Tricentenário de Aparecida cerca de 100 anos antes

Por José Luís Lira

Fundador da Academia Brasileira de Hagiologia

 

 

Quando cheguei à Argentina, em 2010, para cursar mestrado e doutorado em Direito, descobri a Padroeira do País, Nossa Senhora de Lujan. Logo que contemplei a imagem, percebi nela muita semelhança com Nossa Senhora Aparecida. Incentivado pelo Prof. Dr. Carlos Cozzi, de investigação científica, fiz um trabalho cujos resultados, apresento, de forma sucinta nesta matéria.

Em 1600, nasceu no Rio de Janeiro, Frei Agostinho de Jesus (c. 1600-1661), um dos primeiros escultores brasileiros.Viveuno Mosteiro Beneditino de Santana de Parnaíba (SP). Produzia imagens em terracota. As imagens que fez de Nossa Senhora da Conceição, apresentam, segundo os estudiosos, características próprias: forma sorridente dos lábios, queixo encravado, flores em relevo no cabelo, broche de três pérolas na testa e porte empinado para trás.

Corria o ano de 1630. Antônio Farias Saa, fazendeiro de Santiago del Estero, Argentina, queria construir em seu lugar uma capela para Nossa Senhora. Visando obter imagem para veneração na capela, conseguiu, em São Paulo, Brasil, duas imagens que representavam Nossa Senhora. Em maio de 1630, as imagens chegaram ao Porto de Buenos Aires e se iniciou a caravana rumo Santiago. Nasegunda noite, a comitiva acampou junto ao rio Lujan, cerca de 70km da capital. Dia seguinte, a carroça que levava as imagens empacou. Um dos presentes, Negro Manuel,nascido na África Ocidental e que chegou a Buenos Aires junto com as imagens, escravo de Saa, sugeriu a retirada de uma das caixas; a carroça não seguiu. Então, propôs trocar as caixas e a carroça começou a andar. Diante disso, o dono entendeu que a imagem de Nossa Senhora deveria ficar ali e deixou Manuel como escravo da Virgem.Manuel, conforme a crônica histórica, morreu livre, em 1686, devotado à Imaculada e repousou aos pés da querida Nossa Senhora de Lujan, junto ao altar da Padroeira da Argentina.

Quase 100 anos depois, história conhecida nossa se deu. Não é lenda, pois, existem documentos que a confirmam. Um, se encontra na Cúria de Aparecida e, outro, na Companhia de Jesus, em Roma: histórias registradas pelos padres José Alves Vilela (1743) e João de Morais e Aguiar (1757).Aaparição da imagem ocorreu em outubro de 1717, quando oConde de Assumar, então governante de S. Paulo e Minas, estava de passagem por Guaratinguetá indo paraVila Rica. As autoridades decidiram homenagearao Conde com jantar. Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso foram encarregados de pescar os peixes; eles rezaram à Virgem Maria e pediram ajuda de Deus. Após várias tentativas, desceram pelo rio Paraíba até chegarem ao Porto Itaguaçu. Prestes a desistirem da pescaria, João Alves jogou sua rede e, em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça, de cor escura. Em seguida, a rede trouxe a cabeça da imagem. Neste instante, as redes trouxeram tantos peixes que elestiveram que retornar ao porto, faceao peso da pesca. Aimagem se encontrava no fundo do rio, por costume da época de se jogar em rios ou enterrar imagens quebradas. Milagre público, ocorrido em 1850, foi a libertação do escravo Zacarias, preso por grossas correntes nos pulsos, que passando pelo local onde se encontrava a imagem Aparecida, se ajoelhou diante da Virgem e as correntes soltaram-se, deixando Zacarias livre. Nossa Senhora de Lujan e Nossa Senhora Aparecida apresentam as mesmas alturas e semelhanças, têm cores diferenciadas, pois a tonalidade de Aparecida se deu pelas águas do rio Paraíba. Os primeiros milagres das duas estão relacionados à liberdade dos escravos e unem duas nações tão diferentes,pela arte do brasileiro Frei Agostinho, inspirado por Deus. Salve Maria!

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