Pe. Magalhães é Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, em Frecheirinha

Posse Pe. Magalhães em Frecheirinha (455)

 

Em missa solene celebrada na noite da sexta-feira, 11 de março, tomou posse  como novo Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, localizada na cidade de Frecheirinha, Diocese de Sobral, o padre Francisco Alves Magalhães, que antes respondia pela Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Sobral.;

A missa de posse do novo pároco contou com a participação especial de fiéis das comunidades e pastorais paroquiais.

Conforme determina o catecismo da Igreja, os fiéis chamados a exercer um cargo em nome da Igreja devem emitir a profissão de fé. Por essa razão, de joelhos, antes de iniciar sua missão de pároco, padre Magalhães professou sua fé perante o Bispo Diocesano Dom Vasconcelos, padres concelebrantes e dos fiéis presentes na celebração.

 

DISCURSO DE POSSE NA PARÓQUIA DE FRECHEIRINHA – CEARÁ

Sr. Bispo Diocesano: Dom Vasconcelos

Revmo. Pe. Gonçalo de Pinho Gomes – Vigário Geral da Diocese de Sobral

Revmo. Sr. Pe. João Jesuino Marques- Vigário Episcopal interino da Região Episcopal Vale do Coreaú, mediante o qual saúdo os demais irmãos e colegas sacerdotes presentes.

Caríssimas Irmãs Religiosas das diversas comunidades religiosas, especialmente as caríssimas Irmãs Josefinas que trabalham nesta paróquia,  religiosos, seminaristas. Os amigos e funcionários da Cúria Diocesana: A Edna, Macildo, Luciano, Dra. Socorro.

Sr. Prefeito Municipal de Frecheirinha, no qual saúdo as autoridades deste município: Senhores Vereadores, autoridades militares. Registro com alegria a presença do Vice Prefeito de Meruoca, Rubinho e esposa.

Querida minha família, minha amada mãe, meus irmãos, sobrinhos, tios, primos e parentes.

Queridos paroquianos do Sagrado Coração de Jesus, minha dileta paróquia; querido amigos de Ipu, Aracatiaçu, Alcântaras e Meruoca, Santuário da Mãe Rainha, Terço dos Homens, amigos da Comunidade Cristo Rei em Sobral.

Queridos paroquianos de Nossa Senhora da Saúde de Frecheirinha, irmãos e irmãs.

Dom Vasconcelos:

Nos últimos dias em que me preparava para este dia pedi sugestão a alguns amigos e pessoas que me ajudam a tomar decisões e discernimentos de como deveria fazer meu discurso de agradecimento e me foi orientado a fazer uma pesquisa histórica de Frecheirinha e a partir dai elaborar minha palavra de introdução no meu ministério nesta paróquia. Contudo, achei por bem deixar que este conhecimento acontecesse a partir de minha ou melhor,  de nossa experiência, da convivência: eu e o povo, o pároco e os paroquianos; o pároco e os fiéis. E por isso, decidi falar dessa forma e falar não somente ao povo, mas em primeiro lugar, falar ao senhor, ao senhor pessoalmente.

