para atrair os consumidores, a aposta é em promoções, descontos e facilidade de pagamento. “Temos produtos para todas as idades, várias marcas, vários tipos de bolsas”, completa.

Planejar e comprar
Valdeci Lourenço, 37, reciclador
O reciclador Valdeci Lourenço, 37, sabe bem o que irá comprar no Natal. “Roupas, calçados e brinquedos. Para quem tem criança, tem que ter brinquedo”, diz entre risos. Para conseguir pagar a conta, ele disse que está se planejando com antecedência e vai dividir os gastos com a esposa. “Tem que se programar com antecedência ou não dá para pagar”, garante.

Economizar
Nairla Santos, 44, autônoma
Apenas peças de vestuário vão compor as compras de final de ano da autônoma Nairla Santos, 44. Além de roupas para ela mesma, pretende comprar peças para o filho de 13 anos e a filha de 1 ano e 8 meses. Ela disse que pretende economizar para os gastos extras com escola no começo do ano. “Minha filha vai começar a estudar. Então, além do mais velho, já vou precisar também comprar o material dela”, explica.

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