Partidos políticos promovem convenções para definir candidatos às eleições de outubro

Cenário político ainda está indefinido para o pleito de outubro. Partidos têm até 5 de agosto para definir nomes dos candidatos

Com a proximidade das eleições deste ano, cujo primeiro turno será no dia 7 de outubro, os partidos políticos estão na corrida pela definição dos nomes dos candidatos e de coligações entre os partidos. Por isso, desde a sexta-feira, 20, estão sendo realizadas as convenções partidárias, que seguem até 5 de agosto. Uma vez definidos os nomes, as candidaturas deverão ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto. Neste ano, os eleitores escolherão presidente e vice-presidente, os governadores e vice-governadores, além de dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.

A Campanha deste ano, envolta em um momento político novo, poderá ser semelhante à de 1989 pela indefinição de candidatos favoritos, segundo o cientista político Valmir Lopes, professor doutor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da UFC. Neste ano, são 18 pré-candidatos, entre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PSL), além de Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB). O Partido dos Trabalhadores (PT), de acordo com Valmir Lopes, deverá permanecer buscando possibilidades para a candidatura de Lula até que se esgotem todas as possibilidades.

No Ceará, a candidatura do governador Camilo Santana (PT) à reeleição contará com uma oposição representada principalmente pelo PSDB com a candidatura do general Guilherme Theophilo do mesmo partido do senador Tasso Jereissati (PSDB).

Eleitores em trânsito

Outra data importante para o período eleitoral é o da possibilidade da votação em trânsito. Para votar em trânsito, o eleitor deverá comparecer a qualquer cartório eleitoral e requerer sua habilitação mediante a apresentação de documento oficial com foto. O eleitor poderá alterar ou cancelar a habilitação para votar em trânsito no período de 17 de julho a 23 de agosto de 2018. O eleitor que não comparecer à seção para votar em trânsito deverá justificar a sua ausência, inclusive se estiver no seu domicílio eleitoral de origem no dia da eleição, não podendo justificar no município por ele indicado para o exercício do voto.

Confira entrevista com cientista político Valmir Lopes sobre as eleições deste ano.

Correio da Semana – As convenções partidárias para deliberar sobre a formação de coligações e escolha de candidatos começaram na sexta-feira (20). As coligações formadas devem seguir o modelo da eleição anterior ou deveremos ter novidades neste ano?

Valmir Lopes – As eleições deste ano são vistas para muitos analistas como inéditas pelo conjunto de circunstâncias que envolvem o momento político pelo que atravessa o País. A começar pela presença em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto até aqui do candidato Lula, que certamente não poderá ser candidato. Em seguida aparece um candidato extremista como representação mais típica do caldo de insatisfação generalizada com a classe política. Admitindo que será uma eleição inédita, isso significaria que os recursos políticos usados em eleições anteriores teriam perdido sua eficácia. Não é que eles não mais atuariam, apenas não teriam a mesma importância de eleições anteriores. Refiro-me ao tamanho do partido, capilaridade nacional, tempo de TV, capacidade de arrecadar fundos para a campanha etc. Todos esses elementos foram cruciais em eleições anteriores para explicar a vitória dos candidatos. Mas até o presente momento, o candidato que efetivamente sabe que estará nas urnas (Bolsonaro) e tem melhor colocação não tem nenhum desses elementos acima citados. Por isso, muitos esperam que haveria a desidratação de sua candidatura.

Dito isso, devemos considerar dois cenários eleitorais: o primeiro as eleições serão semelhantes às anteriores e os partidos, tempo de TV, coligações são recursos cruciais para se ganhar eleições; o segundo, estas eleições são inéditas e será muito semelhante com a realizada em 1989. Até agora, os candidatos, afora Bolsonaro, acreditam que se trata de uma eleição como as anteriores. Para isso fazem muito esforços para reunir uma ampla coligação. De qualquer forma, as estratégias dos candidatos estão entre esses dois cenários. Somente no curso da própria eleição saberemos qual deles predominará.

Correio – O PT segue sem um candidato nacional definido. Será tempo de o partido “ressuscitar” algum nome ou apoiar outro partido?

Valmir – O PT continua sendo o partido com o líder popular mais importante do País, mesmo preso. O ativo petista (Lula) não deve ser em momento algum abandonado por um outro nome. É uma questão de sobrevivência partidária. É ilusão a ideia que o PT poderá já agora apoiar um candidato que não seja o próprio Lula. Não haveria nenhuma razão para isso. O partido deve seguir com a estratégia de insistir na candidatura de Lula por todas as vias legais e somente mais adiante indicar seu substituto. Essa estratégia é baseada no cálculo de preferência demonstrada pelo eleitorado por Lula além de expressiva capacidade de transferência de voto. É no poder de transferência de voto que os petistas se fiam para alongar o tempo de definição do nome. Trata-se obviamente uma estratégia de risco de isolamento, mas não creio que isso ocorra pelo capital político demonstrado pelo ex-presidente. É nele que os petistas confiam, inclusive para alavancar as candidaturas de deputados e senadores.

Correio – Localmente nas eleições para o estado estão sendo esperadas alianças fortes para a reeleição do governador ou para fazer um candidato de oposição?

R.  A política cearense sempre foi caracterizada pelo aspecto situacionista. As forças de oposição não encontram condições institucionais de sobreviver fora da sombra do poder executivo (Governador). É ele quem tudo determina, restando a oposição uma posição muito fraca de falar e não ser ouvida nem ter capacidade de bloquear ações do Executivo. Isso não é recente. Na época do PSDB ocorria a mesma coisa. Na época do Cid foi até pior porque ocorreu um situacionismo verticalizado com aliado do governador na esfera federal e o controle dos partidos e da política local. Com todo esse poder, o governador (seja quem for) sempre terá a sua disposição um conjunto de aliados partidários dispostos a dar apoio para sua reeleição. Em todos esses casos, os deputados estão submetidos a lógica da troca, da contrapartida: apoiando o governador, esperam se não obter benefícios pelo menos não ser prejudicado no seu intento de reeleição.

Do lado da oposição é sempre a mesma dificuldade: o político com maior prestígio estadual ao não se dispor ser candidato, deixou toda a oposição sem um nome forte. Até que surge o nome do General pelo PSDB. Dado a força eleitoral da aliança reunida pelo governador para sua reeleição tudo indica em sucesso folgado, mas, como sempre, é bom ficar atento à trajetória da campanha. Como há uma forte expectativa de renovação política, isso pode ter algum impacto local. Mas tudo isso só o futuro dirá. Por enquanto o problema maior da formação de coligações passa pela forma de acomodação de todos os pretendentes numa única chapa ou se formaram uma aliança branca com o senador Eunício, pelos atritos inevitáveis com os irmãos Ferreira Gomes. 

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