Entreguei a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, dia 12 de fevereiro e dia 13, dia seguinte, o caríssimo Pe. Fábio Soares já assumia, numa solene eucaristia presidida pelo Senhor e diversos sacerdotes, a referida paróquia. Naquela ocasião o Sr. Disse em sua pregação que o tempo da quaresma é como uma escada de 40 degraus que nos leva para Deus. Gostei de sua idéia e aproveitei-me dela para rezar, pensar e viver minha quaresma este ano. E este ano minha quaresma tem sido especial. Ao mesmo tempo em que me preparo para a Páscoa do Senhor Jesus, também me preparo para assumir este novo ofício de minha vida sacerdotal. E nas meditações e orações fui percebendo que, não somente na quaresma, mas toda a minha vida tem sido uma escada. Uma escada composta, não somente por 40 degraus, mas por degraus numericamente marcados por Deus e seus desígnios. Somente Ele sabe da quantidade que precisarei viver. O primeiro degrau iniciou no seio de minha família; marcada pela humildade, simplicidade, mas profundamente pela fé, pela esperança e que de forma misteriosa me ajudou a perceber o chamado de Deus para o sacerdócio. Um segundo degrau da escada de minha existência foi a residência de meu Mons. Furtado, lá na Meruoca. Não sei se o Senhor já sabe, mas fui, praticamente criado por este sacerdote de nossa centenária Diocese. Ele também, este ano, celebra seu centenário de nascimento.  Sai da casa de meus pais aos 11 anos e morei com ele até os 19 anos quando ingressei no Seminário Menor em sobral. Minha infância e adolescência foi vivida aos seus cuidados. Lá consolidei minha vocação. Aprendi a ser um homem da Igreja. Lá experimentei a retidão e seriedade de um homem consagrado a Deus e ao serviço de sua Igreja. Experimentei a integridade e retidão de um sacerdote autenticamente de Deus e de Maria Santíssima.  No seminário, durante dez anos, nas mãos do Pe. João Batista Frota, Mons. Sabino, do Pe. Luis Ferrando ( atual bispo de Bragança no Pará) e na companhia próxima de meus colegas de ano, Pe. Tomé, Pe. Eudes e Pe. Júnior, aprendi a hombridade do ministério sacerdotal e o devido cuidado que se deve ter para afastar toda e qualquer tipo de leviandade da vida espiritual e Consequentemente do ministério presbiteral. Na integridade da vida humana se consolida e integridade da vida sacerdotal. Acrescente-se a estes meus formadores os meus superiores  Dom Walfrido, Dom Aldo, dom Odelir que conhecendo a minha história, a história de minha formação nunca colocaram em dúvida a retidão de minhas intenções de servir a Igreja com fidelidade e devoção sincera. Os meus 16 anos, de ordenação presbiteral, Dom Vasconcelos, constituíram-se em vários degraus: No Ipu, quantas amizades, alegrias vividas, pessoas novas, situações inusitadas para um jovem sacerdote recém-saído do seminário. Foram as surpresas e alegrias de um coração palpitante de viver aquilo que sempre sonhou e desejou como projeto de vida.  Em Aracatiaçu tomei consciência que um padre precisa aprender também a administrar; a minha idéia, profundamente ingênua, era que a missão de um padre se precisava apenas, em confessar, celebrar a missa, os batizados, casamentos e pregar a palavra de Deus. Quanta inocência e necessidade de aprender! Em Meruoca e Alcântaras experimentei a ternura e a acolhida de ser profeta na própria terra, a alegria e o contentamento de poder voltar para meu berço primeiro, de reviver minha adolescência, viver na casa onde vivi minha juventude, meus primeiros passos, viver e celebrar na mesma igreja em que me crismei e que durante tantos anos ajudei os padres a celebrarem a santa missa. Cada dia