Tempo litúrgico Advento é o tempo de esperança e conversão

Tempo litúrgico terá início no próximo domingo, 3, e seguirá até o dia 24 de dezembro. Advento exige preparação e conversão

Teresa Fernandes

Jornalista

Correio da Semana

A espera pelo Senhor que nasce em nossos corações a cada Natal e a vivência da expectativa de que Ele virá de forma definitiva exige preparação e conversão. Por isso, o tempo do Advento, primeiro do Ano Litúrgico, leva os cristãos a mergulharem na esperança do cumprimento das promessas de Deus. O momento que antecede o Natal deve ser para os cristãos um tempo de preparação para vivermos a alegria prometida. Neste ano, o tempo litúrgico terá início no próximo domingo, 3, e seguirá até o dia 24 de dezembro.

O Ano Litúrgico gira em torno das duas grandes festas do mistério da nossa salvação: a Páscoa e o Natal. A Quaresma prepara os cristãos para a vivência da Páscoa enquanto o Advento é o tempo que antecede o Natal. A Igreja, com seu amor e sabedoria nos ajuda a caminhar nas estradas da história, iluminados por esses mistérios da fé e conduzidos pelo Espírito Santo. A expectativa de relembrar um fato histórico, que se atualiza a cada dezembro, torna-se uma motivação para que os cristãos vivam o tempo do Advento como oportunidade para arrependimento dos pecados e viver a caridade fraterna e a cultura de paz.

“Advento quer dizer chegada da pessoa de Jesus que se dá no Natal e a sua próxima vinda no fim dos tempos”, explica o Vigário Episcopal da Região Sede e pároco de Forquilha, Pe. Agnaldo Temóteo da Silveira, que celebrou na última semana 15 anos de sacerdócio. Esta preparação precisa ser intensa porque é necessário “acolher o Senhor que vem.” De acordo com o sacerdote, o Advento é o tempo que mais se identifica com a vivência da esperança na Igreja. “Nós vivemos a esperança do encontro com o Senhor como a virgem prudente que está com suas lâmpadas acesas, de vigilância e prontidão”, ressalta. No entanto, ele lembra que a festa litúrgica mais importante é a Páscoa. “A maior festa da Igreja é a Páscoa. A ressurreição é o ponto de partida para o Evangelho”, diz.

Para bem se preparar para a vivência do Natal, é necessário confissão, oração intensa e também é recomendado que as famílias façam as novenas de Natal em suas casas de forma itinerante. “Queremos motivar que cada família faça sua preparação na vizinhança lembrando que não havia lugar para Jesus na hospedagem e que Ele nasceu em uma estrebaria”, destaca o sacerdote. As novenas são tradição nas paróquias da Diocese de Sobral e cada família reza “abrindo as portas dos corações.” A preparação acontece entre os dias 16 e 24 de dezembro.

As duas primeiras semanas do Advento são dedicadas à segunda vinda de Jesus, ao “encontro com sua Glória”, explica Pe. Agnaldo. Já as duas últimas, antecedem a celebração do Natal. No decorrer do tempo litúrgico, vamos nos encontrar com personagens bíblicos que representam e espera de Israel pelo Salvador, como Isaías, João Batista e a Virgem Maria. “Vamos reviver a espera de Israel com relação à segunda vinda do Senhor”, explica.

Símbolos

Um dos mais tradicionais símbolos de Natal, a árvore representa a resistência e a esperança. Pe. Agnaldo explica que a tradição teve início no hemisfério Norte e nesta época é inverno. A árvore Pinheiro é uma das únicas que permanece verde no período. O presépio, instituído pela primeira vez por São Francisco, precisa ser preparado paulatinamente como sentido de espera. O último a chegar é o menino Jesus na noite de Natal.

A coroa do Advento e suas velas que se acendem a cada domingo relembra que Jesus é a luz do mundo. A forma de circunferência aponta a eternidade e a cor verde da rama, a esperança. Trata-se de uma paraliturgia, uma criatividade acolhida na liturgia, mas que pode ser vivida nas casas das famílias.

As cores litúrgicas do Advento são sóbrias e a Igreja dá preferência ao roxo “para lembrar penitência e preparação”, ressalta Pe. Agnaldo. Também neste tempo a Igreja se priva do Glória como sinal de purificação e preparação para o nascimento de Cristo. O terceiro domingo é o Gaudete, quando a alegria começa a reaparecer. Por isso, a liturgia permite a cor rosa, representando esta alegria.

 

%d blogueiros gostam disto: