Renan Calheiros é aposta para comandar o Senado no novo Governo

Desde antes do segundo turno, colunistas políticos apontam a articulação de Renan Calheiros para voltar a comandar o Senado, posto que a derrota do atual presidente, o senador Eunício Oliveira (MDB/CE) abriu cedo a corrida pela cadeira. Renan vinha negando as articulações, mas nos bastidores, articulava para se viabilizar.
Segundo matéria da Folha de São Paulo (14/11), o nome do senador alagoano ganhou força após as primeiras decisões do novo governo: Renan é visto como “anteparo de crises” e ganhou adesão, inclusive, de quadros do PSDB e do PSD. Até nomes do Judiciário estariam interessados na eleição do veterano. O motivo: o governo eleito “vai e volta” em decisões importantes [sobre extinção de ministérios, passos errados na política externa, dentre outros] e um senador experiente no comando da Casa pode ser uma “âncora” para os mares revoltos de eventual crise política. “O favoritismo cresce à medida que as oscilações do grupo bolsonarista ampliam a sensação de que a próxima gestão será instável”, diz Daniela Lima, da Coluna Painel da FSP.
Ao contrário de Temer, que se apoderou do poder de forma heterodoxa, Bolsonaro largou com apoio popular, político e tem o voto como balizador das decisões que pretende tomar à frente do Executivo: entretanto, a falta de manejo político e certo desleixo na relação com o Parlamento podem lhe custar a vantagem. Parte do ocorrido com a ex-presidente Dilma se deveu à sua falta de atenção para com o Poder Legislativo. Já Temer, mesmo não tendo apoio popular, sobreviveu às votações de duas denúncias na Câmara porque jogou bem o jogo político com o Parlamento.
Parte disso [da falta de manejo político] já foi sentida agora, antes do começo formal do novo governo: os sinais foram dados na última semana, quando o Senado aprovou medidas que o presidente eleito rejeita, tais como o aumento dos salários do Judiciário e uma série de incentivos fiscais para montadoras. Estas, dentre outras medidas aprovadas ou que avançaram no Congresso, aumentam a previsão de rombo fiscal do país em até R$ 259 bilhões, informam os analistas legislativos. Além disto, as aprovações ocorreram após o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, defender uma “prensa” no Congresso para votar a Reforma da Previdência ainda em 2018.
Renan já comandou o Senado por duas ocasiões: entre 2005 e 2007 e entre 2013 e 2017, quando aconteceu o impeachment de Dilma Rousseff. Na ocasião, foi favorável à destituição, mas articulou para que a presidente cassada não perdesse os direitos políticos, fato que possibilitou a candidatura dela ao Senado por Minas Gerais, em 2018. Nos últimos anos, viu a possibilidade de perder o Senado e o filho perder o governo de Alagoas: por isto, afastou-se de Temer, declarando independência do Governo e fortaleceu os laços com o ex-presidente Lula.

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