vivido na Meruoca foram intensos e cheios de significado. Cada dia era um dia de recordação e de reconstrução daquilo que agora eu era. Mas foi lá que aprendi a gerenciar os conflitos com diálogo e perceber a fragilidade de cada pessoa humana. Aprendi com a necessidade de perceber mais profundamente a alma humana e suas engrenagens na dinâmica da vida. Na fundação da paróquia de Alcântaras me sentir verdadeiramente protagonista deste fato. Sem orgulho e nem vaidade, mas me sentia feliz em poder pedir a Igreja que transformasse minha cidade natal em Paróquia. E mais, reconheço que o senhor de nossa história me levou para a Meruoca exatamente no tempo em que minha avó, a Mãe Chiquinha, pertinho de mim, na minha casa, nos meus braços e na minha oração fizesse a Páscoa dela para o céu, uma vez que não pude está como padre no tempo em que Mons. Furtado fez também sua páscoa.  No Seminário, durante os três anos que fui reitor e acompanhando a formação dos nossos padres, foi um degrau especial. Ajudar na formação de um sacerdote exige do formador saber conscientemente para onde está levando o formando. Nem que para isso haja conflito, adversidades. A clareza da formação exige que o reitor trabalhe para a Igreja e não para ideologias, inclusive religiosas, para angariar simpatias ou lucros humanos no referido ofício. Ah se a formação estivesse livre de todo e que qualquer tipo de influências exteriores e alheias ao magistério da Igreja! No tempo em que fui vigário paroquial do Patrocínio convivendo com o Pe. João Batista Mesquita e  Pe. João Batista Frota, foi um degrau em que me convenceu ser possível vivermos numa comunidade presbiteral sem conflitos de interesse e de funções. No Coração de Jesus, foi um degrau onde a Igreja me pediu criar aquela nova Igreja paroquial. E neste degrau fui ajudado por colegas como Pe. Estevan, ( já vivendo com o eterno sacerdote na Eucaristia eterna) Pe. Nicodemos, (que foi pároco aqui em Frecheirnha) Pe. Eufrásio, Pe. Raimundo, Pe. Jairo, (a quem tive a graça de experimentar a fraternidade sacerdotal as vezes tendo-o como um filho e as vezes tendo-o como um Pai) dos  frades Capuchinhos, Frades Filhos da Consolação – Os Anawins, religiosas, missionários, leigos engajados. Sai de lá convencido que a Igreja é um corpo sagrado, divino e misterioso onde o sangue que a nutre é a graça de Deus. No Coração de Jesus experimentei uma Igreja viva, perspicaz e capaz de criar, evangelizar e vigorar as forças que a evangelização necessita para tornar o Evangelho alcançado por todos. Até aqui, cada degrau não esteve separado. Estes degraus formam a escada de minha vida para que um dia eu chegue a contemplar o rosto de Deus, para que um dia eu alcance a salvação de minha alma. Aliás, Sr. Bispo, fui ser padre para salvar minha alma, e vivo todo o meu ministério para que um dia eu possa ser admitido a salvação eterna. Para isso, Deus me deu a graça de poder todo santo dia me lembrar e tomar consciência que sou padre, só padre e eternamente padre. Para que, sendo padre eu trabalhe unicamente pela salvação de minha alma e dos que a mim são confiados. Lembrar que sou pecador e pedir ao Senhor da misericórdia que tenha compaixão e misericórdia de mim e perdoando meus pecados possa distribuir tal perdão aos que necessitam. Uma segunda graça foi que neste tempo, raros foram os dias que não ministrei o sacramento da confissão. Assim, tenho graça divina de, escutando os pecados de a humanidade me sentir também pecador. Dessa forma não me sinto mais e nem melhor do que nenhum filho de Deus peregrino neste mundo e como eu, desejoso de um dia, alcançar a salvação.

Estes degraus não são separados uns dos outros. Eles fazem a construção de minha vida. Assim, a presença de minha família sempre pertinho de mim, da Fatinha e d. Tereza Martins, do tempo da casa paroquial, do Pe. Tomé, no nosso tempo de Seminário, da dona Izabel, lá do Ipu, dos amigos de Aracatiaçú, de Meruoca e de Alcântaras, do  Pe. João Paulo, meu seminarista, dos amigos do Patrocínio e do Coração de Jesus e do Santuário da Mãe Rainha. Não estou só na escada de minha vida. Aqui está o Pe. Neri que como pároco que foi daqui, se junta neste degrau existencial que hoje inicio.

E agora estou neste degrau de minha vida, chamado Paróquia de Nossa Senhora da Saúde de Frecheirinha.  Peço a Deus que aqui não seja o último degrau de minha vida. Viver é tão bom. Não quero morrer logo não. Quero ainda viver muitos anos, sempre nesta perspectiva. Venho para cá com toda a liberdade de minha alma e de meu ministério sacerdotal.  Venho para Frecheirinha para obedecer ao Senhor e na sua pessoa obedecer a Igreja.

Repito Dom, não estou só na escada da vida e na vivência destes degraus. Lembro-me daquele belo dia 03 de dezembro quando conversamos longamente sobre minha vinda pra cá. Naquele mesmo horário, á 72 anos atrás meu vigário Mons. Furtado era ordenado sacerdote na catedral. E, enquanto o senhor falava eu tremia, suava um pouco. Não com medo de vim pra cá. Mas por causa dos fatos misteriosamente acontecendo. Eu lá, na residência episcopal, diante do senhor e no mesmo horário, com o limite e a contingência do tempo, o Formador de minha Vocação era sagrado sacerdote. O senhor não tinha essa informação.  E saiba mais Dom: além dessa feliz data, o dia que vim aqui com a comissão da cúria foi o dia 11 de fevereiro; neste mesmo dia, fazia 08 anos que tomei posse do Seminário da Imaculada Conceição em Fortaleza e um mês faltando para a tomada de posse. E hoje, exatamente hoje, faz 18 anos de seu falecimento. Só um coração que experimentou a sinceridade de um coração sacerdotal pode encontrar os significados e conteúdos destes fatos. Não é saudosismo e nem complexo de não tê-lo mais entre nós. Mas é firmeza de um coração que transmitiu ao outro a certeza de Deus. Eu nunca, nunca, vou me esquecer dele. E desejo e peço que a Diocese, Meruoca e Alcântaras celebrem com vivacidade e empenho seu centenário de nascimento no próximo dia 19 de setembro. Uma vez que não me foi possível ser eu a coordenar este momento como tanto desejei. As motivações para isso ficam reservadas ao Coração de Deus para sempre.

Venho para Frecherinha para ser feliz e continuar minha história, venho para Frecherinha com alegria e disposição de servir o evangelho, aprender de Jesus o caminho e os degraus que restam para chegar a contemplar a sua face; venho para Frecheirinha para refazer minha vida, exercitar minha capacidade de renúncia, venho para aprofundar minha capacidade de compreender aquilo que não entendo, venho para com este amado povo  construir o reino de Deus. Sinal desta misteriosa condução de Deus é encontrar aqui a presença das Irmãs Josefinas. Quanta saudade das Irmãs do Patronato dom José lá de Meruoca! Venho para continuar a bela história eclesial vivida pelos sacerdotes que já passaram ( entre nós o Pe. João Batista Neri) e, especialmente o nosso querido Pe. Marquinhos, a quem peço que rezemos por ele, o acompanhemos com nossas preces, amizade e apoio fraterno. Muito obrigado Pe. Marquinho pelo seu trabalho aqui realizado. Aqui você, ao mesmo tempo em que anunciava a salvação de Jesus, você plantou no coração de seus paroquianos a amizade, a alegria e a fraternidade. Aqui você terá sua casa, seu lugar, seu espaço. Venha aqui sempre e se sinta muito acolhido e querido.

Não desejo que este seja o último degrau de minha vida. Mas quero vive-lo de forma intensa, verdadeira. Renovando o meu propósito de continuar servindo a Igreja e a diocese. O senhor pode contar comigo em tudo aquilo que está ao meu alcance. Tenha em mim um colaborar nas coisas de Deus e da igreja. Peço a Deus que me ajude a ser disponível a Igreja sem nunca recorrer a jogos, tramoias e interesses estranhos à natureza sacerdotal. Peço a Deus que me sustente em sua graça e nunca esmoreça em trabalhar para Jesus, indicar o caminho dele aos corações humanos e nunca, jamais, desviar o rebanho a mim confiado para mim mesmo, para meus interesses. Nem que isso exija de mim suportar incompreensões, sofrimentos ou angústias. O lema de minha ordenação me acompanha até hoje: Sou padre, só padre e eternamente padre. Pois para isto, basta-te a minha graça.

E agora ao querido povo de Frecheirinha. Quero viver este degrau de minha vida fazendo parte da vida de cada um. Para isso, rezo e confio cada um a Misericórdia de Deus. Não tenho grandes dotes e nem capacidades. Apenas gosto de rezar, gosto de ser padre. E este meu gosto poderemos viver no serviço ministerial com simplicidade e autenticidade. Somos todos povos de Deus. Cada um com serviços específicos, mas todos no sincero desejo de na vida fazer a vontade de Deus. Nossa Senhora da Saúde, nossa Mãe e padroeira, peregrina conosco nos ensinará a perceber e a realizar na vida a vontade de seu filho Jesus.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pe. Francisco Alves Magalhães

Pároco da Frecheirinha – Ceará

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